"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A CIDADE PERDIDA

Este filme desnuda o que foi a revolução comunista em Cuba levada a efeito por um psicopata: Fidel Castro e seus sequazes assassinos.

Nesta cena a cunhada de Andy Garcia, expatriado e residindo em  Nova Iorque, tenta convencê-lo a retornar a Cuba com o argumento de que ele não poderia viver sem pátria. Em resposta Andy Garcia simplesmente diz o seguinte: "Sem pátria, porém sem dono". Só esta cena onde a frase é dita, já vale pelo filme, mas há muitas outras onde não há como não se emocionar. O filme é magnífico, indizível. Não deixe de assisti-lo. Também imperdível para quem deseja se vacinar contra o comunismo!
 

Título original: The Lost City
Gênero: Drama
Atores: Andy Garcia, Dustin Hoffman, Bill Murray, Ines Sastre, Lorena Feijóo, Tomas Milian, Elizabeth Peña, Millie Perkins, Enrique Marciano Jr. e Nestor Carbonell.
Diretor: Andy Garcia.
País de Produção: Estados Unidos.
Ano de Produção: 2005
Duração: 144 min.

Sinopse: Havana, Cuba, anos 50, o dono de um clube é pego em uma turbulenta transição do regime de Fulgêncio Batista para o governo marxista de Fidel Castro. O regime de Fidel libera o dono do clube que, após ter a família destruída, acaba fugindo para Nova York, deixando para trás toda uma vida.
Hollywood poderia produzir qualquer coisa: exceto um filme sensível e honesto sobre os absurdos da ditadura cubana de Fidel Castro. Andy Garcia foi à luta, levantou a produção por conta própria e nos presenteou com um tocante drama de época, embalado por irresistível trilha musical com o melhor da música cubana.
 
Temas: Cuba, valores familiares, história, luta de classes, revolução, comunismo.
 
Comentários de Ipojuca Pontes:
A Cidade Perdida – uma ode a Cuba Libre
por Ipojuca Pontes Cultura.

Resumo: O belo filme de Andy Garcia sobre a Havana dos anos de ouro se defronta com uma tirania tão nefasta quanto a de Fidel Castro: o bloqueio esquerdista que domina festivais de cinema, assunta distribuidores de filme e guia os velhos agentes a serviço do pensamento único socialista, os críticos de cinema.

© 2006 MidiaSemMascara.org

A Cidade Perdida (Lost City, EUA, 2005), de Andy García, em exibição em poucos cinemas no Brasil, além de filme vigoroso, é uma ode (composição poética de caráter lírico) à Havana dos anos dourados, mas nem por isso menos verdadeiro e contundente. Garcia, “o maior talento do cinema latino desde Rodolfo Valentino” (no dizer do lendário Anthony Quinn), fez um filme admirável, tão importante para divulgar os horrores da revolução cubana de Fidel Castro e o “Che” Guevara como, por exemplo, o romance O Senhor Presidente, de Miguel Ángel Asturias, ao denunciar a ditadura de Estrada Cabrera, na Guatemala do início do século 20 (até mesmo, diga-se de passagem, no tom romanesco).

Pelo que se sabe, para realizar A Cidade Perdida o diretor (que nasceu em Cuba) levou 16 anos com o roteiro (feito em parceria com Cabrera Infante, outra vítima de Fidel) debaixo do braço, procurando financiamento numa Hollywood “politicamente correta”, entregue aos caprichos de cubanófilos decadentes (mas poderosos) como Roberto Redford e similares.

Com o filme pronto, García agora se defronta com um outro tipo de ditadura, tão nefasta quanto a tirania de Castro, isto é: a tirania dos festivais cinematográficos, inteiramente dominados pela comunalha; a tirania dos distribuidores acovardados, que a consideram uma “fita especial e de risco”; e dos críticos de cinema, uma corriola em geral ignorante, bloqueada ideologicamente e a serviço do pensamento único esquerdizante.

É pena, pois A Cidade Perdida emociona e faz pensar. É evidente que não pretende “desconstruir” nem “minimalizar” coisa alguma. Antes, procura se articular no legado da estética aristotélica, aberta aos sentimentos e ao entendimento do grande público, como deve ser o cinema de massa. Os modelos perseguidos, pelo que se diz, foram Casablanca e Dr. Jivago, dois exemplares clássicos aos quais o ajuste de contas de García, feito em 35 dias e com custo em torno de 9,5 milhões de dólares, nada fica a dever. (Mas que, no futuro, quando a onda da intolerância comunizante for apenas registro ou matéria de memória, A Cidade Perdida poderá ficar como o primeiro filme de ficção a abordar de forma convincente as ditaduras sangrentas de Fulgêncio Batista y Zaldivar e Fidel Castro Ruz, El Caballo - ora em transe).

A trama do filme gira em torno do fulminante aniquilamento da família Fellove – o patriarca Federico (Thomas Millian), professor universitário que se nutre em Sêneca e acredita na democracia; a matriarca D. Cecilia; o tio Donoso, gourmet plantador de fumo (o eficiente Richard Bradford), os filhos Luis (Nestor Carbonell), Ricardo (Enrique Murciano) e Fico (Andy Garcia, em belo desempenho), proprietário do cabaré “El Tropico” (réplica do Tropicana), o empresário da família, visto que os outros irmãos são ou estão em vias de se engajar no Diretório Revolucionário (núcleo subversivo da classe média urbana) e na guerrilha de Castro, em Sierra Maestra, ambos obstinados no combate à ditadura do ex-sargento telegrafista Fulgêncio Batista (Juan Fernandez, em sólida composição) – curiosamente levado ao poder, em 1940 e 1953, com o apoio do pragmático (e vil) PC cubano.

Inês Sastre e Andy Garcia

Não menos importante, ainda que enigmática, é a figura feminina de Aurora Fellove (Inês Sastre, beleza latina), esposa de Luis (assassinado pela polícia de Batista), a dividir os sentimentos de Fico, e a do Escritor (Bill Murray), recriação do Bobo do Rei Lear, de Shakespeare, cuja função no entrecho narrativo é a destruição verbal de um mundo que se desmorona.

Falei acima no aniquilamento da família Fellove mas o aniquilamento, em termos reais ou simbólicos, é da própria Cuba, dividida politicamente e depois destruída por uma ditadura que se faz mais violenta, corrupta e desumana do que a do sargento Batista, ao eliminar os mínimos vestígios de liberdade, seja individual ou coletiva. A especialíssima Havana, conhecida nos anos 40 como a “Paris do Caribe”, passa a ser a masmorra infecta do Comandante Castro, um tirano egocêntrico e sem limites.

Se mais não fosse, ou fizesse, o filme de Garcia apresenta no mínimo dez cenas fortes, comoventes e bem executadas, entre elas, a do assalto ao Palácio presidencial de Havana pelos estudantes membros do Diretório Revolucionário, fato em que, numa manhã de março de 1957, após uma hora de combate nos corredores e jardins, foram contados 25 mortos; a do suicídio de Ricardo, o guerrilheiro arrependido; a da despedida de Fico diante dos pais arruinados; a da “expropriação”, pelos chacais do regime, no aeroporto José Marti, dos objetos de estimação dos cubanos que deixam a ilha; a do confronto de Fico com a camarilha revolucionária erguendo um brinde a Cuba Livre diante do debochado embaixador Soviético; e, muito em particular, a cena em que o “Che” Guevara (Jsu Garcia, perfeito) informa, na triste prisão de La Cabana, onde reinou absoluto durante seis meses, que eliminou mais um dos 55 prisioneiros, muitos dos quais ele próprio acionando o gatilho, pois sua legenda de psicopata fanático, para quem “os fins justificam os meios”, era: “em caso de dúvida, atire” (“Che Guevara”, Eric Luther, Alpha Books, EUA, 2001).

Como mencionei acima, a contundência do ajuste de contas não supera na obra o doce encanto da ode à Havana que Garcia constrói, especialmente quando recria o universo musical da cidade com seus clubes, cabarés, cantores e dançarinos fascinantes, plenos de vitalidade, onde prevaleciam as figuras de Ernesto Lecuona e Domase Perez Prado, autores, por exemplo, de composições como “Siboney”, “Para Vigo me voy” e “Patrícia” – definitivas e definidores de uma época e de um esplendor. Neste terreno, a sensibilidade de Garcia só acrescenta beleza, ainda que nostálgica, ao clima de uma cidade mítica destruída pelo castro-comunismo.

Vejam o filme, antes que desapareçam todos os dvd´s.

Ipojuca Pontes é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.

Um comentário:

Cibele Oliynik disse...

Este é o meu pai.Lindo o filme.