"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

segunda-feira, 2 de março de 2015

MAO: A HISTÓRIA DESCONHECIDA

Bis
Publicado originalmente neste blog em 26/01/2009 e republicado em 02/03/2015
O Editor.

Título original: Mao: The Unknown Story 
Autor: Jung Chang e Jon Halliday
Tradução: Pedro Maia Soares
Editora: Companhia das Letras
Assunto: Biografias, diários, memórias & correspondências.
Edição: 1ª
Ano: 2006
Páginas: 960
Nota: Publicado originalmente na Grã-Bretanha pela editora Jonathan Cape, de Londres.

Sinopse: 'Mao - A história desconhecida' é uma biografia não autorizada de Mao Tse-tung, fruto de uma década de pesquisa em arquivos do mundo todo e centenas de entrevistas com amigos e colaboradores de Mao, além de personalidades e pessoas que tiveram contato significativo com o líder chinês. Este é um livro cheio de revelações que derrubam muitos dos mitos sobre Mao e a história da China moderna. O livro ataca o heroísmo da Longa Marcha, discorre sobre a ajuda financeira e militar da União Soviética de Stalin para a criação e o fortalecimento do Partido Comunista chinês, e desqualifica os relatos de que os rebeldes comunistas teriam enfrentado os japoneses na Segunda Guerra Mundial. Os autores mostram como Mao concentrou-se em expandir seu domínio durante quase três décadas, ainda que isso resultasse no sofrimento e na morte de milhões de cidadãos, na perseguição de inimigos e companheiros de luta e na exploração de milhares de trabalhadores rurais para transformar a China numa grande exportadora de alimentos e numa potência militar nuclear. Para se perpetuar no poder, instituiu um clima de denúncias, perseguições e terror. Na intimidade, ele é descrito como um pai omisso, marido infiel e amigo pouco confiável. Em síntese: Um psicopata, canalha, assassino, genocida e excremento humano.

Comentários:
O que brota das quase mil páginas da biografia não-autorizada de Mao Tsé Tung e descrita por Jung Chang e Jon Halliday, são as ações psicóticas de um excremento humano que conduziu o gigante asiático ao clube nuclear, e que transfere, com justiça tardia, a personagem do rol dos líderes para os compêndios psiquiátricos sobre genocidas. O livro desvenda como um tirano lunático manipulou um país gigantesco para impor os seus ideais comunistas psicóticos.
Desde os primeiros anos de militância política desse filho de camponeses nascido em Shaoshan, em 1893, percebe-se que a construção de uma identidade nacional - imposta a ferro e fogo - servia a um propósito pessoal, no qual a ideologia exercia papel secundário. A obsessão era pelo domínio político, não importa a que preço e a que sacrifícios para a população, à família e aos aliados.
Hábil na difamação, Mao mandou muitos para a morte direta e indiretamente. Bastava uma insinuação e a sentença estava selada. Em 27 anos de regime ditatorial, 65 milhões de chineses perderam a vida por ordem dele. Em guerras fúteis ou pela fome como política de Estado - o direcionamento do dinheiro para o Grande Salto, por exemplo, foi seguido de uma campanha na imprensa mostrando que comer menos fazia bem à saúde, ao mesmo tempo em que o PC inventava um excesso de produção de arroz. Muitas mortes se deram ainda em sangrentos expurgos como o realizado em 1966 e 1967. Milhares de pessoas foram executadas no país, na maioria professores e universitários.
A desconstrução do mito tem como ponto de partida a Longa Marcha, campanha militar a partir de 1933 pela qual Mao e seu grupo solaparam os nacionalistas liderados por Chiang Kai-Shek até assumirem as rédeas do país. Longe da epopéia heróica que impôs à história, a marcha misturou perdas imensas - dos outros - com invenções descaradas como a célebre batalha pela ponte sobre o Rio Dadu, em Luding, em 1935. Na descrição oficial, as tropas de Mao desafiaram metralhadoras e cruzaram a ponte de joelhos, sobre correntes incandescentes. Nada disso aconteceu não passando de uma deslavada mentira, marca registrada do socialismo.
Como comandante militar, Mao pouco ligava para suas tropas. Sacrificou milhares de homens em marchas e batalhas desnecessárias, mas importantes para ganhar tempo ou enfraquecer rivais no partido e na Rússia. A sombra de Stálin, outro psicopata genocida, permeia toda a trajetória de Mao.
O ditador russo financiou a expansão do PC chinês. A ponto de ordenar que Mao e Chiang Kai-Shek parassem de lutar entre si e se engajassem em uma campanha contra o Japão - já às portas da 2ª Guerra Mundial - que só servia a Moscou. Mao fingiu obedecer e se resguardou, aproveitando o desgaste dos nacionalistas para ganhar terreno.
O lado pessoal também vale a leitura. Mao teve quatro esposas oficiais - a mais famosa era a atriz Jiang Qing, a tenebrosa Madame Mao - e inúmeros filhos e amantes que desprezou. Enquanto Chiang Kai-Shek sofria pelo único filho seqüestrado por Stálin, Halliday e Chang contam como Mao nunca mexeu um dedo por seus dois meninos retidos em Moscou. Não à toa, a única esposa que foi apaixonada por ele, Gui-Yuan, terminou seus dias num hospício russo.
Excerto da obra:
17. Um ator nacional(1936; 42-43 anos)

Quando a notícia do seqüestro de Chiag Kai-shek chegou ao QG do partido, os líderes jubilantes encheram a caverna de Mao, que “ria como louco”, como lembrou um colega. Agora que Chiang estava preso, Mao tinha um objetivo supremo: vê-lo morto. Se Chiang fosse assassinado, haveria um vácuo de poder e, portanto, uma boa oportunidade para a Rússia intervir a ajudar a por o PCC – e ele – no poder.
Em seus primeiros telegramas para Moscou depois do evento, Mao implorou aos russos que se envolvessem para valer. Escolhendo as palavras com cuidado, solicitou o consentimento deles para matar Chiang, dizendo que o PCC queria “exigir que Nanquim sacasse Chiang do poder e o entregasse ao povo para ser julgado”. Era obviamente um eufemismo para a sentença de morte. Sabedor de que seus objetivos eram diferentes dos de Stálin, Mao fingiu não ter notícias do seqüestro até sua execução e prometeu que o PCC “não emitiria declarações públicas por alguns dias”.
Enquanto isso, ele manobrava ativamente pelas costas de Moscou para liquidar Chiang. Em seu primeiro telegrama ao Jovem Marechal após o seqüestro, em 12 de dezembro, instava: “A melhor opção é matar [Chiang]”. Ele tentou mandar o seu melhor diplomata, Chou En-lai, de imediato para Xian. Chou havia negociado no começo daquele ano com o Jovem Marechal e aparentemente eles haviam se dado bem. Mao queria que Chou persuadisse o Jovem Marechal a “levar a cabo a medida final” (nas palavras de Chou), ou seja, matar Chiang.
Sem revelar o verdadeiro objetivo da missão de Chou, Mao solicitou um convite do Jovem Marechal para seu diplomata. Na época o QG ficava em Baoan, quase trezentos quilômetros ao norte de de Xian, a vários dias de viagem a cavalo. Então Mao pediu que ele mandasse um avião para apanhar Chou na cidade próxima de Yenan (então sob controle do Jovem Marechal), onde havia uma pista de pouso construída pela Standard Oil, quando fizera prospecções na região, no começo do século. Para encorajá-lo a agir com rapidez, Mao fez-lhe uma proposta espúria no dia 13: “Fizemos arranjos com o Comintern, cujos detalhes lhe contaremos depois”. A óbvia implicação era que Chou levaria notícias de um plano coordenado com Moscou.
O que o Jovem Marechal precisava não eram promessas off-the-record, retransmitidas pelo PCC, mas o endosso público da Rússia. Contudo, no dia 14, artigos de primeira página nos dois principais jornais soviéticos, o Pravda e o Izvestia, condenaram com veemência o seu ato como sendo uma ajuda aos japoneses e apoiaram claramente Chiang. Dois dias depois do seqüestro, o Jovem Marechal podia ver que o jogo havia acabado.
Ele fez ouvidos moucos à sugestão de Mao de enviar Chou. Mas Mao e despachou de qualquer modo, dizendo ao Jovem Marechal, no dia 15, que seu enviado estava a caminho e pedindo um avião para pegá-lo em Yenan. Quando Chou lá chegou, não havia avião e o portão da cidade estava fechado para ele; Chou teve de esperar toda a noite do lado de fora, em temperaturas abaixo de zero. “Os guardas recusaram-se a abrir o portão e se recusaram a ouvir a razão”, telegrafou Mao ao Jovem Marechal, exortando-o a fazer alguma coisa. O Jovem Marechal estava literalmente dando um gelo em Chou, uma indicação da raiva que sentia dos comunistas por ser enganado por eles em relação à atitude de Moscou.
No dia 17. Ele cedeu. Estava em busca de uma maneira de por fim ao fiasco, então mandou seu Boeing buscar Chou. Royal Leonard, seu piloto americano, ficou chocado ao descobrir que estava transportando comunistas (que haviam recentemente metralhado seu avião). No caminho de volta, naquela tarde nevada, ele pregou uma peça nos seus passageiros, conforme escreveu em suas memórias: “Peguei deliberadamente uma turbulência. De vez em quando, olhava para a cabine e me divertia vendo os comunistas [ ... ] que com uma das mãos seguravam suas barbas negras e com a outra, uma lata para despejar o vômito”.
O Jovem Marechal aceitou contrafeito a visita de Chou, embora apresentasse uma fachada amistosa e cooperasse com seu hóspede. 
[1]Quando Chou o instou a matar o generalíssimo, ele fingiu que faria isso “quando a guerra civil for inevitável e Xian estiver cercada” por forças do governo.
Na verdade, Mao vinha tentando provocar uma guerra entre Nanquim e Xian. Esperava deflagrá-la com o avanço de tropas vermelhas na direção da capital. No dia 15, deu ordens secretas a seus altos comandantes para “atacar a cabeça do inimigo: o governo de Nanquim”. Mas teve de esquecer o plano, pois seria suicida para o Exército vermelho e não havia garantia de que de fato deflagraria a guerra. Para seu deleite, no dia 16, Nanquim declarou guerra ao Jovem Marechal, moveu tropas na direção de Xian e bombardeou as tropas dele fora da cidade. Mao instou o Jovem Marechal a não se limitar à defesa, mas ampliar a luta e atacar Nanquim. No dia seguinte, Mao telegrafou-lhe dizendo: “As jugulares do inimigo são Nanquim e [duas linhas férreas fundamentais]. Se 20 ou 30 mil [ ... ] soldados pudessem ser despachados para atacar essas ferrovias [ ... ] a situação geral mudará de imediato. Por favor, leve isso em consideração”. A esperança de Mao era que, ao tomar essa medidas, o Jovem Marechal rompesse suas ligações com Nanquim e, com maior probabilidade, matasse Chiang.
Enquanto Mao manobrava para matar Chiang, Stálin teimava em salvar o Generalíssimo. Em 13 de dezembro, um dia depois do seqüestro, o encarregado de negócios soviéticos em Nanquim foi chamado pelo primeiro ministro interino, H.H. Kung (o cunhado de Chiang), para ser informado de que “corria notícia” de que o PCC estava envolvido no golpe e que “se a segurança do Sr. Chiang está em perigo, o ódio da nação se estenderá do PCC à União Soviética e poderá pressionar [o governo chinês] a se unir ao Japão contra a União Soviética”. Stálin compreendeu que o seqüestro poderia significar uma ameaça urgente aos seus interesses estratégicos.
[ ... ]
Stálin suspeitava de que Mao poderia esta em conluio com os japoneses. Ele já começara a ter todos os “velhos parceiros chineses” dos soviéticos denunciados e interrogados sob tortura. Quatro dias depois do seqüestro de Chiang, um importante detido “confessou” estar envolvido num complô trotskista para provocar um ataque do Japão à Rússia. O nome do próprio Mao apareceu nas confissões e um grosso dossiê sobre ele foi compilado, com acusações de que era agente dos japoneses, bem como trotskista.
Dimitrov mandou uma dura mensagem a Mao no dia 16. Ela condenava o seqüestro, dizendo que aquilo “objetivamente só pode prejudicar a frente unida contra o Japão e ajudar a agressão dos japoneses à China”. Seu ponto fundamental era que “o PCC deve assumir uma posição decisiva em favor de uma solução pacífica”. Era uma ordem para obter a libertação do Generalíssimo e sua volta ao governo.
Quando o telegrama chegou, consta que Maom”ficou enfurecido [ ... ] blasfemou e bateu os pés”. Sua medida seguinte foi fingir que jamais recebera a mensagem. Escondeu-a do seu Politiburo, do Jovem Marechal e também de Chou En-lai, que estava a caminho de Xian para persuadir o Jovem marechal a matar Chiang. Mao continuou a manobrar para que Chiang fosse assassinado.
[ ... ]
A única opção do Jovem Marechal era ficar ao lado de Chiang, o que significava que deveria libertá-lo. Além disso, ele percebeu que sua única maneira de sobrevier era deixar Xian com Chiang e colocar-se nas mãos dele. Havia muita gente em Nanquim que o queria morto e certamente mandariam assassinos atrás dele. Só poderia ficar seguro sob a custódia de Chiang. E, ao escoltar Chiang para fora do cativeiro, ele poderia também ter esperança de conquistar a boa vontade do Generalíssimo. Sua aposta de que Chiang não o mataria revelou-se correta. Depois de sofrer prisão domiciliar sob o governo de Chiang e de seus sucessores durante meio século, quando esteve ao mesmo tempo detido e protegido, ele foi libertado e morreu em seu leito, no Havaí, aos cem anos, em 2001, tendo sobrevivido a Chiang e Mao por mais de um quarto de século.

Nota do compilador: A partir deste exíguo excerto pode-se perceber a falta de caráter e de personalidade, marca registrada de todos os comunistas: Dissimulação, mentira, traição, deslealdade, justiçamento, assassinato etc.

[1] A raiva do Jovem Marechal contra Moscou e o PCC faiscou rapidamente durante nossa entrevista com ele, 56 anos depois. Quando lhe perguntamos se os comunistas chineses haviam falado sobre a verdadeira atitude dos soviéticos em relação a ele antes do golpe, ele retrucou com súbita hostilidade. “Claro que não. Vocês fazem uma pergunta muito estranha”. [Nota dos autores].

Sobre os autores:

CHANG, JUNG
Jung Chang nasceu na China, em 1952, filha de pais comunistas. Em 1978, foi estudar no Reino Unido. Escreveu o best-seller 'Cisnes selvagens' (1994), em que conta a história de sua família. O livro vendeu mais de 10 milhões de exemplares em trinta idiomas.

HALLIDAY, JON
Jon Halliday é historiador e marido de Jung Chang, a quem conheceu quando era pesquisador-visitante do King's College, na Universidade de Londres. O casal vive em Londres.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O HOMEM REVOLTADO

Publicado originalmente neste blog em 03/11/2009 e republicado em 14/10/2014
O Editor.

Título original: L´Homme Révolté
Autor: Albert Camus.
Tradução: Valerie Rujanek
Editora: Record.
Assunto: Ensaio (Literatura estrangeira).
Edição: 6ª
Ano: 1996
Páginas: 352

Sinopse: Em outubro de 1951, deu-se a publicação de um livro que abalou a esquerda francesa. Tratava-se do ensaio de Albert Camus intitulado O Homem Revoltado, uma brilhante e literariamente bem articulada exposição sobre as mazelas da revolução através dos tempos contemporâneos, inclusive com reparos aos acontecimentos decorrentes de 1789. Entre outras coisas, a obra provocou o fim da longa amizade que Jean-Paul Sartre mantinha com ele.

Mais de 50 anos depois de sua primeira publicação, com as disputas ideológicas e os questionamentos existenciais da humanidade radicalmente deslocados de seus eixos, este livro adquire uma dimensão especial. Não e possível mais ignorar crimes contra a humanidade sejam eles quais forem seus pretextos revolucionários. A revolta não desculpa tudo. E assim que o humanismo proposto por Camus revela-se fundamental para aqueles que preferem defender os seres humanos antes de defenderem sistemas teóricos abstratos.

"A democracia não é o melhor dos regimes. É o menos mau. Experimentamos um pouco de todos os regimes e agora podemos compreender isso. Mas esse regime só pode ser concebido, realizado e sustentado por homens que saibam que não sabem tudo, que se recusem a aceitar a condição proletária e nunca se conformem com a miséria dos outros, mas que recuse, justamente, a agravá-la em nome de uma teoria ou de um messianismo cego."
Albert Camus, novembro de 1948


Comentários: O homem revoltado é todo o indivíduo que se revolta contra o mundo porque acha o mundo injusto e se rebela contra essa realidade culpando Deus pela sua condição humana trágica. Albert Camus faz a denúncia contra os crimes praticados pelos intelectuais revoltados que utilizam um projeto lógico de matança para conceber um mundo idealista e utópico. As mortes de paixão e cobiça, embora condenáveis, são da natureza humana; todavia, não se pode conceber as mortes ideológicas iniciadas com a Revolução Francesa e depois continuadas pelas revoluções que se seguiram, as quais, até 1951, assassinaram em torno de 90 milhões de seres humanos tendo por base a matança lógica alimentada por uma ideologia utópica, só porque aqueles humanos não comungavam da idéia de que o Estado é capaz de resolver a ordem estabelecida por Deus no mundo.

O Homem Revoltado é um livro que exige, depois de uma primeira leitura, uma re-leitura mais cuidadosa - os conceitos, ideologias e atitudes de tantos e diferentes homens são imensas, mais a argumentação de Camus sobre eles, torna muito difícil fazer uma síntese deste ensaio sob pena de pecar por defeito e não expressar condignamente o pensamento do autor. Nada substitui a leitura do livro.

Um pouco de Albert Camus:
Nascido em 7 de Novembro de 1913, nos arredores de Mondovi (Argélia), Albert Camus viria a ficar na História como um dos maiores escritores e ensaístas de língua francesa. Tendo superado uma infância pobre e difícil, Camus logrou, ainda assim, licenciar-se em Filosofia. Não pôde, devido à doença, prosseguir uma carreira no ensino.

Com o advento da segunda guerra mundial, Camus junta-se à resistência francesa, primeiro como jornalista do jornal Combat, tendo posteriormente assumido a sua direção. É nesta época da sua vida que trava conhecimento com Jean-Paul Sartre. Prêmio Nobel da Literatura em 1956, Albert Camus viria a falecer no dia 4 de Janeiro de 1960, num acidente de automóvel (um Facel-Vega dirigido por seu editor Michel Gallimard).

Gostaria, porém, para finalizar, de escrever umas linhas sobre o que esteve na origem do corte de relações entre Camus e Sartre, precisamente quando da publicação de “O Homem Revoltado”.

Esta obra, ao tratar do tema dos extermínios em massa, tocou num ponto sensível do pensamento intelectual parisiense da época. A existência de campos de concentração na URSS era conhecida como um fato, mas no círculo mais próximo de Sartre discutia-se qual a atitude a adotar em relação a esse fato. Camus deixara inequívoco que iria denunciar essas situações e condená-las, repudiando todas as considerações políticas e táticas (aqui, o sociopata José Saramago, deveria ter aprendido alguma coisa...) sobre o assunto. É que, segundo os seus opositores do círculo de Sartre, era inoportuno tomar uma posição clara contra o terror Estalinista, na medida em que, para eles, a existência da União Soviética era ainda a garantia de uma desejada mudança revolucionária. Tais construções intelectuais da história, face às quais o sofrimento humano se torna secundário, são rejeitadas por Camus em nome das vítimas. Nos seus Carnets, escreve: “É fácil pensar a história, mas é difícil a todos aqueles que a sofreram no corpo compreender as suas razões”.

Depois de “O Homem Revoltado” ter sido alvo de uma crítica demolidora na revista Les Temps Modernes, dirigida por Sartre, crítica essa que termina com o anúncio da cessação de qualquer forma de comunicação por parte de Sartre, Camus escreve ainda nos seus Carnets: “Arrivistas do espírito revolucionário, novos-ricos e fariseus da justiça. Sartre, o homem e o espírito, não leal”. Em 1956, perante a sublevação popular na Hungria, pode-se ler, ainda com mais violência: “Intelectuais do progresso. Eles fazem o tricô da dialética. A cada cabeça que cai, eles apanham as malhas das reflexões rasgadas pelos fatos”.

Trata-se, pois, da lógica que justifica a matança de pessoas que são contrárias às idéias dos regimes comunistas, socialistas, esquerdistas, enfim, totalitários. Só na Rússia foram 25 milhões, na China 65 milhões, e no mundo todo mais de 90 milhões constituindo-se no maior genocídio da história da humanidade. Razão pela qual recomendo a leitura deste fantástico livro. (Num estudo de pesquisa mais recente, R.J. Rummel aponta que foram 149 milhões e 500 mil pessoas. Portanto, algo aterrador.)

Lamentavelmente, aqui no Brasil, os esquerdopatas, os sociopatas e os comunalhas que infestam o país, se unem para implantar o regime totalitário na busca desenfreada do poder pelo poder. A grande massa ignara, prisioneira do absurdo, aplaude e ovaciona... a burguesia silencia.

domingo, 1 de junho de 2014

CONHEÇA UM DOS TIRANOS MAIS SANGUINÁRIOS DA HUMANIDADE

STALIN, O TIRANO VERMELHO !
Documentário produzido pelo canal M6 francês com o auxílio do historiador especialista em comunismo, Nicolas Werth. Foi lançado em 2007 na França (Staline: le tyran rouge) e na Espanha (TVE2 - Stalin, el tirano rojo) em 2012. Colorizado - áudio em espanhol - qualidade HD.





quinta-feira, 1 de maio de 2014

PONEROLOGIA: psicopatas no poder

Título original: Political Ponerology (A Science on the Nature of Evil Adjusted for Political Purposes) 
Autor: Andrew Lobaczewski (1921-2007) 
Tradução: Adelice Godoy 
Editora: Vide Editorial 
Assunto: Psicopatia (Ideologias Políticas) 
Edição: 1ª 
Ano: 2014 
Páginas: 298



Sinopse: Neste livro o Dr. Andrzej [Andrew] M. Lobaczewski, brilhante psicólogo polonês, examina a natureza do mal – tradicionalmente considerado como assunto teológico[1] – à luz de conhecimento médico-científico moderno sobre doenças e psicopatias.
O Dr. Lobaczewski verificou que 6% da população dos países analisados era constituída por vários tipos de personalidades desviantes. Uma percentagem menor destes “tipos humanos” era composta de psicopatas genéticos, ou seja, de pessoas que nascem sem consciência, sem dilema moral, verdadeiras máquinas biológicas incapazes de qualquer empatia. Os psicopatas, embora menos numerosos que as pessoas com desordens psicológicas, produzem e propagam o mal em grande escala, superando o mal produzido pelo universo de pessoas com personalidades desviantes.


[1] Ponerologia [do grego Poneros = mal] n. divisão da teologia que lida com o mal.

O autor, em seu prefácio, faz três revelações dramáticas sobre as circunstâncias por trás da composição deste livro antes de chegar ao conhecimento público. Diz ele que este é, na verdade, o terceiro manuscrito que ele criou sobre o mesmo assunto. O primeiro, ele teve que jogá-lo na fornalha de seu aquecedor central, após ter sido avisado em cima da hora sobre uma busca oficial que seria conduzida apenas alguns minutos depois. O segundo rascunho ele enviou a um dignitário da Igreja no Vaticano através de um turista norte-americano, e nunca conseguiu obter qualquer tipo de informação sobre o destino da encomenda depois que saiu de suas mãos. Lobaczewski complementa que os dois primeiros rascunhos foram escritos numa linguagem muito diferente e destinada para o benefício dos especialistas com a bagagem necessária, particularmente no campo da psicopatologia. O desaparecimento da segunda versão também significou a perda da maioria dos dados e fatos estatísticos que teriam sido muito valiosos e conclusivos para especialistas da área. Diversas análises de casos individuais também foram perdidas. Lobaczewski diz que nutre a esperança de que este trabalho possa alcançar uma audiência mais ampla e disponibilizar alguns dados científicos úteis, que possam servir como uma base para a compreensão do mundo e história contemporâneos. Finalmente ele revela que a síntese esperada deste trabalho não aconteceu. Todos os seus contatos se tornaram inoperantes como resultado de uma onda pós-Stálin de repressão e de prisões secretas de pesquisadores no início da década de sessenta. “Levou muitos anos de trabalho solitário para soldar esses fragmentos em um todo coerente, preenchendo as lacunas com minha experiência e pesquisa próprias.”, conclui.

Esta fantástica obra veio a lume em 1984, e somente 30 anos após chega ao Brasil graças ao esforço e denodo da equipe da Vide Editorial. Não fosse a iniciativa desses verdadeiros heróis culturais, muitos deles meus amigos, estaríamos ainda na mais completa escuridão sobre este importantíssimo assunto para toda a humanidade (Anatoli Oliynik).


[1] Ponerologia [do grego Poneros = mal] n. divisão da teologia que lida com o mal.

Apresentação da edição brasileira: Tragédias, Genocídios, Massacres. O homem, em sua breve história, tem sido capaz das mais terríveis atrocidades, deixando em sua história um rastro indelével de maldade e sofrimento. Mas de onde vem esse comportamento? O que permite a vazão do mal por dentro dos grupos humanos e das sociedades a ponto de fomentar as mais nefastas manifestações de maldade, que o homem comum tem sequer a capacidade de compreender?
Os cientistas sociais têm tentado responder a essas perguntas enquanto observam perplexos as manifestações do mal sobre a Terra. Diante de seus olhos, especialmente nos últimos cem anos, regimes cada vez mais assassinos têm se descortinado, numa sequência nefasta de psicopatas detentores de muito poder: Stálin, Mao, Hitler, Pol Pot, Ho Chi Minh, Fidel Castro. Homens que mataram mais do que as pragas, doenças, guerras e cataclismos do passado.
Existe algo que possamos fazer para nos prevenir destas pessoas, que muitas vezes nem conseguimos catalogar como humanas, de tão cruéis e sanguinárias que são? As sociedades modernas podem se utilizar da história recente para evitar a repetição das tragédias que assolaram o século XX? Que conhecimento é esse e em que ramos da ciência ele se encontra?

A resposta é muito simples: precisamos estudar a Ponerologia.

Excerto do prefácio: “Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem po cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum.”
"Mas o que o dr. Lobaczewski e seus colaboradores descobriram foi muito além desse ponto. Eles descobriram, em primeiro lugar, que só uma classe de psicopatas tem a agressividade mental suficiente para se impor a toda uma sociedade por esses meios. Segundo: descobriram que, quando os psicopatas dominam, a insensitividade moral se espalha por toda a sociedade, roendo o tecido das relações humanas e fazendo da vida um inferno. Terceiro: descobriram que isso acontece não porque a psicopatia seja contagiosa, mas porque aquelas mentes menos ativas que, meio às tontas, vão se adaptando às novas regras e valores, se tornam presas de uma sintomatologia claramente histérica, ou histeriforme. O histérico não diz o que sente, mas passa a sentir aquilo que disse – e, na medida em que aquilo que disse é a cópia de fórmulas prontas espalhadas na atmosfera como gases onipresentes, qualquer empenho de chamá-lo de volta às suas percepções reais abala de tal modo a sua segurança psicológica emprestada, que acaba sendo recebido como uma ameaça, uma agressão, um insulto.” (Olavo de Carvalho).
Excertos da obra: "Esta civilização foi insuficientemente  resistente ao mal, o qual se origina além das áreas da consciência humana facilmente acessíveis e que tira vantagem da enorme lacuna entre o pensamento formal ou legal e a realidade psicológica. Em uma civilização deficiente  no conhecimento psicológico, indivíduos hiperativos direcionados pelas suas dúvidas internas, que são causadas por uma sensação de ser diferente, encontram facilmente um eco pronto nas consciências pouco desenvolvidas de outras pessoas. Tais indivíduos sonham em impor seu poder e seus diferentes modos de experimentar sobre seus ambientes e sua sociedade. Infelizmente, em uma sociedade ignorante psicologicamente, seus sonhos têm uma boa chance de se tornar realidade para eles e um pesadelo para os outros."
"Para entender o funcionamento de um organismo, a medicina começa com a citologia, que estuda as diversas estruturas e funções das células. Se queremos entender as leis que governam a vida social, nós devemos, de forma similar, primeiro entender o ser humano individual, sua natureza fisiológica e psicológica, e aceitar  totalmente a qualidade e a perspectiva das diferenças (particularmente as psicológicas) entre os indivíduos que constituem os dois sexos, as diferentes famílias, associações e grupos sociais, bem com a estrutura complexa da sociedade mesma."
"A interpretação tradicional das grandes doenças históricas já ensinou aos historiadores a distinguir duas fases. A primeira é representada por um período de crise espiritual na sociedade, associada ao esgotamento dos valores morais, religiosos e ideativos, que até então alimentavam a sociedade. O egoísmo aumenta entre os indivíduos e os grupos sociais, e as ligações entre a obrigação moral e as conexões sociais parecem se afrouxar. Assuntos sem importância, em seguida, dominam as mentes humanas em tal extensão que não há espaço sobrando para pensar sobre assuntos públicos ou para um sentimento de comprometimento com o futuro. Uma atrofia da hierarquia de valores no pensamento dos indivíduos e das sociedades é também uma indicação disso (...). O governo do país é finalmente paralisado, impotente frente aos problemas que poderiam ser resolvidos sem grande dificuldade sob outras circunstâncias."
Sobre o autor: Dr. Andrew [Andrzej] M. Lobaczewski nasceu na Polônia, em 1921, e estudou psicologia na Universidade Jagiellonian em Cracóvia. Trabalhando em hospitais gerais e psiquiátricos, o autor desenvolveu  suas habilidades em diagnóstico clínico e em psicoterapia. Sistematizou toda a pesquisa de um grupo de cientistas do Leste Europeu - do qual fez parte - que dedicava-se ao estudo de desordens de personalidade em líderes políticos de regimes totalitários. Todos os seus pares foram presos ou exterminados, restando a ele recuperar e apresentar ao mundo as conclusões alcançadas nessa corajosa investigação.
Em 1977, quando as autoridades suspeitaram que ele tinha muito conhecimento sobre a natureza patológica do sistema, ele foi forçado a emigrar. A presente obra foi escrita em Nova Iorque, em 1984, mas todas as tentativas de publicação, naquela ocasião, não foram bem sucedidas. O autor retornou à Polônia em 1990 e faleceu em novembro de 2007, aos 86 anos de idade.