"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O ÓPIO DOS INTELECTUAIS

Título original: L´Opium des Intellectuels
Autor: Raymond Aron
Tradução: Yvonne Jean
Editora: UNB
Assunto: Pensamento Político
Edição: 1ª
Ano: 1980
Páginas: 260

Sinopse: “O Ópio dos Intelectuais” de Raymond Aron é uma das obras seminais do século XX. O livro é um contundente libelo de um combatente pela liberdade. O livro é dividido e três partes, precedido de longa e substantiva Introdução, a saber: a primeira trata dos mitos políticos, a segunda da idolatria da história e a terceira da alienação dos intelectuais. O estilo de Aron é direto, irônico, implacável. Lê-lo é um deleito.

(I)

"Se a tolerância nasce da dúvida, que nos ensinem a duvidar dos modelos e utopias, a recusar as profecias da salvação, os arautos de catástrofes".

Raymond Aron.


Por que comentar um livro escrito em 1954, de caráter aparentemente conjuntural? Por que resenhar um livro esgotado e para o qual não deverá aparecer editor interessado na sua publicação? Por que discutir um texto que coloca como tema o Império Soviético, já morto e enterrado? Por que se debruçar sobre uma problemática que já deveria ter sido esquecida nas dobras do tempo? Afinal, por que discutir o conceito de ideologia? Digo-lhe, caro leitor: porque o livro fala de nós, do nosso momento, da nossa necessidade mais premente. É uma luz para aqueles que se encontram encurralados, prisioneiros de alma diante das mentiras sistemáticas dos escribas e fariseus.

Falo do livro "O Ópio dos Intelectuais" (Editora UNB, 1980, primeira edição francesa de 1955), que é uma das obras seminais do século XX. Roberto Campos, que prefaciou a edição brasileira, sublinhava que vinte e cinco anos depois de sua publicação original a obra ainda mantinha a sua atualidade, a mesma que percebo nesse instante. Campos também assinala que a obra foi um ato de coragem, pois "o marxismo era então a grande religião dos intelectuais". Poderíamos dizer diferente hoje em nosso país? Certamente que não, em face do pleno domínio que os intelectuais marxistas têm na universidade, na mídia, na burocracia estatal, na classe política e – é de pasmar! – no próprio meio empresarial. Conservadores e liberais aqui são como restos que se ocultam nas frestas e apenas graças à Internet os seus poucos remanescentes conseguem agora se comunicar. O próximo pleito para a Presidência da República não passa de um duelo entre as facções marxistas, o que mostra o grau de domínio que essa ideologia conseguiu no Brasil, devendo ganhar a eleição a sua expressão mais radical e revolucionária.

O livro é um contundente libelo de um combatente pela liberdade.

Este é um texto inicial de uma série de comentários que farei sobre o livro, talvez mais dois ou três artigos. Ficaria muito longo um único comentário que procurasse fazer uma adequada apresentação e eu quero fazer justiça à importância de que se reveste essa obra-prima do escritor francês.

O livro é dividido e três partes, precedido de longa e substantiva Introdução, a saber: a primeira trata dos mitos políticos, a segunda da idolatria da história e a terceira da alienação dos intelectuais. Não é fácil de ser lido para aqueles que não tenham um conhecimento mais aprofundado do marxismo e das obras dos seus ícones dos anos cinqüenta, como Sartre, Marcuse, Merleau-Ponty, Koestler e outras estrelas que dominavam o meio intelectual mundial, na mídia e nas universidades. Só eles eram lidos. A razão liberal foi deixada de lado. O próprio Aron, como Fridman nos EUA e seus pares mundo a fora, eram vistos como excêntricos que davam as costas á "verdadeira ciência".

Mesmo Aron deixou-se trair – Ó ironia! – ao confessar, no prefácio que escreveu ao livro em 1954, que era "pessoalmente, keynesiano com saudade do liberalismo...". Mais para o final da vida certamente não teria escrito com candidez essa frase, ele, o grande denunciador das ideologias esquerdistas. Foi uma vítima delas também, mas quem escapou desse destino? A mentira ideológica emerge em todos os lugares e é pegajosa como a graxa usada pelos mecânicos.

[É por isso que nutro uma admiração muito especial por Milton Friedman e demais economistas liberais desse período, que resistiram bravamente ao assalto dos falsos economistas que, por traz de equações e sofisticados tratados, outra coisa não fizeram que não a exaltação do Leviatã e do coletivismo. Vida longa a Friedman, que acaba de completar noventa anos. Entre nós, exalto a figura quase quixotesca de nosso ilustre Embaixador Meira Penna, que nunca se dobrou aos modismos dos tempos.]

Para Aron, o marxismo tornou-se a ideologia por excelência, pois "as sociedades ocidentais não têm o equivalente ao marxismo-leninismo, seja como base para o regime, seja como fundamento de uma síntese, ou pseudo-síntese, intelectual". O autor entendia por ideologia "uma concepção mais ou menos sistemática da realidade política e histórica de mistura de fatos e valores".

Aqui temos ainda um outro efeito da perspectiva histórica, que teria ajudado Aron a ver que o marxismo-leninismo e suas derivações, bem como os socialistas em geral, nos final do século XX, fortaleceram-se como nunca em praticamente todo o Ocidente. Não tinha equivalente porque era a mesmíssima ideologia que aqui era dominante. O regime soviético caiu de podre, mas os crentes na ideologia prosperaram em todos os países. O Brasil é a prova mais sólida dessa excrescência histórica que se mantém firme, apesar de tudo, apesar de ter sido desmascarada, apesar de se demonstrar economicamente inviável, apesar de atentar contra as liberdades democráticas e a própria existência do indivíduo enquanto tal, a instância moral da humanidade.

Escrevendo diante dos acontecimentos de 1968, quando fez o texto introdutório (afinal, aquelas arruaças não passaram disso: arruaças planejadas pelos comunistas, em luta contra os EUA e sua campanha no Vietnã), Aron afirmou:

"Não existem, propriamente, novos sistemas ideológicos: o trotskismo e o freudismo-marxismo de Frankfurt remontam, o primeiro, ao princípio da década de 1930, à formação de uma seita marxista-leninista no exílio, que acusa a Igreja estabelecida de infidelidade; o segundo, à década de 1920, à conjunção de Hegel, Marx e Freud, à unidade fictícia das duas revoluções – sexual e político-social. Os revolucionários que promoveram revoluções verdadeiras – Cromwell, Robespierre, Lênin – tinham idéias morais bem diferentes: puros, ou puritanos, não incluíam a liberação dos instintos em seu conceito de liberdade. Mao ao que parece, também prega o domínio dos instintos, não sua liberação. Pode ser que o freudismo-marxismo, adaptado à índole cubana, tenha encontrado no Caribe a sua pátria de eleição".

Mal sabia ele o quanto Cuba iria durar sob a tirania comunista. O estilo de Aron é assim, direto, irônico, implacável. Lê-lo é um deleito. No próximo artigo pretendo escrever sobre o conteúdo da primeira parte, que trata dos mitos políticos.


(II)

"Longe de o marxismo ser a ciência da infelicidade operária e o comunismo a filosofia imanente do proletariado, o marxismo é uma filosofia de intelectuais que seduziu frações do proletariado e o comunismo faz uso dessa pseudociência para atingir seu fim próprio, a tomada do poder".

Raymond Aron


Continuando a resenha do livro "O Ópio dos Intelectuais", de Aron, não pode nos escapar o trocadilho que ele fez no título com a famosa frase de Marx, de que "a religião é o ópio do povo". Aron não o fez por acaso: para ele o marxismo assumiu uma forma de religião secular, abraçada pela "intelectuária" do mundo.

Aqui pretendo fazer um comentário sobre a primeira parte do livro, que trata dos três mitos políticos, a saber: o da esquerda, o da revolução e o do proletariado.

Aron começa fazendo a distinção dos conceitos políticos "direita" e "esquerda", sem o que não é possível distinguir a questão ideológica. É uma tarefa relevante e difícil mesmo hoje, é de se imaginar o quanto foi em meados dos anos cinqüenta. São denominações genéricas que não comportam unidade, mas são úteis para discernir o espectro político. Se a esquerda é uma "saco de gatos", a direita deve ser desdobrada em pelo menos dois grandes blocos, os conservadores e os liberais. E estes, mais das vezes, especialmente no contexto europeu e norte-americano, são também confundidos com elementos de esquerda. [na verdade, liberal no EUA é a esquerda mesmo. É o PT deles.]

A direita sempre se apresenta como partidária da tradição e da ordem, enquanto que "a esquerda apresenta-se como anti-capitalista e combina, numa síntese difusa, a propriedade pública dos instrumentos de produção, a hostilidade contra a concentração de poder econômico batizados de trustes e a desconfiança para com os mecanismos de mercado". Aron foi um dos pioneiros em mostrar que o nazismo se alinhava à esquerda, e não à direita, como fazia crer a propaganda comunista depois da invasão da União Soviética por Hitler.

O que Aron sublinha é que as tiranias que desacreditam no mercado, na livre empresa, nas liberdades individuais, colocando em seu lugar o dirigismo estatal e o regime de partido único – o comunismo assim como o nazismo – são o que se pode chamar de esquerda, a forma antagônica de organização da sociedade capitalista como a conhecemos.

O autor é extremamente contundente ao demonstrar que a estatização (como diríamos hoje) dos meios de produção nem estabelece a igualdade política e nem de rendimentos. "A hierarquia técnico-burocrática, na qual os trabalhadores são integrados, não fica modificada por uma mudança do estatuto de propriedade", afirma, com razão. A hierarquia é mantida, porque essa é a condição humana. Da mesma forma, a distribuição de renda: "O limite da igualização das rendas é traçado pela gravidade da matéria social, o egoísmo humano, mas também por exigências coletivas e morais não menos legítimas do que o protesto contra a desigualdade". Aron tem profunda consciência, qual um liberal clássico, dos limites impostos pela chamada natureza humana, que não pode ser abolida e nem modificada pelos engenheiros sociais.

[À certa altura, Aron se pergunta, olhando a França, "mas onde estão os capitalistas a fustigar"? A pergunta é muito pertinente para o Brasil de hoje, em vista do inusitado fato político que se registra de maciça adesão de muitos membros da direita tradicional aos representantes do marxismo. Até usineiros de cana-de-açúcar de Pernambuco, conservadores tradicionais, andam declarando votos em Lula para a presidência da República.]

Passando a analisar o mito da revolução, Aron afirma que "não se pode considerar inseparáveis a violência e os valores da esquerda: o inverso estaria mais próximo da verdade". Tomando esse mote, talvez caiba aqui uma conclusão, a de que a ação política da esquerda no poder, ainda que a ele chegue de forma pacífica, sempre descambará para a violência revolucionária, seja porque essa ação contraria fatos básicos da condição humana (propriedade privada e liberdade), seja porque seus métodos de progresso baseados no planejamento central impõem a lógica do trabalho compulsório. Só é possível conseguir uma ordem assim pela força.

Aron, enquanto agudo e irônico observador da História, afirma: "Os regimes vitimados por levantes populares ou golpes de Estado não demonstram pela sua queda vícios morais – são muitas vezes mais humanos do que os vencedores – e sim erros políticos... A revolução do tipo marxista não aconteceu porque seu próprio conceito era mítico: nem o desenvolvimento das forças produtivas nem o amadurecimento da classe operária prepararam a derrubada do capitalismo pelos trabalhadores conscientes de sua missão. As revoluções que invocam o proletariado, como todas as revoluções do passado, assinalam a substituição violenta de uma elite por outra. Não apresentam caráter algum que permita saudá-las como o fim da pré-história".

Não escapa a Aron a conexão entre o conceito de revolução e o de revolta, o primeiro tirando partido do prestígio do segundo. Revoltados são aqueles que dizem não à modernidade, sejam ateus (Nietzsche), sejam homens de fé (Bernanos). Eles "têm horror à baixeza, à vulgaridade espalhadas pelas práticas eleitorais e parlamentares... Revoltados e niilistas censuram o mundo moderno: uns por ser o que quer ser, outros por não ser fiel a si mesmo."

Por fim, Aron fecha essa parte do livro analisando o mito do proletariado, que juntamente com o de esquerda e de revolução, dão o eixo explicativo do que move a alma dos intelectuais: são a sua crença e o seu engano. O autor aqui é mais cáustico do que nunca, mostrando as falácias dos que advogam o elemento operário como o libertador da humanidade. "O proletariado, no sentido preciso da massa operária criada pela grande indústria, não recebeu de ninguém – a não ser de um intelectual, originário da Alemanha e refugiado na Grã-Bretanha no meio do século passado (XIX) – a missão de ‘converter a história’, mas no século XX representa menos a classe imensa das vítimas do que a coorte dos trabalhadores que os managers organizam e que os demagogos cercam".

Ler essas páginas é colocar a nu diante dos olhos o besteirol que anima a classe política esquerdista. Basta olhar os programas eleitorais, naturalmente obrigatórios, para que nos deparemos com cada uma das falácias a sustentar suas falsas promessas. O resumo delas é que todas as misérias humanas podem ser resolvidas por e através do Estado. A História ensina que é exatamente o contrário: onde a livre empresa deixou de existir e o mercado foi substituído pelo planejamento central, o que se conseguiu, além do sacrifício da liberdade, foi a miséria econômica e o horror político.


(III)

"Quem pretende formular um veredicto definitivo é um charlatão. Ou a História é um tribunal supremo e só pronunciará a sentença sem recurso no último dia. Ou a consciência (ou Deus) julga a História, e o futuro não tem mais autoridade do que o presente".

Raymond Aron


A segunda parte do livro o "Ópio dos Intelectuais" trata do tema da idolatria da História. A primeira coisa que Aron nota é que os partidos revolucionários se comportam como se fossem uma igreja e os seus membros tornam-se uma congregação de fé. Os congressos desses partidos são apropriadamente chamados por ele de "congressos-concílios". O marxismo é uma forma laicizada de religião e tal como o Papa, arroga-se o princípio da infalibilidade.

A esse caráter religioso, Aron atribui a natureza dos processos contra os dissidentes políticos onde os comunistas chegaram a poder. "Comparáveis à Inquisição, revelam a ortodoxia, ao salientar as heresias", afirma. É comovente a descrição que ele faz dos expurgos dos Partidos Comunistas, das farsas que eram os processos e os julgamentos. Não sem alguma piedade, Aron afirma que "nessa religião sem alma, os oponentes tornam-se efetivamente piores do que criminosos".

Em uma sucessão de curtos e densos capítulos, Aron discorre sobre o pretenso sentido que teria a História, sua pluralidade de significações, as supostas unidades históricas, o suposto Fim da História e a História tratada com fanatismo. É deprimente ver como as pessoas, tomadas pela ilusão ideológica, se deixam levar pelas teses mais mirabolantes.

Na seqüência, o autor demole a ilusão de uma suposta necessidade histórica, seu determinismo, suas previsões e ridiculariza a sua suposta dialética. Nas suas palavras: "A pretensa dialética da história social resulta de uma metamorfose da realidade em idéia. Endurece-se cada regime, atribui-se a ele um princípio único, opõe-se o princípio do capitalismo ao do feudalismo ou do socialismo. Afinal, fala-se como se os regimes fossem contraditórios e como se a passagem de um para o outro fosse comparável à passagem de uma tese a uma antítese. Comete-se um duplo erro. Os regimes são diferentes e não contraditórios e as chamadas formas intermediárias são mais freqüentes e duráveis do que as formas puras". Aron é implacável nas suas conclusões.

É interessante como o autor nota que os cristãos são muito sensíveis à mensagem marxista. Mal sabia ele à época que uma suposta teologia da libertação seria fundada, na qual a mensagem de Cristo foi substituída sumariamente pela mensagem revolucionária. A Igreja Católica no Brasil está hoje majoritariamente contaminada por esse câncer intelectual. Uma ligeira conversa com algum sacerdote engajado na "causa" revela que não são mais cristãos, usam o nome da religião em vão. O marxismo, em sua essência, é radicalmente contra os valores cristãos, contra a ética cristã, contra a sua mensagem. O Cristianismo exalta o triunfo, a dignidade e a responsabilidade do ser individual. O marxismo é o contrário: exalta o coletivo, torna os valores morais relativos e propõe a salvação coletiva pela economia nesse Mundo, em substituição à salvação individual, no Além. Um cristão, por definição, não pode ser marxista, sendo a recíproca verdadeira.

Nas páginas finais desse trecho do livro, Aron lembra: "History is again on move: esta fórmula de Toynbee, dificilmente traduzível, atende a um sentimento forte e estranho que cada um de nós experimentou em dado momento de sua vida. Eu o experimentei na primavera de 1930, quando, ao visitar a Alemanha, assisti aos primeiros êxitos do nacional-socialismo. Tudo estava novamente em questão: a estrutura dos Estados e o equilíbrio das forças no mundo: a imprevisibilidade do futuro pareceu-me tão evidente quanto à possibilidade de manter o status quo". Ler essa citação me remeteu diretamente à minhas angústias mais íntimas. É o mesmo sentimento de que estou tomado ao ver os acontecimentos políticos que de desenrolam no Brasil na atualidade. Os augúrios são os piores possíveis.

São os mesmos, homens da mesma raça, em 1917 em Moscou, em 1933 em Berlim e em 2002 em Brasília. Homens com uma caricatura de consciência histórica são capazes de qualquer coisa para chegar ao poder e para exercê-lo de forma implacável e tirânica. Será a destruição aqui na mesma ordem de grandeza registrada no passado? Quem viver, verá.


(IV)

"O comunismo é uma versão aviltada da mensagem cristã. Dela retém a ambição de conquistar a natureza, de melhorar a sorte dos humildes, mas sacrifica o que foi e continua sendo a alma da aventura definitiva: a liberdade de pesquisa, a liberdade de controvérsia, a liberdade de crítica e de voto do cidadão. Submete o desenvolvimento da economia a um planejamento rigoroso e a edificação socialista a uma ortodoxia de Estado".

Raymond Aron

A terceira e última parte do livro "O Ópio dos Intelectuais", de Raymond Aron, traz uma exaustiva demonstração da alienação dos intelectuais, com farta demonstração por diversos países. Mas o mais notável é a ênfase que o autor dá ao caráter religioso que assumiu as diversas seitas marxistas – socialistas e comunistas – que se tornaram uma forma de religião secular.

Aron desmistifica a idéia de que os intelectuais sejam essencialmente revolucionários. Eles o foram em momentos específicos. Lembra Aron que "os letrados chineses defenderam e ilustraram a doutrina, mais moral do que religiosa, que lhes dava o primeiro, que lhes dava o primeiro lugar e consagrava a hierarquia. O reis ou os príncipes, os heróis coroados ou mercadores enriquecidos sempre encontraram poetas (que não eram necessariamente ruins) para cantar a sua glória. Nem em Atenas, nem em Paris, nem no século V antes da nossa era, nem no décimo nono século após Jesus Cristo, o escritor ou o filósofo inclinaram-se espontaneamente para o partido do povo, da liberdade e do progresso. O admiradores de Esparta que se encontravam no interior dos muros de Atenas eram numerosos, como também aqueles do Terceiro Reich nos salões ou nos cafés da Rive Gouche de Paris".

E, com grande agudeza psicológica, Aron intui o porquê dos intelectuais contemporâneos tenderem para o ativismo e a ação revolucionária: "A conjunção de peritos (profissões técnicas – NC) decepcionados e letrados irritados põe as próprias sociedades industriais do Ocidente em perigo. Uns que procuram eficácia e outros que perseguem uma idéia unem-se contra um regime culpado por não inspirar nem o orgulho do poder coletivo, nem a satisfação íntima de participar de uma grande obra".

O que Aron não sabia à época é que foi colocada em marcha a mais formidável indústria de mentiras por parte dos revolucionários, dispostos a qualquer coisa para fazer triunfar as suas idéias impraticáveis, muitas vezes em sacrifício dos próprios revolucionários. Nos expurgos, eles mesmo que arderiam nas fogueiras. A cegueira ideológica chegou a tal estágio que o sentido de realidade desapareceria. Aqui não é possível deixar de lembrar a maléfica obra de Antonio Gramsci e a engenharia de comunicação política traçada desde os tempos de Lênin, com o propósito exclusive de produzir a mentira política. A ordem era confundir, subverter a moral cristã, solapar os valores mais essenciais da tradição ocidental.

É na alma desses homens que talvez resida a resposta para essa atitude tão insensata e destrutiva. Não creio que o mero impulso em direção ao poder possa explicar o fato, embora reconheça que o mesmo possa estar na origem de sua força dinâmica. Tampouco creio que explique isso algum eventual "pulsão de morte" de corte freudiano. Aron, ainda uma vez, foi genial ao perceber o paralelo com o fenômeno religioso. É, para mim, a tomada da alma desses homens pelo íncubo obsediante, em transe demoníaco, fazendo das massas um súcubo passivo e sugestionável. É na psicologia de Jung que se terão as categorias necessárias para uma correta análise dessa hipnose de massas.

Forças transcendentais estão na verdade em disputa pela alma coletiva e de cada um. É o duelo eterno das forças do Bem e do Mal. A manifestação no mundo político é apenas um reflexo menor desse duelo maior. E não há dúvida de que as idéias coletivistas assumem o lado negativo, são a própria expressão do Anti-Cristo.

"O cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista não pode crer em Deus ou no Cristo, porque a religião secular, animada por um ateísmo fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra. O cristão progressista esconde de si mesmo essa incompatibilidade", nota Aron.

Em e-mail recebido de José Stelle, que reside no EUA, ele me relatou que entrevistou Aron em 1982, quando da sua vinda ao Brasil para o lançamento do livro, para a revista "Visão". Respondendo à pergunta sobre a diferença entre um liberal e um socialista, Aron declarou:

"O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência – ou seja, sua ignorância e arrogância – aos seus concidadãos". Resumiu tudo.

Para concluir, quero aqui indicar a resenha de Roger Kimball ("Raymond Aron & the power of ideas"), publicada no site http://www.newcriteriom.com/ , que pode ser de grande utilidade aos pesquisadores e interessados na obra do autor.
Nivaldo Cordeiro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CONSPIRAÇÃO DE PORTAS ABERTAS

Autor: Paulo Diniz Zamboni
Editora: É Realizações
Assunto: Política
Edição: 1ª
Ano: 2008
Páginas: 200

Sinopse: O livro descreve como o movimento revolucionário comunista ressurgiu na America Latina através do Foro de São Paulo. (...) uma pequena amostra de um assunto que precisa ser conhecido pela opinião pública brasileira de forma mais clara e abrangente: o Foro de São Paulo – FSP. E por que este assunto precisa ser conhecido? Pelo fato de que o FSP é a única força política organizada e coesa na América Latina. Continuar insistindo na irrelevância do Foro de São Paulo, ou pior, em que esse não passa de uma “teoria da conspiração” (afirmação, não por acaso, repetida, sobretudo por alguns dos próprios membros do PT, sendo ele próprio um integrante do FSP) torna-se não apenas uma atitude de ignorância suicida, mas sobretudo de covardia criminosa, diante dos rumos que a política e a sociedade brasileiras estão tomando, cada vez mais sombrios.


Cumpre, portanto, aos homens de bem e que ocupam posições de destaque por suas profissões e formação intelectual, ao menos conhecer o potencial destruidor da ideologia que guia o Foro de São Paulo, e tirar suas próprias conclusões sobre a organização. É ela um mero “clube de amigos” saudosistas de uma tirania genocida sem semelhante na história da humanidade (como é o comunismo), mas sem potencial algum de ação efetiva em nossos dias, ou uma organização habilitada a pautar a política de vários governos latino-americanos e, em especial, do Brasil?




O FORO DE SÃO PAULO

Anatoli Oliynik


Em junho de 1988 foi realizada a 19ª Conferência do Partido Comunista da União Soviética. Naquela oportunidade debateram-se os caminhos da “PERESTROIKA” de Mikhail Gorbachev, e já se vislumbrava a eminente queda do Muro de Berlim, o que de fato aconteceu em 9/11/1989.

Com a queda do Muro e com o desmoronamento planejado do comunismo pela União Soviética, Fidel Castro e as esquerdas latino-americanas perderam seu tutor financeiro e ideológico, a Rússia. Era preciso, portanto, articular a criação de um organismo que pudesse manter viva a “chama ideológica marxista-leninista”, bem como orientar e coordenar as suas ações comunistas no Continente.

Antes, porém, em janeiro de 1989, em Havana, por ocasião da reunião de cúpula do Partido Comunista de Cuba e o PT do Brasil foi estabelecido que, se Lula não ganhasse as eleições em novembro de 1989, deveria ser formada uma organização para coordenar as ações de toda a esquerda continental e que a liderança e organização do processo caberia a Luiz Inácio “Lula” da Silva. Portanto, Fidel já sabia dos planos arquitetados na 19ª Conferência do Partido Comunista e preparava terreno no Continente.

Aproveitando o poder parlamentar que tinha o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, Fidel Castro, com o apoio de Luis Inácio “Lula” da Silva, convocou os principais grupos terroristas revolucionários da América Latina para uma reunião na cidade de São Paulo. Acudiram ao chamado de Fidel e Lula, além do próprio PT e do Partido Comunista de Cuba, o Exército de Libertação Nacional (ELN), as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua, a União Revolucionária Nacional da Guatemala (URNG), a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, e o Partido da Revolução Democrática (PRD) do México.

O primeiro Encontro aconteceu no Hotel Danúbio na cidade de São Paulo, no período de 1 a 4 de julho de 1990. O nome “FORO DE SÃO PAULO” foi adotado na segunda reunião realizada na cidade do México, no período de 12 a 15 de junho de 1991, quando reuniu 68 organizações de 22 países. E assim nasceu o FORO DE SÃO PAULO. Uma coalizão de terroristas revolucionários, partidos comunistas, partidos de esquerda, enfim, a escória do Continente latino-americano, Caribe e América Central.

Para dirigi-lo centralizadamente, foi criado um Estado Maior civil constituído por Fidel Castro, Lula, Tomás Borge e Frei Betto, entre outros, e um Estado Maior militar, comandado também pelo próprio Fidel Castro, além do líder sandinista Daniel Ortega e o argentino Enrique Gorriarán Merlo.
[1]
Em 1991, foram elaborados os estatutos do Foro e escolhida uma direção que ficou composta pelo Partido Comunista Cubano (Cuba), Partido da Revolução Democrática (México), Partido dos Trabalhadores (Brasil), Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (El Salvador), Movimento Lavalas (Haiti), Movimento Bolívia Livre e os 6 partidos integrantes da Esquerda Unida (Peru) e da Frente Ampla (Uruguai, uma frente constituída por diversos partidos e organizações, dentro da qual o Movimento Tupamaros é hegemônico). Em 1992, a URNG - União Revolucionária Nacional Guatemalteca, que agrupa várias organizações voltadas para a luta armada, foi admitida como membro dessa direção.

A partir do II Encontro, realizado no México no período de 12 a 15 de junho de 1991, o FORO DE SÃO PAULO passou a ter CARÁTER CONSULTIVO e DELIBERATIVO dos Encontros. Isso significa que as decisões aprovadas em plenárias e constantes das Declarações finais passaram, a partir de então, a ser consideradas DELIBERATIVAS, isto é, DECISÓRIAS EM TERMOS DE ACEITAÇÃO e CUMPRIMENTO pelos membros do Foro, subordinando-os, portanto, aos ditames dos Encontros na ação a ser desenvolvida em nível internacional e nos respectivos países. Tais deliberações obedecem a uma política internacionalista, com vistas à implantação do socialismo no continente, fato que transfere para um segundo plano os interesses nacionais e fere os princípios da soberania e autodeterminação. A Lei Orgânica dos Partidos Políticos (LOPP) e a Constituição da República definem que “A ação do partido tem caráter nacional e é exercida de acordo com o seu estatuto e programa, sem subordinação a entidades ou governos estrangeiros” (artigo 17 da Constituição e item II, artigo 5º da LOPP). Isso no conceito dos dirigentes dos países membros do FORO DE SÃO PAULO é letra morta.

O FORO DE SÃO PAULO foi descoberto por José Carlos Graça Wagner, um advogado paulista e que o denunciou publicamente em 1º de setembro de 1997, em painel realizado na Escola Superior de Guerra, que versava sobre o tema "Movimentos Sociais e Contestação Sócio-Política – a Questão Fundiária no Brasil". Com a sua morte, passou a acompanhar e denunciar a formação “eixo do mal” pelo Foro de São Paulo, o jornalista, filósofo e ensaísta, Olavo de Carvalho, o que lhe custou o emprego no jornal “O Globo” e muitos outros jornais nos quais era articulista. O Olavo foi o brasileiro que mais denunciou o Foro de São Paulo nos último dezoito anos. Poucos lhe deram ouvido, lamentavelmente.

O FORO DE SÃO PAULO permaneceu no mais absoluto anonimato, eficientemente protegido pela mídia brasileira, toda ela engajada no esquerdismo marxista. O publico brasileiro, mais atento, somente tomou conhecimento e muito discretamente, quase que imperceptivelmente, por ocasião do 7º Encontro realizado na cidade de Porto Alegre em julho de 1997. Foi apenas uma discreta aparição que a imprensa brasileira procurou ocultar por meio da suspensão de todo e qualquer destaque que pudesse levantar suspeitas do que se tratava esse encontro, apesar de presentes 158 delegados, 58 partidos procedentes de 20 países, 36 organizações fraternas e cerca de 400 representantes de partidos e organizações de esquerda do continente.

No dia 2 de julho de 2005, por ocasião do XII Encontro ocorrido em São Paulo, se comemorou os 15 anos de fundação da organização, com discurso laudatório do presidente do Brasil cujo trecho selecionado é reproduzido a seguir:

“Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política. Foi assim que surgiu a nossa convicção de que era preciso fazer com que a integração da América Latina deixasse de ser um discurso feito por todos aqueles que, em algum momento, se candidataram a alguma coisa, para se tornar uma política concreta e real de ação dos governantes. Foi assim que nós assistimos a evolução política no nosso continente.”

“E é por isso que eu, talvez mais do que muitos, valorize o Foro de São Paulo, porque tinha noção do que éramos antes, tinha noção do que foi a nossa primeira reunião e tenho noção do avanço que nós tivemos no nosso continente, sobretudo na nossa querida América do Sul.”

“Por isso, meus companheiros, minhas companheiras, saio daqui para Brasília com a consciência tranqüila de que esse filho nosso, de 15 anos de idade, chamado Foro de São Paulo, já adquiriu maturidade, já se transformou num adulto sábio. E eu estou certo de que nós poderemos continuar dando contribuição para outras forças políticas, em outros continentes, porque logo, logo, vamos ter que trazer os companheiros de países africanos para participarem do nosso movimento, para que a gente possa transformar as nossas convicções de relações Sul-Sul numa coisa muito verdadeira e não apenas numa coisa teórica.”

(Discurso de comemoração dos 15 anos do Foro, julho de 2005)


A documentação acerca do FORO DE SÃO PAULO jamais teve ampla divulgação, tendo sido inicialmente publicado apenas na edição doméstica do GRANMA, órgão oficial do Partido Comunista Cubano. Na edição internacional nada transpirou. Mais tarde, passou a ter algum tipo de noticiário restrito em poucos jornais de alguns países e, até numa revista editada na Argentina chamada “América Libre”, quase de circulação interna, dirigida por Frei Betto.

O objetivo do Foro de São Paulo é implantar governos socialistas na América Latina, via eleições “democráticas”, que mais tarde serão convertidos em governos totalitários, a exemplo do modelo cubano em vigor, tudo sob a falsa retórica de “democracia”, tal como eles, os comunistas entendem. Os campos de atividade do Foro são a subversão política e social de todo o continente latino-americano. Veja-se o caso de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras. Tudo sob a falsa retórica da “democracia”, repito. Trata-se, portanto, de uma organização que se mantém no anonimato para que seus projetos totalitários não sejam identificados antes que se complete o plano de dominação e implantação do pensamento hegemônico no Brasil e no continente Latino-americano. Para este desiderato o FORO DE SÃO PAULO conta com o apoio da ONU e da OEA.
Desde a sua fundação, o Foro realizou quinze encontros segundo a cronologia a seguir:

Encontros desde a fundação:

I Encontro
São Paulo - Brasil - 1 a 4 de julho/1990

II Encontro
Cidade do México - México - 12 a 15 de junho/1991

III Encontro
Manágua - Nicarágua - 16 a 19 de julho/1992

IV Encontro
Havana - Cuba - 21 a 24 de julho/1993

V Encontro
Montevidéu - Uruguai 25 a 28 de maio/1995

VI Encontro
San Salvador - El Salvador - 26 a 28 de julho/1996

VII Encontro
Porto Alegre - Brasil - 27 a 31 de julho/1997

VIII Encontro
Cidade do México - México - novembro/1998

IX Encontro
Manágua - Nicarágua - fevereiro/2000

X Encontro
Havana - Cuba - 4 a 7 de dezembro/2001

XI Encontro
Antigua - Guatemala - 2 a 4 de dezembro/2002

XII Encontro
São Paulo - Brasil - 1 a 4 de julho/2005

XIII Encontro
San Salvador - El Salvador - 12 a 16 de janeiro/2007

XIV Encontro
Montevidéu - Uruguai - 23 a 25 de maio/2008

XV Encontro
Cidade do México - México - 20 a 23 de agosto/2009


Como vimos, participam do FORO DE SÃO PAULO partidos e organizações de esquerda, reformistas e revolucionárias; Partidos Comunistas que se definem como marxistas-leninistas; organizações e grupos trotskistas; Partidos Comunistas que continuam se definindo como marxistas-leninistas-maoístas (da Argentina, Peru e Uruguai) e que possuem uma articulação internacional própria em 17 países; Partidos Socialistas filiados ou não à Internacional Socialista; organizações que continuam desenvolvendo processos de luta armada, como as FARC e ELN, na Colômbia e organizações que participaram da luta armada e hoje atuam na legalidade, como o Movimento 19 de Abril, também da Colômbia e os Tupamaros, do Uruguai.

Esta é, portanto, a breve radiografia do FORO DE SÃO PAULO, uma organização que os brasileiros não conhecem e a maioria nem sabe que existe, e cujo objetivo maior é comprar a sua alma para vendê-la ao demônio.


[1] Enrique Gorriarán Merlo foi o fundador do Exército Revolucionário do Povo (ERP) e posteriormente do Movimento Todos pela Pátria (MTP). Gorriarán Merlo foi, também, o autor do ataque terrorista em janeiro de 1980 ao regimento de infantaria La Tablada, em Buenos Aires, no qual morreram 39 pessoas, e foi quem encabeçou a esquadra que assassinou Anastásio Somoza em Assunção, Paraguai, em setembro de 1980. Organizou a máquina militar do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), o mesmo que tomou a residência do embaixador japonês em Lima.

domingo, 20 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO: NA MORTE DE UM HOMEM MAU

Morreu um homem amargo e mau, incapaz de sorrir, que se esforçava por tornar a sua Pátria amarga, como ele.

José Saramago era, de facto, um homem mau. Provava-o a sua cara vincada incapaz de exprimir um sorriso, prova-o a sua escrita prenhe de ódio e crítica aos valores mais normais e caros à civilização que o viu nascer, valores esses que ele, com as suas ideias, suas declarações e sua obra, renegou em Lanzarote. Será que no fundo, Saramago, para além do seu marcado azedume e soberba, tinha valores? Nunca o saberemos.

Repito, José Saramago era um homem mau. Que o digam os seus colegas, que em pleno período revolucionário foram vítimas de saneamentos selvagens. O homem, nessa época, tinha o “estribo nos dentes”, e era imparável algoz como sub-director do Diário de Notícias. Tinha por desporto arruinar a vida de quem não era comunista como ele.

Foram 87 anos de infecundidade, travestida de um aparente sucesso, revelado pelos livros que vendeu, e pela matreira estratégia de marketing que o conduziu ao Prémio Nobel, em detrimento de outros escritores Lusos, genuinamente com mais categoria e menos maldade crónica do que ele. Penso, por exemplo, no insuspeito Torga.

Tentei ler dois livros dessa personagem, para com honestidade poder dizer que, para além de não gostar dele como pessoa, o não considerava como um bom escritor, e que ofendia na sua essência a cultura Cristã da nossa Grei. Consegui apenas ler um, e o início de outro. A sua escrita, para além de ser incorrecta, era amarga como as cascas dos limões mais amargos. A sua originalidade era, afinal, o sinistro das suas ideias; o que, convenhamos, é pouco original. É mais fácil ser sinistro, provocador e mau, do que ter categoria, e valor. Saramago optou pelo mau caminho, como sempre, o mais fácil. E teve aparentemente sorte, na Terra, que a eternidade pouco lhe reservará.

Fiquei contente quando ameaçou (apenas ameaçou, porque na realidade a sua vaidade não lho permitia praticar), nunca mais pisar solo Pátrio. Uma figura como ele, é melhor estar longe da Pátria que em má hora o viu nascer. Afinal de que serve a este Portugal destroçado, um Iberistra convicto, ainda para mais, estalinista? Teria ficado bem por essas ilhas perdidas de Espanha, não fosse uma série de lacaios da cultura dominante “chorarem” por ele, por aqui por terras lusas, alimentando-lhe a sua profunda soberba.

Para além da sua obra escrita, de qualidade duvidosa e brilhantemente catapultada por apuradas técnicas comerciais que lhe conseguiram um Prémio Nobel da Literatura, (prémio com cada vez menos prestígio devido à carga política que contém), nada deixou em herança, para além de certamente muito dinheiro, o que é um contrasenso para um qualquer estalinista como ele. Mas a sua existência foi um perfeito logro. Foi uma existência desnecessária.

Saramago afastou-se da Pátria, e estou certo de que a Pátria, no seu todo mais puro, que não no folclore da "inteligentzia", não teve saudades dele. Foi uma bandeira da esquerda ortodoxa, e também da esquerda ambígua, essa do Primeiro-Ministro que nos desgoverna. Dessa mesma esquerda que decidiu usar o nosso dinheiro, para trazer em avião da Força Aérea Portuguesa, os seus restos inanimados para Portugal, a expensas de todos nós, e infamemente coberto com a Bandeira Nacional. Um Iberista, coberto com a Bandeira Nacional, que Saramago ofendeu vezes incontáveis, na essência da sua obra, e no veneno das suas declarações públicas. Era um relapso. Um indesejável.

Um homem que voluntariamente se afastou da sua Pátria, comentando-a de uma forma negativa no Estrangeiro, não é digno de nela entrar cadáver, coberto com a sua Bandeira. A bandeira de Saramago, era a do ódio, da arrogância, e da maldade praticada.

Mas os símbolos Nacionais estão hoje nas mãos de quem estão, e a representação das “vontades” Nacionais, está subordinada a quem está: à esquerda, tão sinistra como foi Saramago. Assim sendo, as homenagens que lhe fazem, incluindo os exagerados e ilegítimos dois dias de Luto Nacional, valem o que valem, e são apenas um acto de pura “camaradagem”, na verdadeira acepção da palavra. Quem nos desgoverna, pode cometer as maiores atrocidades, que ao povo profundo só resta pagar, e calar. Até ver.

Amanhã, Saramago mergulhará pela terceira vez nas chamas. A primeira, terá sido quando nasceu, e ao longo de toda a sua vida, retrato que foi de ódio e maldade pela sua imagem espelhados e espalhados; a segunda, terá sido quando o seu corpo ficou irremediavelmente inanimado, e estou certo de que entrou no Inferno, a confraternizar com o seu amigo Satanás; a terceira, amanhã, será quando o seu corpo inerte e sem alma, entrar para ser definitivamente destruído, no Crematório do Alto de S. João.

Será um maravilhoso e completo Auto de Fé. O Homem e a sua obra venenosa, serão queimados definitivamente nas chamas da terra, que nas da eternidade já o foram no dia em que morreu.

De Saramago recordaremos um homem que não sabia rir, que gostava certamente muito de dinheiro, e que o terá ganho, que era mau e vaidoso, e que o provou ao longo da sua vida, que quis viver longe da sua Pátria por a ela não saber ter amor, e que foi homenageado por meia dúzia de palhaços esquerdistas, “compagnons de route” coniventes com um dos últimos fósseis estalinistas, que ilustrava uma forma de estar na vida e na política sem alma, amoral, e que globalmente contribuiu para a destruição de toda uma Pátria, e suas tradições.

Ocorreu ontem, quando soube que este cavalheiro de triste figura tinha morrido, que estaria por certo  no inferno, sentado com Rosa Coutinho, também lá entrado há poucos dias, à espera de Mário Soares e Almeida Santos, para os quatro juntos jogarem uma animada e bem “quente” partida de sueca...

O País está mais limpo. Um dos maiores expoentes do ódio e da maldade, desapareceu da superfície da Terra. Espero que a Casa dos Bicos, um dia possa ter melhor função, do que albergar a memória de tão pérfida personagem. As suas letras, estou certo de que cairão no esquecimento, ao contrário das de Camões, Torga ou Pessoa, entre muitos outros.

Apesar de tudo, e porque sou Católico (e porque a raiva não é pecado), que Deus tenha compaixão de tão grande pobreza, mas que se lembre fundamentalmente de nós, de todos os Portugueses íntegros que tentamos sobreviver com dificuldade, neste Portugal governado pelos amigalhaços do extinto, que apesar do luto em que fingem estar, mas que na verdade não sabem viver, continuam a todo o custo a viver o enorme bacanal que arruina Portugal...

No fundo, no fundo, e porque as palavras as leva o vento, que Deus tenha piedade de tão grande pobreza! Cabe-nos perdoar. Mas não temos que esquecer!
 

António de Oliveira Martins - Lisboa, 19/06/2010. 

Nota: Saramago morreu no dia 18/06/2010. Seu corpo foi cremado no dia 20/06/2010. Era ateu.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SUNSHINE – O Despertar de um Século

NOTA DO EDITOR: Este filme mostra a realidade dos regimes nazista e comunista: ambos genocidas. O primeiro terminou com o fim da Segunda Guerra Mundial, mas o segundo, o comunismo, viceja entre nós, alimentado e divinizado pela massa de psicopatas traidores da pátria.


Título Original: Sunshine
Gênero: Drama
Atores: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, William Hurt, Rosemary Harris, Jennifer Ehle, Deborah Unger, James Frain, Molly Parker.
Diretor: István Szabó
País: Áustria, Canadá, Alemanha e Hungria.
Ano: 1999
Duração: 180 min.

Sinopse: O contemporâneo Ivan Sonnenschein, narra a saga de três gerações de sua família judia-húngara, de 1828 até os dias atuais misturando ficção com cenas de documentários históricos. O tataravô produzia um tônico revigorante cuja receita é um segredo de família, mas morre na explosão de seu laboratório. Emmanuel, filho dos dois camponeses judeus, donos da receita secreta, depois que o laboratório explode muda-se para Budapeste e se casa com Rose Sonnenschein, onde funda a rentável fábrica do tônico revigorante Sunshine que dá o nome ao filme. Deste casamento nascem dois filhos: Ignatz e Gustave. Rose adota sua sobrinha Valerie, a quem cria como filha. Seu filho mais velho, Ignatz, apaixona-se pela própria irmã adotiva (na realidade prima) e provoca sérias discussões em família, mas mesmo assim acaba se casando com ela. Na ânsia de subir na carreira de advogado, ele troca o sobrenome judeu por um sobrenome húngaro, Sors. Torna-se fiel defensor do império austro-húngaro e acaba tendo problemas com o irmão Gustave, um revolucionário comunista. Adam, filho de Ignatz, não liga para a política e ainda muito jovem, descobre seu talento para a esgrima e torna-se um atleta olímpico. Envolve-se em uma relação secreta com a esposa de seu irmão, István.

Com a proximidade da II Guerra, os irmãos se convertem ao catolicismo. Adam ganha medalha de ouro nas Olimpíadas, mas quando a Alemanha invade a Hungria, nem mesmo sua reputação de medalhista olímpico consegue evitar que seja cruelmente morto no campo de concentração na presença de seu filho Ivan. Ivan, revoltado com o fim trágico de seu pai, decide entrar para a política como uma forma de vingança. Ele se torna comunista na luta para derrotar o nazismo. Não é preciso dizer que se dá mal. Pessoalmente, também tem no amor a sua desgraça, e acaba sob o domínio de uma mulher, casada com um influente líder comunista do governo húngaro. As coisas só mudam quando o nosso narrador Ivan, tataraneto daqueles dois camponeses judeus, decepcionado com as promessas políticas dos comunistas de um mundo melhor, decide se arriscar, enfrentando o passado e tendo a coragem de descobrir algumas verdades sobre si mesmo.

Informações que auxiliam a compreensão do filme:

Monarquia Austro-húngara (1867 - 1918)

A Monarquia que uniu a Áustria e a Hungria foi criada em 1867, sob o comando do Imperador Franz Joseph, que governou até 1916. Durante esta época, apesar do voto ser público, menos de dez por cento da população adulta votava. Os partidos políticos só tinham representantes da classe média húngara cristã, de origem nobre.

Lentamente vários alemães de nacionalidade húngara, capitalistas e famílias judias latifundiárias receberam títulos de nobreza e os negócios da classe média começaram a se expandir, mas só em 1868 reconheceu-se a total igualdade dos cidadãos que falavam idiomas diferentes, como os judeus e alemães, garantindo-lhes seus direitos - como receberem educação em seu idioma de origem e professarem sua própria religião.

ÁRVORE GENEALÓGICA / PRIMEIRA GERAÇÃO

Emmanuel Sonnenschein 1828 - 1897 (David de Keyser)

Emmanuel é filho de dois camponeses judeus, donos da receita secreta do tônico revigorante Sunshine, que morrem quando o laboratório explode. Ele muda-se para Budapeste e se casa com Rose Sonnenschein (1838-1905 - Miriam Margolyes), onde funda a rentável fábrica Sunshine.
Rose é a mãe de Ignatz e Gustave. Ela também adota sua sobrinha Valerie, a quem cria como filha.

Ignatz Sonnenschein/Sors 1896-1930 (Ralph Fiennes)

Ignatz é o personagem desta era. Ele é o filho mais velho e preferido de Emmanuel e Rose, que troca de nome para se tornar juiz. Sua extrema fidelidade ao poder e à carreira sacodem o seu casamento, pois ele se rende ao círculo que governa o país. Já seu irmão Gustave é seu rival na política: um comunista militante e fervoroso.

Gustave Sonnenschein/Sors jovem 1872-1952 (James Frain)

Gustave, irmão mais novo de Ignatz, é uma figura impetuosa e revolucionária. Ele realmente acredita, como muitos de sua geração na Europa, que o comunismo criará um mundo melhor. É a tragédia de Gustave que atesta o fracasso desse sonho.

Valerie Sonnenschein/Sors jovem 1872-1962 (Jennifer Ehle)

A apaixonada Valerie Sonnenschein sobrevive às três gerações do filme; é o único membro da família que consegue se manter fiel ao que sente. O diretor define seu personagem como o 'herói silencioso do filme". Jennifer Ehle interpreta o papel de Valerie jovem, enquanto sua mãe, Rosemary Harris, vive a personagem na fase mais velha.

Primeira Guerra Mundial (1914-1919) e o Regime de Horthy (1920-1944)

Depois da derrota na Primeira Guerra Mundial, a Monarquia Austro-húngara entra em colapso e novos estados surgem em seu lugar. Em março de 1919, a República do Conselho Comunista assume o poder por apenas 133 dias. Depois de um ataque cristão avassalador, o governo comunista foge e é substituído pelo novo governo do Almirante Miklos Horthy (1920-1944).

Em 1920, um acordo de paz realizado pelos franceses, norte-americanos e ingleses, divide dois terços da Hungria entre seus países vizinhos. Porém, o Almirante Horthy não está disposto a abrir mão de seu país. Ele estabelece contatos com a Itália e a Alemanha, e com o crescente apoio destes países permite a introdução gradual de duras políticas sociais. Começam a surgir medidas anti-semitas que impedem que os judeus exerçam algumas profissões e que impedem casamentos mistos.

Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

A aliança entre a Hungria e Alemanha se estabeleceu antes da explosão da Segunda Guerra Mundial. O Almirante Horthy entra na guerra contra a União Soviética em 27 de junho de 1941 pensando que, com a Alemanha ao seu lado, conseguiria recuperar territórios perdidos para outros países, mas, junto com seus aliados, a Hungria sofre uma derrota esmagadora no início de 1943.

A Hungria se transforma num campo de batalha da guerra. O novo governo pratica atos de cortesia para com o Ocidente, mas esta política de jogo duplo fracassa e provoca a invasão da Hungria pela Alemanha em março de 1944. Depois do Almirante Horthy ter sido deportado para a Alemanha, o partido Arrow-Cross assume o poder, adotando um governo sangrento.

ÁRVORE GENEALÓGICA / SEGUNDA GERAÇÃO

Adam Sors 1902-1944 (Ralph Fiennes)

Filho mais novo de Ignatz e Valerie, é o esgrimista, que, para escapar dos nazistas converte-se ao catolicismo, ocasião em que conhece Hannah Sors 1906-1944 (Molly Parker) e se casa com ela. Apesar de ter ganhado a Medalha de Ouro na Olimpíada e ser alheio à política, Adam não consegue escapar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Adam Sors é a grande vítima desta era sendo cruelmente torturado e assassinado num campo de concentração na presença do seu filho. Seu filho, Ivan Sors promete vingá-lo.

István Sors 1900-1944 (Mark Strong)

É o irmão mais velho de Adam, um médico feliz, que desempenha um papel secundário diante dos talentos e desejos de seu irmão. Ele se casa com Greta Sors 1910-1944 (Rachel Weisz), a única da família que quer deixar a Hungria, pois enxerga que, com a dominação alemã eles deixarão de ser húngaros e passarão a ser apenas judeus.

Regime Soviético (1945-1989)

A ocupação da Hungria pelos alemães e o terror imposto pelo partido húngaro Arrow-Cross terminam no início de abril de 1945, mas são logo seguidos pela invasão soviética. O Partido Comunista ganha as eleições em 1947. A fusão do Partido Comunista Húngaro e o Partido Social democrata realiza-se em junho de 1948, sob o nome de Partido Trabalhista Húngaro, e todos os outros partidos desaparecem.

Revolução Anticomunista (1956) e o fim da ditadura 'branda'

Um levante público espontâneo, exigindo uma transformação democrática na política interna húngara, provoca a famosa Revolução Húngara de 1956. Em 23 de outubro de 1956, o povo húngaro e as forças armadas se enfrentam. Isto leva à sangrenta batalha de 4 de novembro, quando tanques soviéticos invadem as ruas de Budapeste e retomam o país. Apesar dos húngaros terem perdido a revolução, aqui começa o enfraquecimento do movimento comunista em escala mundial.

Depois da revolução o regime comunista na Hungria se tornou mais moderado. A Hungria era chamada de “o quartel mais alegre do acampamento socialista”. Um dos poucos países sob o jugo soviético cujo povo podia obter um passaporte para o Ocidente.

ÁRVORE GENEALÓGICA / TERCEIRA GERAÇÃO

Ivan Sors 1927 - até o presente (Ralph Fiennes)

Ivan (não confundir com seu tio, István) é o único filho de Adam e Hannah e é um dos poucos membros da família a sobreviver ao Holocausto. Ele sai da guerra obcecado em lutar pelo comunismo e vingar-se dos nazistas. Isto até conhecer os excessos totalitários do regime vermelho comandado pela Rússia. Num doloroso processo de seus crimes, Ivan participa da revolução anticomunista e torna-se um símbolo dos novos tempos. Finalmente, aprende a enfrentar o passado e buscar a liberdade que poucos membros de sua família tiveram. Ivan Sors é a personagem desta era e da seguinte, quando a democracia torna-se uma realidade.

Democracia (1989 - até hoje)

Em 1988, a Hungria conseguiu o que o povo aguardou por quase 50 anos, uma democracia multipartidarista de fato.

SOBRE O ELENCO

Ralph Fiennes interpreta três gerações de personagens - o avô Ignatz, o filho Adam e o neto Ivan.

Rosemary Harris faz o papel de Valerie na segunda e na terceira fase do filme.

Greta é a personagem de Rachel Weisz - a mulher apaixonada pelo irmão de seu marido, na segunda fase.

A Valerie da primeira fase do filme é o papel da atriz Jennifer Ehle. Filha de Rosemary Harris.
William Hurt interpreta o policial comunista Andor Knorr.

A esposa de Adam Sors, Hannah, é feita por Molly Parker.

Deborah Kara Unger faz o papel da Major Carole Kovacs.

Na primeira fase de Sunshine - O Despertar de Um Século, o papel de Gustave é de James Frain.
O Gustave da terceira fase do filme é interpretado por John Neville.

A matriarca da família, Rose Sonnenschein, é o papel de Miriam Margolyes na primeira fase do filme.

David de Keyser interpreta Emmanuel Sonnenschein que é o tataravô de todos.

O inglês Mark Strong interpreta István, o irmão de Adam Sors na segunda fase do filme.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ACORDA BRASIL CRISTÃO ! - Parte 1

"Estamos vendo a instauração dos pressupostos de uma futura ditadura". Eis o parecer do pe. Paulo Ricardo sobre o 3o Programa Nacional dos Direitos Humanos. "É necessário que nós cidadãos, e cristãos, não fiquemos indiferentes", alerta o clérigo, pois uma "minoria de ateus desavergonhados quer amordaçar a maioria cristã deste país". E conclama os cristãos brasileiros a se mobilizarem de forma mais firme e ativa contra as medidas totalitárias e abusivas do governo petista, profundamente anticristão em suas origens e diretrizes.

O Pe. Paulo Ricardo é, antes de mais nada, um raro.

Desde décadas em que a marxista "Teologia da Libertação" vem insidiosamente corrompendo a verdadeira mensagem cristã e que a CNBB -- um grupo de comunistas camuflados em batinas -- se manifesta como se fosse a Voz da Igreja, tem sido incomum assistir sacerdotes -- de qualquer credo, aliás -- se manifestarem de forma tão clara, incisiva e corajosa contra a crescente dominância comunista sobre nosso país.

Lúcido, singularmente inteligente, não hesita em peitar a hegemonia corrupta, assumindo valentemente seu sagrado ministério de Pastor de Almas.

Esta sua homilia é uma preciosidade: desfrute-a.

Que Deus o proteja e multiplique seu exemplo.

Assista. Vale a pena ouvir, todos os cristãos, não somente os católicos.




Continua na Parte 2:

ACORDA BRASIL CRISTÃO ! - Parte 2

Continuação da Parte 1:


Continua na Parte 3

ACORDA BRASIL CRISTÃO ! Parte 3

Terceira e última parte.


Créditos: Padre Paulo Ricardo e João Paulo R. Naegele

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

IDEAIS TRAÍDOS

Autor: Sylvio Frota
Editora: Jorge Zahar
Assunto: História do Brasil
Edição: 1ª
Ano: 2006
Páginas: 662

Sinopse: Nesse inédito documento histórico, o leitor tem uma rara visão dos bastidores do período militar no Brasil (1964-1985). Frota faz uma análise minuciosa da história e, ao acusar os que em seu entender haviam traído os ideais do Movimento de 64, torna esse livro um depoimento detalhado e único sobre o tema.

A obra, lançada agora por iniciativa de seu filho – já que o autor, até sua morte, em 1996, não quis divulgar o texto –, mostra detalhes ainda desconhecidos sobre a cúpula militar brasileira.

SYLVIO FROTA foi ministro do Exército entre 1974 e 1977, período em que o presidente Ernesto Geisel iniciou o processo de abertura. Contrário a essa política e apoiado por militares e políticos da “linha dura” que o queriam candidato à sucessão, Frota distanciou-se cada vez mais do presidente, a quem via como ideologicamente de esquerda. O desfecho foi sua demissão por Geisel em 12 de outubro de 1977.

Afastado da vida pública, o ex-ministro dedicou-se, nos anos seguintes, a escrever sua versão dos fatos. Ideais traídos publicado 28 anos depois do início de sua redação.
Comentários: Este livro é muito mais do que o registro de fatos passados. Ele é um prognóstico do futuro do país e, se lido com o espírito desarmado, ajuda a compreender o sucesso que as esquerdas marxistas, socialistas, comunistas e revolucionárias vêm obtendo na implantação de um regime socialista totalitário sem que surja uma única reação contra esse câncer que destrói nações, diviniza a nomenclatura e se locupleta do suor e do sangue daqueles que ainda produzem nesta nação de parasitas governados por uma matula.
Para entender como os ideais da revolução foram traídos, segue-se um breve trecho da obra:
“A esta altura dos acontecimentos, já se delineavam no seio da Revolução três grupos militares, de tendências e aspirações diferentes: o grupo castelista, de inclinações liberais centro-esquerdistas, em que se destacavam os generais Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel e Golbery, homens ligados à Escola Superior de Guerra, onde iam buscar as bases de suas atividades; o nacionalista, de fortes tinturas socialistas com Afonso de Albuquerque Lima, Euler Bentes Monteiro e outros generais, dispondo, segundo se dizia, da valiosa simpatia de Juarez Távora; e finalmente o grupo ortodoxo, conservador sem ser imobilista, fiel às teses do Movimento de 1964 e que tinha na sua liderança a figura dominante de Costa e Silva.
Sobre as falsas acusações de tortura e a indiferença dos acusados:

"Um jovem casal, preso numa reunião de subversivos, foi tratado costumeiramente com todo o respeito, entretanto, o marido, ao prestar depoimento na Auditoria Militar, afirmou, cinicamente, que suas declarações anteriores tinham sido obtidas sob tortura. Indignado, interpelei-o, ao correr de uma habitual visita, instando para que dissesse quando e onde tinha sido torturado e quem praticara a tortura. Baixou a cabeça e, num assomo de dignidade, respondeu, textualmente:
- Cumpri ordens do Partido!
Nós militares compreendiámos o propósito de desmoralizar os órgãos de segurança, neutralizando-os para posteriormente extingui-los.
O que nos surpreendia era a indiferença governamental, porquanto a técnica subversiva nem a marca da originalidade possuía. Reproduzia-se fielmente, aqui, o que acontecera em outros países." 

Portanto, a leitura desta obra é importantíssima para a compreensão, repito, do que sucede na situação política atual onde presenciamos uma relação de subserviência, quase incestuosa entre o socialismo e os comandos militares. Estamos órfãos. A ideologia marxista penetrou na caserna e campeia entre os militares, assim como faz na Igreja Católica brasileira e outras Instituições. Venceu Gramsci, não pelas armas, mas pela hegemonia do senso comum modificado. (AOliynik).
O general Santa Rosa e a Argentina
Graça Salgueiro

Recebi no dia 02 de fevereiro, de um amigo militar, cópia da nota escrita pelo general Maynard Marques de Santa Rosa que acabou causando sua exoneração do cargo de Chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército. Quando a li me assombrei, não porque estivesse em desacordo com o conteúdo, mas pela coragem e destemor em dizer aquilo que muitos dentro das Forças Armadas pensam, mas poucos se atrevem a ser tão verdadeiros.

Uma semana depois e o alvoroço já tomava conta de jornais, sites e grupos de debates na internet. O general fora exonerado de seu cargo, sob esbravejamento histérico do ministro da Defesa, Nelson Jobim, aquele que usa uniforme militar sem nunca ter sido sequer soldado raso. Não foi surpresa, tendo em vista que, como comunista politiqueiro e fraudador da Constituição, este senhor sempre agiu de forma dúbia tal qual o morcego que morde e sopra. Fingiu defender os militares, quando foi publicado o Plano Nacional de Direitos Humanos III (PNDH III), porque no documento excluía-se os mesmos do benefício da lei de Anistia. Com seu papel bem ensaiado numa ópera bufa, pôs seu cargo à disposição sendo – naquela ocasião – aplaudido pelos militares e garantindo, com o gesto hipócrita, amealhar votos à sua futura candidatura, que ainda não se sabe bem para qual cargo.

Então leio no jornal O Globo do dia 10.02, uma declaração do ministro Jobim acerca do que se passou. Diz ele: “Acabei de enviar ao presidente da República a exoneração do general Santa Rosa da chefia do Departamento-Geral do Pessoal. Pela manhã, conversei com o comandante do Exército, general Enzo (Martins Peri), e pedi a ele providências imediatas tendo em vista as notícias que haviam circulado. Ele confirmou a notícia e disse que sugeria a exoneração, o que já foi enviado agora para o presidente”.

Este fato me remeteu a outro bem mais antigo contra o general Sylvio Frota, Ministro do Exército do governo Ernesto Geisel, também vergonhosamente traído por seus pares por ser anti-comunista ferrenho e convicto de suas funções como militar. O caso está bem documentado no livro de sua autoria, intitulado “Ideais Traídos”, cuja leitura neste momento vale a pena. Esta era a hora de o general Enzo, como comandante do Exército, apoiar o general Santa Rosa porque o que ele disse expressa fidedignamente tudo o que pensam os verdadeiros militares da ativa e da reserva, ademais de civis patriotas que prezam a verdade e abominam o comunismo. Mas a tibieza e covardia do general Enzo se manifestam há tempo, sempre cedendo aos caprichos lulo-petistas, quando, por exemplo, deixou entregue à própria sorte o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra no processo que querem, a ferro e fogo, rotulá-lo como torturador, mesmo que para isto se utilizem testemunhas e testemunhos falsos.

Omitiu-se e escondeu-se quando do lançamento do PNDH III, que aviltava não só os direitos e a honra dos militares que combateram contra o terrorismo dos anos 60, como acobertava uma mentira e seus criminosos autores. “Acompanhou” o pedido de demissão do comunista e demagogo Jobim porque não lhe restavam muitas opções, e agora concluiu seu trabalho de lacaio pedindo a exoneração de um brilhante militar que só disse a verdade, nada mais que a verdade. Entretanto, o general Santa Rosa não está só, porque ouviu-se o brado de indignação por tamanha ignomínia de todos os cantos do país, tanto de militares como de civis que sabem distinguir a verdade da mentira, aos quais me somo.

E o que tem a ver a Argentina com o general Santa Rosa? Desde 2004, tento alertar os militares de que estava sendo urdido pelo Foro de São Paulo um plano para destruir as Forças Armadas do continente, e apontei o que vinha ocorrendo na Argentina governada então pelo “ex” montonero Néstor Kirchner. Em sua gestão, a primeira providência tomada para destruir os militares foi desvinculá-los da Lei de Anistia – exatamente como quer o fraudulento PNDH III -, sobretudo nos capítulos “obediência devida” e “ponto final”, que salvaguardava as ações cometidas contra terroristas em estrito cumprimento do dever de defender a Pátria.

A ministra da Defesa argentina, nomeada por Kirchner e que permanece até hoje no governo de sua esposa Cristina, é uma “ex” montonera, Nilda Garré, uma espécie de Dilma Rousseff portenha. Por ordem desta senhora, foram abertos processos contra todos os militares vivos que combateram nos anos 70-80, dos quais 600 foram julgados e condenados a penas longuíssimas e até prisão perpétua. A maioria septuagenária e octogenária está encarcerada no meio de presos comuns que, instigados por “defensores de direitos humanos” que visitam os presídios, são espancados e insultados continuamente. Desses 600 militares, 80 já morreram na prisão por falta de atendimento médico, maus tratos e envenenamento.

O mesmo está ocorrendo no Uruguai, e no Chile as coisas não tomaram o mesmo rumo porque os militares se rebelaram e deram um basta, apesar de haver alguns deles presos. No livro “El Foro de Sao Paulo contra las Fuerzas Armadas”, escrito por militares de vários países da região, que pode ser descarregado neste link, estão as explicações para tudo isto que estamos vendo ocorrer no Brasil hoje. Nesta vergonha e covardia não estamos sós. Entretanto, eu pergunto: até quando vamos esperar? Até vermos esta escória da humanidade encarcerar todos os nossos bravos soldados até não haver mais nenhum para defender a Pátria, e o Brasil se tornar uma Cuba continental como tanto sonha o insepulto morto-vivo Fidel Castro?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MST no Pará

EXCEPCIONALMENTE !
O vídeo abaixo mostra a verdadeira identidade do MST e o papel exercido no processo revolucionário marxista levado a efeito no Brasil.
É esse país que você deseja para seus filhos?
O Editor.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O DIÁRIO DA FELICIDADE

Título original: Jurnalul fericirii
Autor: Nicolae Steinhardt
Tradução: Elpídio Mario Dantas Fonseca
Editora: É Realizações
Assunto: Biografias, Diários, Memórias e Correspondências
Edição: 1ª
Ano: 2009
Páginas: 544




Sinopse: O Diário da Felicidade, do monge ortodoxo romeno Nicolae Steinhardt (1912-1989), obra-prima da literatura romena, vinda a público em 1991, reúne em si tantos gêneros literários, que só a humildade do autor, aliada à sua profunda argúcia, poderia chamá-lo diário, e mais ainda da felicidade.
Momento central do livro é a conversão de Steinhardt, judeu de nascimento, ao cristianismo ortodoxo, através do batismo, realizado numa cela fétida e nas condições mais precárias das muitas prisões com grades e de consciência que o regime comunista, totalitário e sangrento, impõe a todos os que com ele não concordam.


Desse momento central, em flashes que vão ora para o futuro, ora para o passado, o autor faz retratos psicológicos de pessoas, interpreta passagens bíblicas, analisa trechos famosos da literatura ocidental, passa em revista as condições para ser cristão, concluindo que a principal delas é a coragem, mostra os estragos físicos e morais que o comunismo cometeu, e, em resumo, prova que o indivíduo, entregando-se a Nosso Senhor Jesus Cristo, é capaz de transcender o tempo e o sofrimento, chamando de felizes, interiormente, os momentos mais cruéis a que foi submetido em sua vida.

“Entrei cego na prisão (com vagos fulgores de luz, não acerca da realidade, mas interiores, fulgores autógenos de trevas, que fendem a escuridão sem dispersá-la) e saio com os olhos abertos; entrei mimado, luxento, saio curado de caprichos, afetações, presunções; entrei insatisfeito, saio conhecendo a felicidade; entrei nervoso, impaciente, ultra-sensível a bobagens, saio sereno; o sol e a vida diziam-me pouco, agora sei apreciar o menor pedacinho de pão; saio admirando mais do que tudo a coragem, a dignidade, a honra, o heroísmo; saio reconciliado: com aqueles com quem errei, com os meus amigos e inimigos, e, ora!: comigo mesmo.”

Nicolae Steinhardt

Comentários de Antonio Gonçalves Filho e Felipe Cherubin

O Diário da Felicidade, primeiro livro do monge ortodoxo romeno Nicolae Steinhardt publicado no Brasil, chega às livrarias para apresentar ao leitor um autor praticamente desconhecido. Steinhardt, no entanto, foi um dos pensadores mais intrigantes da cultura romena no século 20. Nascido em Bucareste, no seio de uma família judia, teve formação jurídica e logo se tornou crítico literário, manifestando profunda erudição. Steinhardt publicou pouco em vida. São textos que se resumem a análises literárias - com exceção de O Diário, sua obra-prima -, legado de uma vida que testemunhou o lado mais sombrio da cultura e da política romena.Em 1960, Steinhardt, interrogado pela Securitate, polícia ideológica do regime comunista romeno, recusou-se a colaborar como testemunha de acusação no processo movido contra um grupo de intelectuais, entre eles seu melhor amigo, o filósofo Constantin Noica.A sua recusa lhe custou a pena de 12 anos de trabalhos forçados, dos quais cumpriu 4. Convertido ao cristianismo na prisão, ele foi libertado em 1964, retirando-se para a vida no mosteiro.

O Diário da Felicidade foi traduzido por Elpídio Mário Dantas Fonseca, estudioso da obra de Steinhardt. A seguir, o tradutor fala, em entrevista exclusiva concedida ao Estado, sobre o livro.

Certas passagens do livro marcam uma mudança formal na linguagem de Steinhardt, considerando que num dos primeiros livros, À Maneira...de Cioran, Noica, Eliade, ele emulava o estilo de outros autores. Steinhardt buscava deliberadamente essa imitação ou um caminho próprio? Qual a sua conclusão sobre a sua construção estilística?

A construção estilística dele revela um autor com o completo domínio da língua. Então, propositadamente, procurei manter o nível elevado onde era elevado e o nível vulgar onde era vulgar. Algumas vezes ele emprega palavrões, expressões cruas, estão assim no romeno. Minha ideia foi a de manter em português a mesma construção original.

É difícil entender o enredo da obra e da vida de Steinhardt sem o conhecimento prévio de sua relação com Constantin Noica, amizade, aliás, que o levou à prisão. Que tipo de envolvimento ele teve com o filósofo?

Steinhardt e Noica foram alunos do filósofo romeno Nae Ionescu, além de terem feito parte de uma geração de grandes intelectuais - Emil Cioran, Eugène Ionesco e Mircea Eliade. Eles tinham uma grande amizade e o próprio Steinhardt considerava Noica um segundo pai, que o fez nascer de novo, apontando o mosteiro onde passou seus últimos anos. O crítico Virgil Bulat, aliás, considerava suas obras filosóficas complementares. A vida de Steinhardt está intimamente ligada à de Noica, um dos muitos intelectuais romenos que confrontaram o regime instalado em seu país e passaram a ser perseguidos, tendo obras censuradas. O simples fato de se falar mal do regime em reuniões levou o governo a infiltrar nelas espiões e controlar o movimento dessas pessoas. Isso provocou a prisão de 22 intelectuais em 1958, entre eles Noica. O último a ser encarcerado foi Steinhardt, de quem exigiram que fosse testemunha de acusação do grupo, mas, a despeito de ter sido traído por todos os amigos, não traiu ninguém.

O título do livro de Steinhardt é curioso. Por que O Diário da Felicidade? O que era a felicidade para Steinhardt? Como lidar com esse paradoxo da noção de felicidade num período de quase meio século de memórias marcado por fatos sombrios?

A felicidade para Steinhardt está fora do tempo, independente do ambiente circundante. Ele a encontra nas piores situações. Ela está fundamentalmente associada à conversão ao cristianismo. Steinhardt diz que são os anos mais felizes da vida dele, pois foi a prisão que o levou ao cristianismo, do qual vinha se aproximando havia muito tempo. Mas foi a possibilidade de morrer sem ser batizado que o levou à conversão.

O Diário da Felicidade recorre a um estilo literário confessional, em que a preservação da memória e a sinceridade são eixos que desenrolam a narrativa da biografia de Steinhardt. A que tradição ele estaria filiado?

Ele está numa linha direta com Santo Agostinho, isto é, a confissão cristã do abrir-se totalmente diante Daquele que tudo sabe para que possamos saber ainda mais acerca de nós mesmos.

É possível classificar O Diário como um testamento político, uma resposta contra o fenômeno do totalitarismo?

Sim. Steinhardt se concentrou em problemas que Constantin Noica, por exemplo, acreditava serem menores. Noica teve uma preocupação de resgatar o passado e dirigir-se ao futuro em suas aulas de filosofia, afastando-se de um mundo que o repelia, ao passo que Steinhardt não. Ele dá o testemunho diante das condições mais desfavoráveis, põe em prática aquilo que aprende da filosofia e da religião. Então, as palavras dele são cheias de sentido. Tudo o que ele diz nesse livro foi vivido, não foi da boca para fora.

Levando em conta o grande número de citações de filósofos e escritores existencialistas, em que medida o cristianismo de Steinhardt foi marcado pela leitura de Sartre ou Camus?

O que eu posso dizer, de forma geral, não só em relação ao existencialismo, mas a respeito de uma série de outras teorias e confissões religiosas do livro, é que o cristianismo, como mostrado por Steinhardt, é o verdadeiro cristianismo e não a caricatura com que estamos acostumados a ver. Ele analisa, apanha o que importa e rejeita o que não interessa.

Mas, como cristão, Steinhardt cita uma série de autores que poderiam, de certo modo, serem entendidos como seus antípodas, entre eles Jean Genet. Por que Steinhardt, curiosamente, se concentra em autores fora da tradição cristã?

Em relação a outras personagens que Steinhardt cita em O Diário da Felicidade, ele busca aquilo que em determinado momento expressa o comportamento cristão. Na verdade, o cristianismo abrange tudo isso - abrange e supera - então, não é simplesmente pelo fato de alguém ser anticristão que tudo aquilo o que ele diz será 100 % errado. É exatamente aquilo de colher o que importa. Essas pessoas não ficaram cegas para tudo. É o próprio divino que fala com cada um de nós. É isso que Steinhardt identifica nessas pessoas.

Steinhardt, ao longo de sua vida, esteve diante de pelo menos duas grandes ameaças: primeiro, o antissemitismo por causa de sua origem e o comunismo romeno. Como isso o afetou?

Em relação ao antissemitismo, Steinhardt, ao entrar no mosteiro, escreve uma pequena autobiografia na qual diz que não sentiu de perto esse preconceito já que o pai, engenheiro e herói da 1ª Guerra, era o que se chamava de judeu de segunda classe - havia separações nessa época, sendo os judeus de primeira classe os grandes industriais, e os de segunda classe, profissionais liberais. Então, ele não sentiu o antissemitismo, ainda mais pela proximidade da família dele com cristãos ortodoxos - na verdade, ele passou a sentir que era repelido pela comunidade judaica após sua conversão ao cristianismo. No caso do comunismo romeno e do totalitarismo em geral, ele tem um livro em que mostra quando começam os sinais da corrupção do Direito. Steinhardt identifica isso no fim do século 19, na Sorbonne, produzindo um livro para repudiar essas novas tendências do Direito à luz do Direito Constitucional tradicional.

Em que linha filosófica você colocaria o trabalho de Steinhardt?

Numa linha direta socrática com um ponto alto em Santo Agostinho, no sentido de ser um pensador que retoma a filosofia e passa a vivê-la, colocando em choque concepções que antes eram tidas como certas, ou seja, a filosofia tomada a partir da vivência real e concreta - aquela que está em busca da sabedoria.

Embora Steinhardt seja um monge, ele tem uma forte ligação com a modernidade, apresentando em seus textos considerações sobre ciência e tecnologia. Como ele se relaciona com elas?

Esse é um lado que foi esquecido por alguns cristãos hoje em dia, do papel do cristianismo na formação do Ocidente, e especificamente a Igreja Católica, que perdeu a hegemonia cultural na modernidade. Eles deixaram de estar a par daquilo que acontecia, de serem sacerdotes, não só do ponto de vista ritual, mas também intelectual. A tecnologia e as ciências nunca podem ser contrárias à realidade, elas partem do pressuposto do real. É a abertura do pensamento de Steinhardt à realidade, própria do cristianismo, que foi perdida.


O Autor:


Nicolae Steinhardt nasce em Bucareste, em 29 de julho de 1912. Estreia pública muito precoce na revista do Liceu Spiru Haret. Forma-se em 1929 e frequenta o cenáculo “Sburãtorul”, e em 1932 licencia-se em direito. Em 1934 começa a colaborar na Revista burgheza e publica sob o pseudônimo de Antisthius o volume paródico în genul...tinerilor [À maneira... dos jovens]. Doutora-se em direito em 1936. Em 1935 e 1937 publica, juntamente com Emanuel Neuman, os estudos Essai sur une conception catholique du Judaisme [Ensaio sobre uma concepção católica do judaísmo] (Bucareste), e Illusions et réalités juives [Ilusões e realidades judaicas].

Colabora com a Libertatea e com a Revista Fundaţiilor Regale. Depois da Guerra, publica, por um período curto, em Universul literar, Victoria Tribuna poporului e, de novo, na Revista Fundaţiilor Regale. Recusa-se a colaborar com o novo regime. Em 1960 é interrogado, depois condenado no “lote Noica-Pillat” a 12 anos de trabalhos forçados. Passa pelas prisões de Jilava (onde é batizado pelo padre Mina Dobzeu), Gherla e Aiud. Libertado em agosto de 1964, voltará depois de alguns anos ao mundo literário por meio de traduções, medalhões, crônicas etc. Em 1972 termina a primeira versão de sua obra–prima, O diário da felicidade. Publica volumes de ensaios e críticas muito bem recebidos, embora alguns sejam fortemente censurados.
Monge desde 1980, permanece ativo no terreno ensaístico e crítico.

Morre em 30 de março de 1989.