"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

domingo, 1 de setembro de 2013

REFLEXÕES SOBRE A REVOLUÇÃO EM FRANÇA

Título original: Reflections on the revolution in France
Autor: Edmund Burke (1729-1797)
Tradução: Renato de Assumpção Faria
Editora: UNB
Assunto: História geral
Livro em português
2ª Edição - 1997 – 239 pág.


As Reflexões sobre a revolução em França foram escritas na primeira metade de 1790 e publicadas em novembro do mesmo ano, marcaram o ponto de partida de grande debate sobre a Revolução Francesa. Trata-se de uma obra de capital importância, já que é uma análise da Revolução contemporânea a ela, e, portanto, de inestimável valor histórico.
Partindo de uma crítica ao novo regime francês, Burke passa a considerar o sistema britânico e a defendê-lo de seus detratores, que desejam implantar na Inglaterra o sistema político do Continente.

As duas grandes preocupações do livro são, por um lado, a confrontação que Burke vê desenhar-se na França de 1789-90 entre o Estado de Direito e a lógica democrática da vontade popular e, por outro, o divórcio entre a classe política e os valores morais do Cristianismo. No primeiro caso, pode dizer-se que o autor diagnostica a grande contradição interna da Revolução Francesa, a qual, na teoria, consagra os direitos da liberdade individual, mas, na prática e nas idéias de seus líderes, cria de fato condições para esta ser afogada à nascença. Isto porque, nas preocupações dos revolucionários, a democracia (ou o governo da vontade popular) acabou por se sobrepor ao liberalismo e à sua exigência de governo da lei; triunfou afinal um “governo comunitário” em que a vontade dos muitos ou dos mais se torna lei e não uma nova legalidade que garantisse a inviolabilidade da vida privada de cada indivíduo e a limitação das ações do Poder. E haviam sido precisamente estas garantias legais e liberais que a Gloriosa Revolução inglesa de 1688 e o seu Bill of Rights estabeleceram do outro lado do canal da Mancha, forçando o poder político inglês (também uma monarquia) a circular nos carris da legalidade e a não descarrilar para a tirania e o voluntarismo.
Em França o que acontecia não era a passagem pura e simples de uma monarquia para uma democracia, mas a passagem para o caráter absoluto do Poder. Burke observou, com razão, que o que importava não era acabar com o poder arbitrário de um rei para substituí-lo pelo poder arbitrário da maioria ou dos seus representantes, mas garantir que governantes e governados estivessem sujeitos a regras legais universais – por isso Burke apoiou a “Revolução” americana, perfeitamente liberal, legalista e só depois democrata e condenou a Revolução Francesa, furiosamente democrata, imperfeitamente liberal e não legalista. Viu ele ainda na destruição sistemática de todas as instituições antigas da França a criação de uma situação ainda mais perigosa para a liberdade do que a existente antes de 1789 porque, mesmo que imperfeitas e cheias de abusos, elas mantinham entre si um equilíbrio de poder essencial para a paz civil; mas o vazio então criado, alertava Burke, ia pôr a França à mercê de todos os aventureirismos sangrentos que se pudessem imaginar; daí que ele previsse logo em 1790, muito antes disso acontecer, o descambar da Revolução na anarquia e depois na ditadura (com os jacobinos e Napoleão). E não deixou também de prever que dificilmente a França se recomporia desse vazio de leis e instituições, o que hoje, à distância de dois séculos, é confirmado pela sua evolução política até aos nossos dias, com todos os seus golpes e contragolpes, regimes e constituições, contrastando com a vida política pacífica e deslizante da América e do Reino Unido.
A outra preocupação das Reflexões era o anticristianismo dos setores mais radicais da Revolução. Aliás, a bem da verdade, não havia setores menos radicais na Revolução Francesa, ela foi de uma radicalidade e irracionalidade total e absoluta. Burke não era partidário de grandes intimidades entre o Estado e a Igreja e, muito menos, de qualquer fundamentação religiosa do Poder (o que ele sabia ser contrário ao próprio Cristianismo); o que ele temia era que o Estado e os governantes se tornassem maquiavélicos, isto é, que perdessem o sentido moral inspirado pela piedade e humildade cristãs e maximizassem sem limites os interesses da política, até ao ponto de nada nem ninguém ser suficientemente sagrado para escapar às paixões e às vontades temporais. Assim, tão fundamentais eram as garantias legais da liberdade individual como o caráter sagrado que o Cristianismo confere à pessoa humana, pelo que Burke não chegava a dissociar as garantias temporais do liberalismo das garantias espirituais do Cristianismo.

A Revolução Francesa não derruba um Trono, ela derruba um Todo e a personagem Nação sobe ao Trono como se fosse um ser vivo e real. E assim, Nação assume o caráter de um ser e o aspecto de uma pessoa... É uma convenção que se transverte de valor absoluto. O homem é destituído da realidade, Deus é morto e em seu lugar a Nação assume o poder sobre todas as coisas!

Este é o resultado que se produziu a partir de 1789, o marco inicial da decadência do homem espiritual. Não foi a queda da Bastilha, foi a queda do próprio Homem.

Hoje, o Estado divinizado assume o poder sobre todas as coisas. Ocupa o Trono de Deus, como se fosse o Próprio.

Graças a Burke ficou para a posteridade um farol de bom senso tentando iluminar a queda humana. Embora não seja profeta, suas preocupações são hoje tristes e sombrias realidades.

O Estado foi divinizado e o Indivíduo escravizado a ele.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

DEMOCRACIA E LIDERANÇA

Autor: Irving Babbitt (1865-1933)
Tradutor: Joubert de Oliveira Brizida
Assunto: Ciência Política – Ciências Sociais
Editora: Topbooks
Edição: 1ª
Ano: 2003
Páginas: 400


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O livro, publicado originalmente em 1924, tornou-se um marco do pensamento político moderno, o mais representativo do pensador da cultura e ensaísta americano, que não deixou uma obra extensa porque gastou grande parte da sua vida em controvérsias públicas, contestando os valores e convicções mais arraigados nos meios acadêmicos de sua época e atacando filósofos como Rousseau, Francis Bacon, Karl Marx e John Dewey.
Babbitt nunca hesitou em remar contra a corrente dos movimentos intelectuais de seu tempo, submetendo a exame crítico implacável todas as convicções morais e estéticas de seus contemporâneos. Combateu o marxismo, o freudismo, o instrumentalismo e o naturalismo. Desdenhava o sucesso fácil e a popularidade. Já na estética, opôs-se violentamente às diversas doutrinas que defendiam a arte pela arte, afirmando o propósito moral e a dimensão ética da experiência artística. Como teórico da educação, combateu com fervor a decadência da universidade americana. Seu diagnóstico da erosão dos padrões éticos e culturais da América e sua defesa do autodomínio moral contra o culto à despreocupação são temas que permanecem atuais.
Quando o livro foi publicado, o crítico Herbert Read afirmou, com justiça, que a motivação de Irving Babbitt (1865-1933) era "o restabelecimento de padrões humanistas no lugar das confusões utilitárias humanitárias ou românticas", então muito em voga.
Este livro é especialmente instigante por conter a mais sólida crítica à filosofia de Rousseau (capítulo II) já escrita, que na prática demonstra a incompatibilidade de uma liderança moral, comprometida de fato com os valores superiores, e a igualdade geral defendida pelo genebrino Rousseau. Babbit é atualíssimo e precisa voltar a fazer parte dos currículos universitários, se é que algum dia o foi no Brasil.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

MAQUIAVEL PEDAGOGO

ou ministério da reforma psicológica
Título original: Machiavel pédagogue ou Le Ministère de la réforme psychologique
Autor: Pascal Bernardin
Tradução: Alexandre Müller Ribeiro
Editora: Ecclesiae e Vide Editorial
Assunto: Controle social – Psicologia - Educação
Edição: 1ª
Ano: 2013
Páginas: 159


Sinopse: Uma revolução pedagógica está em curso no mundo inteiro. Ela é conduzida por especialistas em Ciências da Educação que, formados todos nos mesmos meios revolucionários, logo dominaram os departamentos de educação de diversas instituições internacionais: Unesco, Conselho da Europa, Comissão de Bruxelas e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Essa revolução pedagógica visa impor uma “ética voltada para criação de uma nova sociedade” e a estabelecer uma sociedade intercultural.
A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada reapresentação da utopia comunista. A partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e comportamentos, bem como de uma manipulação da cultura, pretende-se levar a cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social.
Quais são as razões da profunda crise na escola? É possível uma espécie de vírus no gene de nossa sociedade e de nosso sistema educativo? Podemos concluir que é urgente uma redefinição do papel da escola e de suas prioridades?
Inúmeros pais e educadores, testemunham, estupefatos, a revolução em curso. Interrogam-se sobre as profundas mutações que de forma acelerada vêm ocorrendo em nosso sistema educativo. Porém, nenhum governo vem à público esclarecer os fundamentos ideológicos dessas constantes reformas no ensino e tampouco se preocupam em apresentar, de forma clara, as coerências e os objetivos dos métodos adotados.
Mas ainda que tudo nos pareça muito obscuro, podemos encontrar todas as respostas na filosofia da revolução pedagógica que se expõe, em termos explícitos, nas publicações dos organismos internacionais como a Unesco, a OCDE, o Conselho da Europa, a Comissão de Bruxelas e tantas outras. Apoiando-se sobre textos oficiais desses organismos, Pascal Bernardin mostra detalhadamente que o objetivo prioritário da escola atual não é mais possibilitar aos alunos uma formação intelectual e muito menos fazê-los adquirir conhecimentos elementares. O que se pretende com a redefinição do papel da escola é torná-la nada mais do que o instrumento de uma revolução cultural e ética destinada a modificar os valores, as atitudes e os comportamentos das pessoas em escala mundial. As técnicas de manipulação psicológica, que não se distinguem muito das técnicas de lavagem cerebral, estão sendo utilizadas de forma maciça. Naturalmente, os alunos são as primeiras vítimas; porém, os educadores e também o pessoal administrativo – diretores, pedagogos e até mesmo inspetores – não estão sendo poupados.
Essa revolução silenciosa, antidemocrática e totalitária, quer fazer dos povos meras massas ignorantes - muito mais do que já são - e totalmente submissas à classe governante. Ela ilustra, de maneira exemplar, a filosofia manipuladora e ditatorial que tem abrigo na chamada Nova Ordem Mundial. Tal filosofia é imposta por meio de ações sutis e indiretas, porém poderosíssimas, gerando resultados catastróficos à inteligência humana.
Portanto, o que o leitor verá exposto neste livro é alto terrivelmente sério. Trata-se de uma análise minuciosa de tudo aquilo que está exposto nos documentos oficiais dos mais célebres organismos internacionais. E, embora documentos públicos, causa estranhamento o silêncio mortal que paira sobre eles. Certamente porque quando lidos, revelam-se uma verdadeira síntese do que é a escravidão.

"Compreenda-se bem: o que de fato está em jogo é algo muito mais profundo. Trata-se da aceitação ou da recusa do modelo consensual globalista, assim como dos valores - dos conteúdos latentes - que ele veicula e obriga a interiorizar. Trata-se da aceitação ou da recusa de uma ditadura psicológica insidiosa."
 
 
Comentário do Prof. Olavo de Carvalho sobre o livro




COMENTÁRIOS DE ANA CAROLINE CAMPANOLO
 

sábado, 1 de junho de 2013

FAHRENHEIT 451

Fahrenheit 451
Gênero: Ficção
Atores: Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Diffring, Jeremy Spencer, Bee Duffell, Gillian Lewis, Caroline Hunt, Anna Palk, Roma Milne.
Direção: François Truffaut.
Ano de produção: 1966
País de produção: Inglaterra, França.
Duração: 111 min.

Sinopse: Num futuro próximo, em uma sociedade totalitária e opressiva, a missão dos bombeiros é queimar todo tipo de material impresso, que é considerado propagador da infelicidade. Montag (Oskar Werner), um bombeiro casado com a fútil Linda (Julie Christie), começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher, Clarisse (Julie Christie, em um duplo papel), preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva. Montag se torna um leitor compulsivo e começa a questionar a linha de pensamento imposta pelo Estado, abandonando a sua forma antiga de ver a vida.

A idéia central do livro e do filme: a cultura como peça de resistência contra a barbárie.

Não foi por acaso que os marxistas da Escola de Frankfurt vaticinaram: "Nós vamos destruir o Ocidente destruindo a sua cultura".

Considerado um dos melhores filmes de ficção científica dos anos 60, é até hoje, cultuado por muitos admiradores no mundo inteiro. O filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor norte- americano Ray Bradbury.
 
 
FILME: FAHRENHEIT 451 - completo
 
 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

THE LIBERAL MIND: The Psychological Causes of Political Madness

A MENTE LIBERAL: As causas psicológicas da loucura política
Autor: Lyle H. Rossiter Jr.
Assunto: Ensaio político / Psicologia
Edição: 1ª
Ano: 2011
Páginas: 419


Sinopse: O psiquiatra Lyle Rossiter comprova que o esquerdismo é uma doença mental.

ESQUERDISMO É UMA DOENÇA MENTAL

Liberal Mind traz o primeiro exame profundo da loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda radical para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, a agenda esquerdista recomenda a negação da responsabilidade pessoal, incentiva a auto-piedade e comiseração do outro, promove a dependência do governo, assim como a indulgência sexual, racionaliza a violência, pede desculpas pela obrigação financeira, justifica o roubo, ignora a grosseria, prescreve reclamação e imputação de culpa, denigre o matrimônio e a família, legaliza todos os abortos, desafia a tradição social e religiosa, declara a injustiça da desigualdade, e se rebela contra os deveres da cidadania. Através de direitos múltiplos para bens, serviços e status social não adquiridos, o político de esquerda promete garantir o bem-estar material de todos, fornecendo saúde para todos, protegendo a auto-estima de todos, corrigindo todas as desvantagens sociais e políticas, educando cada cidadão, assim como eliminando todas as distinções de classe. O esquerdismo radical, assim, ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da loucura contida na agenda radical. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele, ao invés e criar condições de segurança para ele poder executar sua própria vida. Só uma agenda irracional tentaria deliberadamente prejudicar o crescimento do cidadão em direção à competência, através da adoção dele pelo Estado. Apenas o pensamento irracional trocaria a liberdade individual pela coerção do governo, sacrificando o orgulho da auto-suficiência para a dependência do bem-estar. Só um louco iria visualizar uma comunidade de pessoas livres cooperando e ver nela uma sociedade de vítimas exploradas pelos vilões.


O que temos aqui, na obra de Rossiter, é o tratamento do esquerdismo de forma clínica, por um psiquiatra forense. (Um pouco mais no site do autor do livro, e um pouco mais sobre sua prática profissional)


O modelo de mente esquerdista


O livro é bastante analítico, e, por vezes, até chato de se ler. Quem está acostumado a livros de fácil leitura de autores conservadores de direita, como Glenn Beck e Ann Coulter, pode até se incomodar. Outro livro que fala do mesmo tema é Liberalism Is a Mental Disorder: Savage Solution, de Michael Savage. Mas o livro de Savage é também uma leitura informal, embora séria. O livro de Rossiter é acadêmico, de leitura até difícil, sem muitas concessões comerciais, e de um rigor analítico simplesmente impressionante. Se não é sua leitura típica para curar insônia, ao menos o conteúdo poderoso compensa o tratamento seco e acadêmico dado ao tema.


Segundo Rossiter, a mente esquerdista tem um padrão, que se reflete tanto em um padrão comportamental, quanto um padrão de crenças e alegações. Portanto, é possível “modelar” a mente do esquerdista a partir de uma série de padrões. A partir daí, Rossiter investiga uma larga base de conhecimento de desordens de personalidade, e usa-as para modelar os padrões de comportamento dos esquerdistas. Segundo Rossiter, basta observar o comportamento de um esquerdista, mapear suas crenças e ações, e compará-los com os dados científicos a respeito de algumas patologias da mente. A mente esquerdista pode ser classificada como um distúrbio de personalidade por que as crenças e ações resultantes deste tipo de mentalidade se encaixam com exatidão no modelo psiquiátrico do distúrbio de personalidade. As análises de Rossiter são feitas tanto nos contextos individuais (a crença do cidadão esquerdista em relação ao mundo), como nos contextos corporativos (ação de grupo, endosso a políticos profissionais, etc.).


Rossiter nos lembra que a personalidade é socializada pelos pais e pela família, como uma parte do desenvolvimento infantil. Mesmo com a influência do ambiente escolar, são os pais que preparam a criança para o futuro. A partir disso, ele avalia o que é um desenvolvimento sadio, para desenvolver uma personalidade apta a viver em um mundo orientado a valorização da competência, dentro do qual essa personalidade deverá reagir. Uma personalidade sadia reagiria bem a esse mundo já sem a presença dos pais, enquanto uma personalidade com distúrbio não conseguiria o mesmo sucesso. Em cima disso, Rossiter avalia a personalidade desenvolvida com os itens da agenda esquerdista, demonstrando que muitos itens dessa agenda estão em oposição ao desenvolvimento sadio da personalidade.


Para o seu trabalho, Rossiter classifica os esquerdistas em dois tipos: benignos e radicais. Os radicais são aqueles cujas ações (agenda) causam dano a outros indivíduos. De qualquer forma, os esquerdistas benignos (seriam os moderados) dão sustentação aos esquerdistas radicais.


Rossiter define o homem como uma fonte autônoma de ação, ao mesmo tempo em que está envolvido em relações, como as econômicas, sociais e políticas. Isto é definido por Rossiter como a Natureza Bipolar do Homem, pois mesmo que ele seja capaz de ação independente, também é restrito pelo contexto social, na cooperação com os outros. A partir dessa constatação, tudo o mais flui. Para permitir que o homem seja capaz de operar com sucesso em seu ambiente natural, deve existir um desenvolvimento adequado da personalidade. Este desenvolvimento da personalidade surge a partir dos outros, idealmente a mãe e a família.


Outro ponto central: toda a análise de Rossiter é feita no contexto de uma sociedade livre, não de uma sociedade totalitária. Portanto, ele avalia o quão alguém é sadio em termos de personalidade para viver em uma sociedade democrática, e não em uma sociedade formalmente totalitária, como Coréia do Norte, Cuba ou China, por exemplo.


Competência em uma sociedade livre


Fica claro que não devemos esperar de Rossiter avaliação sobre um modelo de personalidade para toda e qualquer sociedade, pois ele é bem claro em seu intuito: desenvolver e estudar personalidades competentes para a vida em uma sociedade livre. A manutenção de tal sociedade requer regras para existir, que devem ser codificadas em leis, hipóteses, assim como regras do senso comum.


Nesse contexto, as habilidades a seguir são aquelas de um adulto competente em uma sociedade com liberdade organizada:

·         Iniciativa – Fazer as coisas acontecerem.

·         Atuação – Agir com propósito.

·         Autonomia – Agir independentemente.

·         Soberania- Viver independentemente, através da tomada de decisão competente.

Rossiter define os direitos naturais do homem, para uma pessoa adulta vivendo em uma sociedade de liberdade organizada. Estes compreendem o exercício, conforme qualquer um escolher, das habilidades selecionadas acima, todas elas sujeitas às restrições necessárias para uma sociedade com paz e ordem. Assim, direitos naturais resultam da combinação de natureza humana e liberdade humana. Natureza humana significa viver como alguém quiser, sujeito as restrições necessárias para paz e ordem.


Considerando estes atributos humanos, Rossiter define como uma ordem social adequada, aquela que possui os seguintes aspectos:


1.     Honra a soberania do indivíduo

2.     Respeita a liberdade do indivíduo.

3.     Respeita a posse de propriedade e integridade dos contratos.

4.     Respeita o princípio da igualdade sob a lei.

5.     Requer limites constitucionais, para evitar que o governo viole os direitos naturais.


Os aspectos acima são avaliados na perspectiva do indivíduo, não de grupos ou classes, em um processo relacionado à individuação, conceito originado em Jung. Neste processo, o ser humano evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que implicará necessariamente em uma ampliação da consciência. A partir daí, surge cada vez mais o conhecimento de si-mesmo, em detrimento das influências externas. Eventuais resistências à individuação são causas de sofrimento e distúrbios psíquicos.


Segundo Rossiter, o indivíduo adulto que passou adequadamente pelo processo de individuação assume de forma coerente seu direito a vida, liberdade e busca da felicidade. Mesmo assim, isso não significa que ele pode fazer o que quiser, pois deve respeitar o individualismo dos outros e interagir com eles através da cooperação voluntária. Assim, o individualismo deve ser associado com mutualidade, para o desenvolvimento de um adulto competente para viver em uma sociedade de liberdade organizada.


Rossiter estuda com afinco as características de desenvolvimento do indivíduo, de acordo com regras pelas quais ele pode viver em uma sociedade de liberdade organizada, e lista sete direitos individuais do cidadão comum, dentro dos quais ele pode exercitar sua autonomia, livre da interferência do governo:


1.     Direito de auto-propriedade (autonomia)

2.     Direito de primeira posse (para controlar propriedade que não tenha sido de posse de ninguém antes)

3.     Direito de posse e troca (manter, trocar ou comercializar)

4.     Direito de auto-defesa (proteção de si próprio e da proriedade)

5.     Direito de compensação justa pela retirada (a partir do governo)

6.     Direito a acesso limitado (a propriedade dos outros em emergências)

7.     Direito a restituição (por danos a si próprio ou propriedade)


Estes são normalmente chamados de direitos naturais, direitos de liberdade ou direitos negativos. O governo deve ser estruturado para proteger estes direitos, e precisa ser estruturado de forma que não infrinja-os. A obrigação do governo em uma sociedade de liberdade organizada envolve implementar e sustentar estas regras para proteger o cidadão de infrações cometidas tanto por outros como pelo próprio governo.


Eis que surge o problema da mente esquerdista, que quer atacar basicamente todos os pilares acima. Em cima disso, Rossiter levanta as crenças da mente esquerdista, que, juntas, dão um fundamento do modelo da mente deles:


1.     Modelos sociais ideais tradicionais estão ultrapassados e não se aplicam mais.

2.     A direção do governo é melhor do que ter os cidadãos tomando conta de si próprios.

3.     A melhor fundação política de uma sociedade organizada ocorre através de um governo centralizado.

4.     O objetivo principal da política é alcançar uma sociedade ideal na visão coletiva.

5.     A significância política do indivíduo é medida a partir de sua adequação à coletividade.

6.     Altruísmo é uma virtude do estado, embutida nos programas do estado.

7.     A soberania dos indivíduos é diminuída em favor do estado.

8.     Direitos a vida, liberdade e propriedade são submetidos aos direitos coletivos determinados pelo estado.

9.     Cidadãos são como crianças de um governo parental.

10.  A relação do indivíduo em relação ao governo deve lembrar aquela que a criança possui com os pais.

11. As instituições sociais tradicionais de matrimônio e família não são muito importantes.

12. O governo inchado é necessário para garantir justiça social.

13.  Conceitos tradicionais de justiça são inválidos.

14.  O conceito coletivista de justiça social requer distribuição de riqueza.

15.  Frutos de trabalho individual pertencem à população como um todo.

16.  O indivíduo deve ter direito a apenas uma parte do resultado de seu trabalho, e esta porção deve ser especificada pelo governo.

17.   O estado deve julgar quais grupos merecem benefícios a partir do governo.

18.   A atividade econômica deve ser cuidadosamente controlada pelo governo.

19.   As prescrições do governo surgem a partir de intelectuais da esquerda, não da história.

20.   Os elaboradores de políticas da esquerda são intelectualmente superiores aos conservadores.

21.  A boa vida é um direito dado pelo estado, independentemente do esforço do cidadão.

22.  Tradições estabelecidas de decência e cortesia são indevidamente restritivas.

23.   Códigos morais, éticos e legais tradicionais são construções políticas.

24.   Ações destrutivas do indivíduo são causadas por influências culturais negativas.

25.   O julgamento das ações não deve ser baseado em padrões éticos ou morais.

26.   O mesmo vale para julgar o que ocorre entre nações, grupos éticos e grupos religiosos.


Como tudo na vida, o aceite de crenças tem conseqüências. No caso do aceite das crenças esquerdistas, conseqüências incluem:


1.     Dependência do governo, ao invés de auto-confiança.

2.     Direção a partir do governo, ao invés da auto-determinação.

3.     Indulgência e relativismo moral, ao invés de retidão moral.

4.     Coletivismo contra o individualismo cooperativo.

5.     Trabalho escravo contra o altruísmo genuíno.

6.     Deslocamento do indivíduo como a principal unidade social econômica, social e política.

7.     A santidade do casamento e coesão da família prejudicada.

8.     A harmonia entre a família e a comunidade prejudicada.

9.     Obrigações de promessas, contratos e direitos de propriedade enfraquecidos.

10.  Falta de conexão entre premiações por mérito e justificativa para estas premiações.

11.   Corrupção da base moral e ética para a vida civilizada.

12.  População polarizada em guerras de classes através de falsas alegações de vitimização e demandas artificiais de resgate político.

13.   A criação de um estado parental e administrativo idealizado, dotado de vastos poderes regulatórios.

14.   Liberdade individual e coordenação pacífica da ação humana severamente comprometida.


Aliás, eu acho que Rossiter esqueceu de conseqüências adicionais como:


(15) Aumento do crime, devido a tolerância ao crime, e

(16) Incapacidade de uma base lógica para que a sociedade sequer tenha condição de julgar o status em que se encontra.


Por que a mente esquerdista é uma patologia?


Para Rossiter, a melhor forma de avaliar a mente do esquerdista é a através dos valores que ele tem, e os que ele rejeita. Mais:


Como todos os outros seres humanos, o esquerdista moderno revela seu verdadeiro caráter, incluindo sua loucura, nos valores que possui e que descarta. De especial interesse, no entanto, são os muitos valores sobre os quais a mente esquerdista não é apaixonada: sua agenda não insiste em que o individuo é a principal unidade econômica, social e política, ele não idealiza a liberdade individual em uma estrutura de lei e ordem, não defende os direitos básicos de propriedade e contrato, não aspira a ideais de autonomia e reciprocidade autênticas. Ele não defende a retidão moral ou sequer compreende o papel crítico da moralidade no relacionamento humano. A agenda esquerdista não compreende uma identidade de competência, nem aprecia sua importância, e muito menos avalia as condições e instituições sociais que permitam seu desenvolvimento ou que promovam sua realização. A agenda esquerdista não compreende nem reconhece a soberania, portanto não se importa em impor limites estritos de coerção pelo estado. Ele não celebra o altruísmo genuíno da caridade privada. Ele não aprende as lições da história sobre os males do coletivismo.


Rossiter diz que as crianças não nascem com este “programa”, que é adquirido especialmente durante o aprendizado escolar. Em resumo: um adulto, competente para operar em uma sociedade de liberdade organizada, na maior parte das vezes adquire estes valores dos pais e da família, mas um esquerdista radical não.


Basicamente, o esquerdismo pode ser caracterizado como uma neurose, baseada nos traumas do relacionamento com a família durante o desenvolvimento da personalidade. Sendo uma neurose de transferência, ela compreende as projeções inconscientes das psicodinâmicas da infância nas arenas políticas da vida adulta. É o resultado de uma falha no treino da criança nos elementos psicodinâmicos básicos de um adulto, competente para viver em uma sociedade de liberdade organizada. (Obviamente, um esquerdista jamais irá reconhecer as “fendas” em seu desenvolvimento de criança até um adulto)


Rossiter nos diz mais:


Sua neurose é evidente em seus ideais e fantasias, em sua auto-justiça, arrogância e grandiosidade, na sua auto-piedade, em suas exigências de indulgência e isenção de prestação de contas, em suas reivindicações de direitos, em que ele dá e retém, e em seus protestos de que nada feito voluntariamente é suficiente para satisfazê-lo. Mais notadamente, nas demandas do esquerdista radical, em seus protestos furiosos contra a liberdade econômica, em seu arrogante desprezo pela moralidade, em seu desafio repleto de ódio contra a civilidade, em seus ataques amargos à liberdade de associação, em seu ataque agressivo à liberdade individual. E, em última análise, a irracionalidade do esquerdista radical é mais aparente na defesa do uso cruel da força para controlar a vida dos outros.


Agora fica mais fácil entender por que os esquerdistas são tão frustrados e raivosinhos em suas interações, não?


Os cinco déficits principais do esquerdista


Um esquerdista apresenta, segundo Rossiter, cinco principais déficits, cada um mais evidente nas diversas fases do desenvolvimento, desde os primeiros meses após o nascimento, até a entrada da fase adulta.


Confiança básica: O primeiro déficit relaciona-se a confiança básica. Isto é, a falta de confiança nos relacionamentos entre pessoas por consentimento mútuo. Por isso, o esquerdista age como se as pessoas não conseguissem criar boas vidas por si próprios através da cooperação voluntária e iniciativa individual. Por isso, colocam toda essa coordenação nas mãos do estado, que funciona como um substituto para os pais. Se a criança não consegue conviver com os irmãos, precisa de pais como árbitros. Este déficit inicia-se no primeiro ano de vida. As interações positivas de uma criança com a mãe o introduzem a um mundo de relacionamento seguro, agradável, mutuamente satisfatório e a partir do “consentimento” entre ambas as partes. Mas caso exista um relacionamento anormal e abusivo na infância, algo de errado ocorre, e essa aquisição de confiança básica é profundamente comprometida. Lembremos que a ingenuidade é problemática, mas o esquerdista é ingênuo perante o governo, que tem mais poder de coerção, enquanto suspeita dos relacionamentos humanos não abitrados pelo governo.


Autonomia: Após os primeiros 15 meses, uma criança começa a incorporar os fundamentos de autonomia, auto-realização, assim como fundamentos de mutualidade, ou auto-realização (assim como realização dos outros). A partir dessa fase, a criança começa a agir por si própria para ter suas necessidades satisfeitas, de acordo com aqueles que cuidam dela. Junto com a ideia de autonomia, surgem ideias como auto-confiança, auto-direção e auto-regulação. A criança “mimada”, que cresce dependente do excesso de indulgência dos pais é privada das virtudes de auto-confiança e auto-controle e de atitudes necessárias para cooperação com os outros.


Iniciativa: No desenvolvimento normal, esta é a capacidade de se iniciar bons trabalhos para bons propósitos, sendo desenvolvida nos primeiros quatro ou cinco anos da vida de uma criança. No caso da falta de iniciativa, há falta de auto-direção, vontade e propósito, geralmente buscando relacionamentos com os outros de forma infantil, sempre pedindo por condescendência, ao invés de lutar para ser respeitado. Pessoas com esta personalidade normalmente assumem um papel infantil em relação ao governo, votando para aqueles que prometem segurança material através da obrigação coletiva, ao invés de votar naqueles comprometidos com a proteção da liberdade individual. A inibição da iniciativa pode ocorrer por culpa excessiva adquirida na infância, surgindo, por instância, do complexo de Édipo.


Diligência: Assim como a iniciativa é a habilidade de iniciar atos com boas metas, diligência é a habilidade para completá-los. A criança, no seu desenvolvimento escolar, se torna apta a completar suas ações de forma cada vez mais competente. Na fase da diligência, a criança aprende a fazer e realizar coisas e se relacionar de formas mais complexas com pessoas fora de seu núcleo familiar. A meta desta fase é o desenvolvimento da competência adulta. É a era da aquisição da competência econômica e da socialização. Nessa fase, se aprende a convivência de acordo com códigos aceitos de conduta, de acordo com as possibilidades culturais de seu tempo, de forma a canalizar seus interesses na direção da cooperação mútua. Quando as coisas não vão muito bem, surgem desordens comportamentais, uso de drogas, ou delinqüência, assim como o surgimento de ações que sabotam a cooperação. A tendência é a geração de um senso de inferioridade, assim como déficits nas habilidades sociais, de aprendizado e identificações construtivas, que deveriam ser a porta de entrada para a aquisição da competência adulta. Atitudes que surgem destas emoções patológicas podem promover uma dependência passiva comportamental como uma defesa contra o medo diante das relações humanas, vergonha, ou ódio.


Identidade: O senso de identidade do adolescente é alterado assim que ele explora várias personas, múltiplas e às vezes contraditórias, na construção de seu self. Ele deve se confrontar com novos desafios em relação ao balanço já estabelecido entre confiança e desconfiança, autonomia e vergonha, iniciativa e culpa, diligência e inferioridade. Esta fase testa a estabilidade emocional que foi desenvolvida pela criança, assim como sua racionalidade, sendo de adequação e aceitabilidade, superação de obstáculos, e o aprofundamento das habilidades relacionais. O desenvolvimento desta identidade adulta envolve o risco percebido de acreditar nas instituições sociais. O adulto quer uma visão do mundo na qual possa acreditar. Isto é especialmente importante se ele sofreu formas de abuso anteriormente. Sua consciência ampliada de quem ele é facilita uma integração entre suas identidades do passado e do presente com sua identidade do futuro. Nesta fase do desenvolvimento o jovem pode ser vítima das ofertas ilusórias do esquerdismo. É a fase “final” da escolha.


Uma cura para o esquerdismo?


Com uma identidade mantida por uma série de neuroses, o esquerdista não consegue mais assumir responsabilidades pelos seus atos, e muito menos pelas conseqüências de suas ações. Tende a se fazer de vítima para conseguir o que quer, e não se furta em mentir para conseguir seus objetivos. É quando podemos questionar: há uma cura para isso tudo? Possivelmente, mas a questão é que o esquerdista deve buscar ajuda por si próprio, mas quanto mais ele estiver recebendo reforço de seus grupos, menos vontade ele terá para fazê-lo. Ao contrário, mesmo com tantos déficits e tamanhos delírios, ele sempre julgará estar com a razão.


Diante disso, quem pode fazer algo pelos esquerdistas são os direitistas, mas isso só pode acontecer pela via da refutação e do desmascaramento de suas ações. Incapazes de julgarem seus próprios atos, jamais se deve confiar no auto-julgamento de um esquerdista. Todas as auto-rotulagens e outro-rotulagens tendem a ser mentirosas, assim como seus argumentos. A refutação de uma parte externa, não contaminada pela ideologia esquerdista, é a única alternativa que pode dar um fio de esperança ao esquerdista.


Entretanto, mesmo que ainda exista esperança para o esquerdista, os maiores afetados são os não-esquerdistas, que possuem suas vidas impactadas por suas crenças. Por isso, as nossas ações não devem ser realizadas primeiramente em prol de salvar os esquerdistas de suas patologias (envergonhando-o, por suas mentiras, assim como denunciando suas chantagens emocionais) , mas sim por salvar-nos das conseqüências de suas neuroses e psicoses.


Nesse intento, entender por que eles achem assim, como eles se sentem, e o que os tornou assim, passa a ser essencial. Neste ponto, a obra de Lyle Rossiter é simplesmente um achado.


Escrito por lucianohenrique