"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PODER GLOBAL E RELIGIÃO UNIVERSAL

Título original: Poder Global y Religión Universal
Autor: Juan Claudio Sanahuja
Tradutor: Lyège Carvalho
Assunto: Ensaio social e religioso
Editora: Ecclesiae
Edição: 1ª
Ano: 2012
Páginas: 206     

Sinopse: NA PASSAGEM PARA O TERCEIRO MILÊNIO, ao inaugurar o Grande Jubileu de 2000, o beato João Paulo II exortou os cristãos a confiarem na vereda de Cristo, lembrando a estreiteza da via que, em uma história bimilenar, foi capaz de fazer a Igreja vencer tantas sombras e perigos incontáveis, ameaças e perseguições, e tantas outras incompreensões e falsas interpretações; assim, a luz fulgurante de Cristo chegou ao século XXI como um fato incontestável: “Entramos por esta Porta, que representa Cristo mesmo: com efeito, só Ele é o Salvador.” Esta verdade histórica chegou até nós, a geração pós-Concílio Vaticano II, mas está hoje (e novamente) atacada de modo intenso e sistêmico, por forças culturais, econômicas e políticas, no afã de impor uma nova ordem mundial, destituída das premissas cristãs, ordem imposta por diversas formas de manipulação, a pior de todas as violências. Uma nova ordem não apenas política, mas também religiosa, de uma religiosidade light, “sem dogmas, sem estruturas, sem hierarquias, sem morais rigorosas”, como ressalta monsenhor Juan Cláudio Sanahuja, neste lúcido livro Poder Global e Religião Universal.

Este “poder global”, como um novo Leviatã, “procura a perversão dos menores, a anticoncepção, o aborto, a eutanásia, a investigação com embriões humanos, a injusta legitimação jurídica de casais do mesmo sexo etc. A falsa espiritualidade da nova ordem procura ensinar às crianças de 5 anos a normalidade da homossexualidade e da masturbação e instruí-la no uso de preservativos e da pílula do dia seguinte, inculcando-lhes que o aborto é um direito, como propõe a UNESCO”.

Comentários: A crise da Igreja é grave. Tenho a impressão de que não se esconde de ninguém que o cataclismo social – que afeta o respeito à vida humana e à família – tem essa triste situação como causa. Michel Schooyans afirma, sem nenhuma dúvida, que a Nova Ordem Mundial, “do ponto de vista cristão, é o maior perigo que ameaça a Igreja desde a crise ariana do século IV”, quando, nas palavras atribuídas a São Jerônimo, “o mundo dormiu cristão e, com um gemido, acordou ariano”.

(...) Soma-se à atitude vacilante de muitos católicos a ditadura do politicamente correto, muito mais sutil que as anteriores e que reivindica a cumplicidade da religião, uma religião que por sua vez não pode intervir nem na forma de conduta nem no modo de pensar. A nova ditadura corrompe e envenena as consciências individuais e falsifica quase todas as esferas da existência humana.

A sociedade e o estado excluíram Deus, e “onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes – ainda não nascidas – se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria”.

O autor: Argentino, sacerdote ordenado em 1972, Doutor em Teologia pela Universidade de Navarra, Espanha, Professor de Teologia Moral e História da Filosofia e da Teologia, Capelão de sua Santidade o Papa Bento XVI e Colaborador do Conselho Pontifício para a Vida. É também jornalista pela Universidade de Navarra e autor de «El desarrollo sustentable. La nueva ética internacional» («O desenvolvimento sustentável. A nova ética internacional»)

Entrevista com o autor:

Canção Nova - De que forma funcionam essas estratégias de estabelecimento de um poder global e religião universal?

Monsenhor Juan Claudio Sanahuja - É algo fabricado pelos mesmos lobbys antivida, porque precisam transformar a cultura dos países cristãos, a fim de que a mensagem antivida possa ser aceita nesses países. Para isso, precisam "trocar" as crenças dos povos cristãos, especialmente católicos, e isso desgraçadamente é favorecido por uma situação de "crise" no interior da Igreja, pois há pessoas, inclusive eclesiásticos, que não aceitam os pronunciamentos magisteriais.

Justamente estes projetos de nova ética internacional baseiam-se no relativismo ético. Portanto, os documentos do Magistério que afirmam verdades imutáveis são rechaçados por esses projetos. E querem inculcar isso no povo cristão e católico, em parte valendo-se de alguns eclesiásticos que não aceitam o ensinamento da Igreja.

Canção Nova - Já tivemos na história regimes políticos que promoveram o ateísmo, e, depois, surgiu essa tendência de promover a religião aconfessional. Qual é a diferença desses dois mecanismos?

Monsenhor Sanahuja - As pessoas são quase sempre as mesmas e tudo está impregnado de um neomarxismo. Então, o que ocorre é que querem substituir a religião revelada, cristã, por uma outra, de valores relativos, utilizando inclusive as mesmas palavras que têm grande valor para a religião cristã. Por exemplo, a "paz". É uma palavra que tem forte embasamento de conteúdo cristão. Por isso, não bastam as palavras: temos que ver quem diz e por que as diz.

É o que o então Cardeal Joseph Ratzinger chamou de moralismo político. Não basta falar sobre paz, proteção das crianças, igualdade. Tem-se que ver quem diz e qual é a sua ideologia, pois podem ser palavras enganosas, embora baseadas em conteúdo católico. Então, aqueles que pregavam ateísmo há uns anos são os mesmos, ou discípulos desses, e agora pregam uma nova ética de valores relativos, mutáveis. Assim, tudo o que seja verdade imutável é fundamentalismo e, portanto, rechaçável, condenável. Por isso, alguns dizem que a posição da Igreja em relação ao aborto altera a paz, tanto social quanto mundial. Já outros abordam as formas de se combater a Aids: a Igreja fala sobre o cultivo de bons costumes, e há quem acuse isso de crime!

Canção Nova - De que forma os padres e bispos podem ajudar nesse contexto? E o povo católico, já abriu os olhos para essa realidade?

Monsenhor Sanahuja - Sendo fiéis ao Magistério, pregando a doutrina ensinada por Jesus. Acontece que nós sacerdotes, os clérigos, inclusive bispos, temos a pressão do ambiente, do "politicamente correto". Temos que pregar a Jesus e a conduta que Ele nos ensina a ter, apesar da presença do politicamente correto. Com a ajuda de Deus, não podemos ceder às pressões. Isso é inadmissível. Os sacerdotes devem pregar Jesus e a doutrina católica, em sua integridade, e não se deixar pressionar, ainda que isso possa trazer dor de cabeça.

CONSPIRAÇÃO ANTICRISTÃ

Principe Dom Bertrand de Orléans e Bragança

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