"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

terça-feira, 26 de maio de 2009

A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA

A Grande Guerra e o Nascimento da Era Moderna
Autor: Modris Eksteins
Tradução: Rosaura Eichenberg
Editora: Rocco
Assunto: História geral
Edição: 2ª
Ano: 1991
Páginas: 480

A sagração da primavera descreve as origens, o impacto e as conseqüências da Grande Guerra de 1914-1918.

O título do livro remete ao famoso balé de Stravinsky estreado em Paris pelos Ballets Russes de Diaghilev em 29 de maio de 1913. A platéia fica chocada diante do bárbaro ritual que sacrifica uma virgem para que renasça a primavera.

A dança da explosiva primavera russa mostrou aos espectadores parisienses uma jovem que personificava a renovação ritual da vida num bailado que culminava com sua morte — Stravinsky dera originalmente à sua obra o título de A vítima. O mito levado à cena não tardou a ser aceito como uma espécie de roteiro para uma Nova Era. Em toda a parte artistas e intelectuais clamavam por algo novo, por uma "purificação" do mundo. Hermann Hesse, em sua obra "Demian", assevera: "Antes me havia perguntado muitas vezes por que eram tão poucos os homens que conseguiam viver por um ideal. Agora percebia que todos os homens eram capazes de morrer por um ideal".
Quinze meses depois, num frenesi de paixão pelo novo, grandes multidões se reuniam nas capitais da Europa em manifestação a favor da guerra, enquanto alguns aclamavam a chegada de um Mundo Novo, milhões de jovens se apresentavam como voluntários para morrer em nome de uma nova era política, em que a devastação e a criação trocaram de lugar.

O balé de Stravinsky é o marco do modernismo, sugere o seu motivo principal: o movimento, um dos símbolos supremos do século XX. Centrífugo e paradoxal, quando na luta pela liberdade adquirimos o poder da destruição final. É a dança da morte, com sua ironia niilista e orgiástica.

Em pouco tempo a Europa se viu diante de todo o horror desse novo tipo de devastação. Quatro anos de guerra de trincheira produziram o fim prometido. "Tudo mudado, mudado completamente", escreveu o poeta Yeats: "Uma nova beleza acaba de nascer". Entretanto, passada a guerra, uma depressão profunda tomou conta da Europa, interrompida apenas por pestes, insurreições, inflação, êxodos.

Comentários da obra: O historiador Modris Eksteins descreve nesta obra as estranhas alterações da consciência humana que a guerra provocou e que padrões de comportamento e intelectualidade emergiram do conflito.

"A Grande Guerra", escreve Modris Eksteins, "foi o momento crítico... do modernismo como um todo. A pulsão de criar e a pulsão de destruir tinham trocado de lugar". O efeito último da guerra foi a versão hitlerista da realidade, revelada na criação e destruição do Terceiro Reich. A sagração da primavera se encerra com o suicídio de Hitler na primavera de 1945 dentro do bunker construído no subsolo da Berlim sitiada.

É preciso registrar que a Alemanha foi o país que mais profundamente incorporou a mentalidade revolucionária, o maior flagelo que se abateu sobre a humanidade em toda a sua história.


Excertos da obra:

“... os alemães inclinavam-se a considerar seu país como uma força progressista e libertadora que introduziria uma nova honestidade nos arranjos de poder do mundo.”

“Quando rebentou a guerra, os alemães estavam convencidos... de sua ‘superioridade moral’, de sua ‘força moral’ e de seu ‘direito moral’.”

“A Alemanha representava o novo, o diferente, o perigoso.”


Sobre o autor: Modris Eksteins é professor de história na Universidade de Toronto. É autor de inúmeros livros sobre a Alemanha como “Theodor Heuss um die Weimarer Republik” e “The limits of reason: the German democratic press and the colapse of Weimar democracy”.