"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PEQUENA HISTÓRIA DA DESINFORMAÇÃO

Do Cavalo de Tróia a Internet
Título original: Petite histoire de la désinformation
Autor: Vladimir Volkoff
Editora: Editions du Rocher – 1999 – Tradução cedida pela Editorial Notícias, Portugal.
Assunto: Comunicação
Edição: 1ª
Ano: 2000
Páginas: 270

Sinopse: Desde sempre que o homem compreendeu a possibilidade (e a importância) de tirar vantagem de qualquer informação, por mais ligeira e inocente que seja. Como a dose de veracidade existente na informação não é fixa, nem garantida, nada mais fácil, pois, do que juntar-lhe um bocado de falsidade ou fabricá-la por inteiro. Nesta obra, o autor analisa as grandes operações de desinformação da História, desde o mitológico Cavalo de Tróia à globalização com a rede mundial de computadores. Largamente difundida e altamente especializada, a produção de informações fraudulentas, a serviço de interesses estratégicos, políticos e ideológicos, parece cada vez mais comum, mais fácil e mais eficaz. Este livro causará muitas perplexidades e que despertarão consciências. O texto aqui publicado é uma tradução portuguesa, cuja terminologia e ortografia mantiveram-se.


Sobre o autor: Vladimir Volkoff nasceu em Paris em 1932, tendo se licenciado em Literatura Clássica na Sorbonne em 1954. Cumpriu serviço militar na Argélia, de cuja guerra participou; em 1963 recebeu o Prêmio Júlio Verne com “Metrô para o Inferno”, de ficção científica. Em “Os humores do mar” e “A Montanha” retrata os métodos e as redes da desinformação soviética na Europa. Escreveu ainda ensaios anticonformistas e biografias históricas.

Trechos da obra:

A antiga língua de pau se utilizava de imagens lingüísticas e figuras de retórica para fazer propaganda ideológica, como a alegoria, o eufemismo, a prosopopéia, a metonímia, a metalepse. Utilizava-se do maniqueísmo simplista para exaltar suas próprias virtudes e demonizar o inimigo. Com o tempo, o idioma russo foi se empobrecendo, tornando-se minimalista. “O dicionário de Dahl contém 22000 palavras; os escritores soviéticos utilizavam 1500” (pg. 68). Enfim, o “idioma fantasma” assume a confissão de Goebbels: “Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um determinado efeito” (cit. pg. 68).


Goerge Orwell, no grandioso 1984, desenvolveu com muita propriedade uma língua de pau imaginária, a Newspeak (Novalíngua). Nessa obra, havia um tirano em Oceânia, chamado Big Brother, que impunha à população uma doutrina totalitária, o Ingsoc (Socialismo inglês), de modo que “um pensamento herético, ou seja, um pensamento divergente dos princípios do Ingsoc, se torna literalmente inconcebível, pelo menos na parte em que o pensamento depende das palavras” tão logo a “Oldspeak”, a língua atual, seja esquecida. Tal resultado era alcançado “parcialmente, com a invenção de novas palavras, mas sobretudo através da eliminação de palavras indesejáveis e despindo as restantes de qualquer significação heterodoxa e, tanto quanto possível, de significado secundário, seja ele qual for. Reduziu-se o número de palavras, pois “cada redução era um ganho, pois menos escolha havia e menor era a tentação de pensar” (pg. 69-70).