"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"

terça-feira, 26 de maio de 2009

A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA

A Grande Guerra e o Nascimento da Era Moderna
Autor: Modris Eksteins
Tradução: Rosaura Eichenberg
Editora: Rocco
Assunto: História geral
Edição: 2ª
Ano: 1991
Páginas: 480

A sagração da primavera descreve as origens, o impacto e as conseqüências da Grande Guerra de 1914-1918.

O título do livro remete ao famoso balé de Stravinsky estreado em Paris pelos Ballets Russes de Diaghilev em 29 de maio de 1913. A platéia fica chocada diante do bárbaro ritual que sacrifica uma virgem para que renasça a primavera.

A dança da explosiva primavera russa mostrou aos espectadores parisienses uma jovem que personificava a renovação ritual da vida num bailado que culminava com sua morte — Stravinsky dera originalmente à sua obra o título de A vítima. O mito levado à cena não tardou a ser aceito como uma espécie de roteiro para uma Nova Era. Em toda a parte artistas e intelectuais clamavam por algo novo, por uma "purificação" do mundo. Hermann Hesse, em sua obra "Demian", assevera: "Antes me havia perguntado muitas vezes por que eram tão poucos os homens que conseguiam viver por um ideal. Agora percebia que todos os homens eram capazes de morrer por um ideal".
Quinze meses depois, num frenesi de paixão pelo novo, grandes multidões se reuniam nas capitais da Europa em manifestação a favor da guerra, enquanto alguns aclamavam a chegada de um Mundo Novo, milhões de jovens se apresentavam como voluntários para morrer em nome de uma nova era política, em que a devastação e a criação trocaram de lugar.

O balé de Stravinsky é o marco do modernismo, sugere o seu motivo principal: o movimento, um dos símbolos supremos do século XX. Centrífugo e paradoxal, quando na luta pela liberdade adquirimos o poder da destruição final. É a dança da morte, com sua ironia niilista e orgiástica.

Em pouco tempo a Europa se viu diante de todo o horror desse novo tipo de devastação. Quatro anos de guerra de trincheira produziram o fim prometido. "Tudo mudado, mudado completamente", escreveu o poeta Yeats: "Uma nova beleza acaba de nascer". Entretanto, passada a guerra, uma depressão profunda tomou conta da Europa, interrompida apenas por pestes, insurreições, inflação, êxodos.

Comentários da obra: O historiador Modris Eksteins descreve nesta obra as estranhas alterações da consciência humana que a guerra provocou e que padrões de comportamento e intelectualidade emergiram do conflito.

"A Grande Guerra", escreve Modris Eksteins, "foi o momento crítico... do modernismo como um todo. A pulsão de criar e a pulsão de destruir tinham trocado de lugar". O efeito último da guerra foi a versão hitlerista da realidade, revelada na criação e destruição do Terceiro Reich. A sagração da primavera se encerra com o suicídio de Hitler na primavera de 1945 dentro do bunker construído no subsolo da Berlim sitiada.

É preciso registrar que a Alemanha foi o país que mais profundamente incorporou a mentalidade revolucionária, o maior flagelo que se abateu sobre a humanidade em toda a sua história.


Excertos da obra:

“... os alemães inclinavam-se a considerar seu país como uma força progressista e libertadora que introduziria uma nova honestidade nos arranjos de poder do mundo.”

“Quando rebentou a guerra, os alemães estavam convencidos... de sua ‘superioridade moral’, de sua ‘força moral’ e de seu ‘direito moral’.”

“A Alemanha representava o novo, o diferente, o perigoso.”


Sobre o autor: Modris Eksteins é professor de história na Universidade de Toronto. É autor de inúmeros livros sobre a Alemanha como “Theodor Heuss um die Weimarer Republik” e “The limits of reason: the German democratic press and the colapse of Weimar democracy”.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O IMBECIL COLETIVO I - Atualidades Inculturais brasileiras

Autor: Olavo de Carvalho
Editora: É REALIZAÇOES
Assunto: Ensaio
Edição: 1ª
Ano: 2006
Páginas: 632

Sinopse: 'O imbecil coletivo' encerra a trilogia iniciada com 'A nova era e a revolução cultural' (1994) e prosseguida com 'O jardim das aflições' (1995). Cada um dos três livros pode ser compreendido sem os outros dois. Mais difícil é, por um só deles, captar o fundo do pensamento que orienta a trilogia inteira. A função de 'O imbecil coletivo' na coleção é bastante explícita e foi declarada no prefácio - descrever, mediante exemplos, a extensão e a gravidade de um estado de coisas - atual e brasileiro - do qual a nova era dera o alarme e cuja precisa localização no conjunto da evolução das idéias no mundo fora diagnosticada em 'O jardim das aflições'.


Último jasmim despetalado do canteiro da inteligência no Brasil

Um sopro de vida intelectual em meio a enfisema pulmonar da inteligência no Brasil. Com uma ironia de Padre Vieira e uma linguagem muitíssimo bem trabalhada, que não torna nunca a sua ''inexaurível erudição'' maçante, o autor desfaz centenas de cacoetes imbecilizantes das pessoas que, a partir dos anos sessenta, tomaram a inteligência nacional de assalto e puseram-na a serviço de uma ideologia genocida, chamando-se a si mesmas de ''intelectuais''. O autor retoma a verve da crítica severa e corajosa, perigosamente extinta, de velhos mestres como Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues, e mesmo Silvio Romero e José Veríssimo, os fundadores da crítica nacional, acabando com décadas de afagos mútuos que não são mais que uma inibição a qualquer tentativa de pensamento e, no fim das contas, um burro protegendo a outro. As reações ao livro (incluídas todas nas suas edições posteriores), lançado em 96, rigorosamente provaram o seu conteúdo – ao ponto de, à força de incluí-las, o autor quase dobrar o tamanho do livro da primeira para quarta edição. Enfim, como à época de sua primeira edição disse Paulo Francis: ''Livro imperdível. Exijam dos livreiros.'' OBS .: ''O Ministério da Saúde adverte: 'O Imbecil Coletivo' faz mal aos imbecis individuais.''
Lendo essa obra, você entenderá porque a psicose socialista habita na mente dos brasileiros.

terça-feira, 12 de maio de 2009

UTOPIA BRASILEIRA

Autor: José Osvaldo de Meira Penna
Editora: Itatiaia Editora
Assunto: Ciências sociais
Edição: 1ª
Ano: 1988
Páginas: 254

Sinopse: A obra trata de aspectos da psicologia coletiva brasileira. O autor aborda sob todos os ângulos possíveis, a análise da função intuitiva na alma nacional, ou seja, a psicologia da mente utópica.

Essa intuição que supre a carência do brasileiro em termos de atividade cerebrina pura e de racionalidade de comportamento, que permite a superação prática das contradições e inércias que tolhem os passos da nação no caminho do desenvolvimento e da cultura. Esse singular talento em “dar um jeito” nos grandes impasses da situação, o rasgo da solução genial que cai do céu no momento oportuno, a escapatória futurista para os problemas econômicos, sociais e políticos.

Aristhóphanes, primeiro de uma série de humoristas terre-à-terre que mofaram dos utopistas, escreveu uma comédia para demonstrar que vivem nas "Nuvens"... O objetivo de sua crítica era Sócrates. Mas a expressão pegou. O "sonho que se realizou" é a grande recompensa do nefelibata, mas, na maior parte das vezes - não sendo ninguém profeta em sua terra - a visão desvendada ao povo cético e ignaro será recolhida por outros que, mais tarde, comprovarão a justeza da fantasia. E ela deixará então de ser aquilo que o filisteu sempre diz que ela é: justamente uma utopia! Ora, precisamente porque somos, os brasileiros, além de tipos essencialmente afetivos, também grandes intuitivos, com um desenvolvimento ainda rudimentar das funções intelectuais e racionais empíricas, encaminha-se nossa imaginação popular para o sonho utópico, a procura do mito, a expectativa milenarista e o culto da personalidade messiânica (o Sebastianismo) - criando, no processo, uma tensão social que é imensamente criativa.

Esse o tema precípuo da análise efetuada na presente obra: desvendar a maneira brasileira de ser mediante uma investigação de natureza psicológica.

Por essas caracteríticas de ser do brasileiro é que o socialismo, marxismo e comunismo, etapas evolutivas da utopia, encontram campo fértil, no Brasil, para estabelecer a irracionalidade, a psicose e o caos humano na busca desenfreada de um Estado provedor, patrimonialista e paternalista.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A ILHA

Autor: Aldous Huxley
Tradução: Gisela Brigitte Laub
Editora: Globo
Assunto: Romance
Edição: 1ª
Ano: 2001
Páginas: 443

Sinopse: A Ilha traz a história de um jornalista, Will Faranaby, e seu encontro com uma sociedade baseada na “liberdade”. Tal paraíso fica em Pala, uma ilha situada na Indonésia.

Aldous Huxley fala de uma sociedade idealizada tendo uma ilha fictícia como palco de uma civilização que persegue serenamente a felicidade. Lá a utopia da existência plena é possível.

A Ilha é o mundo criado pelas utopias psicoterapêuticas e orientalistas dos anos 50-60. Huxley captou antecipadamente a loucura por trás de tudo isso, e é precisamente essa antevisão que dá o tema deste romance.

Comentários: Escrito em 1962 é o penúltimo livro publicado por Aldous Huxley. Imagina-se, equivocadamente, que “A Ilha” encaixou como uma luva na atmosfera cultural americana da época, a fase hippie da contracultura, quando jovens de classe média, orientados por gurus como Timothy Leary, Allen Ginsberg, Robert Laing, Carlos Castañeda, Roberto Crumb, Herbert Marcuse (um marxista da Escola de Frankfurt), Jack Kerouac e Alan Watson, questionavam os valores dominantes, como família, religião, moral e a guerra no Vietnã.

A sociedade da ilha de Pala, descrita na obra, foi recebida como uma síntese da sociedade utópica que estes jovens queriam opor à sociedade industrial de consumo que, paradoxalmente, havia tornado o cidadão americano médio rico como nunca. Acontece que, A Ilha, na verdade, é o mais temível inquérito sobre o auto-engano da geração que o aplaudiu. No ambiente de entusiasmo utópico da época, seria impossível que os leitores o compreendessem. Isso teria exigido deles um realismo cruel, que mesmo à distância de várias décadas ainda parece difícil de suportar, tão contaminados das ilusões e mentiras dos anos 60 permanecemos hoje. Daí que, deslizando sobre a superfície da narrativa, quase todos os leitores deixassem escapar os detalhes mais importantes, nos quais se esconde o sentido mesmo da última lição de um sábio.


PREFÁCIO DE OLAVO DE CARVALHO


Os críticos acusaram freqüentemente os personagens de Huxley de não ser propriamente seres humanos, mas apenas símbolos de idéias.

Contra essa censura posso levantar de imediato três objeções:

1) Mesmo que ela fosse certa, não bastaria para arrasar de vez a reputação de Huxley como ficcionista, de vez que crítica semelhante já se fez a Swift e Voltaire.

2) Ela não é propriamente uma censura, mas a definição mesma do gênero “sátira”, no qual se incluem, de algum modo (já veremos qual), as principais obras de Huxley. Não é possível satirizar os seres humanos naquilo que têm de pessoal e autêntico, mas só no que têm de exterior, de típico, de copiado e de mecânico.

3) Mas as histórias de Huxley escapam mesmo às limitações intrínsecas do gênero satírico. É verdade que Lenina Crowne ou Bernard Trotsky, em O Admirável Mundo Novo, assim como Will Farnaby, Robert MacPhail ou o embaixador Bahu, em A Ilha, não são realmente pessoas de carne e osso: são encarnações das utopias, sonhos e ilusões da intelectualidade ocidental. Mas se malgrado essa sua origem puramente intelectual seus destinos nos interessam e nos comovem como os de gente de verdade, é pelo fato de que, no século XX, o poder enormemente ampliado da mídia cultural fez com que as idéias passassem a ter uma influência formadora mais direta e decisiva sobre os corações humanos. Símbolos, frases-feitas, emoções e trejeitos mentais criados pelos intelectuais fincaram raízes tão profundas no subconsciente das pessoas, que se tornaram, em muitos casos, indiscerníveis das reações pessoais autênticas. É olhar e ver: muitas personalidades em torno de nós são realmente, literalmente, traslados de modas intelectuais. Esses tipos só são cômicos e artificiais quando vistos do exterior, e nossa reação perante eles é ambígua: não conseguimos nem compartilhar de seus sentimentos ao ponto de sofrer por eles, nem desidentificar-nos deles o bastante para torná-los definitivamente cômicos. Pois todos nós, uns mais, outros menos, macaqueamos as modas culturais, e este é um destino inescapável do homem moderno: nem possuímos mais aquele fundo comum de valores e símbolos que permitia ao camponês da Idade Média ser ele mesmo justamente porque era igual a todos, nem nos tornamos tão prodigiosamente individualizados que possamos inventar nossa própria linguagem. A única autenticidade possível ao homem moderno é um arranjo mais ou menos pessoal de modelos mais ou menos copiados.

É nessa zona indistinta entre o discurso coletivo e a emoção autêntica, entre a macaquice intelectual e a vida pessoal efetiva que Huxley colhe seus personagens. Daí sua maior originalidade como ficcionista – sua capacidade de fazer o leitor vivenciar o jogo das idéias estereotipadas como se fosse um drama humano de verdade. Por isso suas obras não podem rotular-se categoricamente como sátiras, já que participam, a um tempo, da sátira e do drama: sátira das idéias, drama dos erros e sofrimentos humanos que essas idéias geraram ao transformar-se em ações. É precisamente essa visão intermediária entre a sátira e o drama que o habilita a sondar com olhar profético o futuro que se gera no ventre das idéias. Cada um de seus romances é como aquele fantasma do poema de Heine que acordava um homem de madrugada e, de espada em punho, o ameaçava: “Eu sou a ação dos teus pensamentos.”

Muito do que Aldous Huxley escreveu é a dramatização satírica das idéias que se tornaram vida pessoal e tragédia pessoal entre os intelectuais midiáticos, aqueles seres meio cultos, meio ignorantes, que desfrutam do privilégio maior da mediocridade -- falar a linguagem média -- e que por isto dão o tom dos debates públicos, encarnando a personalidade das épocas. Essas criaturas são as testemunhas principais que o historiador das idéias interroga. Por exemplo, quem queira conhecer a mentalidade do século XVIII não irá sondar as profundezas abissais da ciência de Leibniz, mas deslizar sobre as superfícies brilhantes de Voltaire e Diderot. Os grandes espíritos não pertencem propriamente à sua época: uma parte do seu ser está mergulhada num passado imemorial, a outra projeta-se num futuro inalcançável, e só uma parcela ou recorte deles é visível a seus contemporâneos. Mas a mente do intelectual médio é o ponto de intersecção dos horizontes de consciência da sua época: o que aparece na sua tela interior é aquilo que todos vêem ao mesmo tempo, a coincidência de todos os recortes, a interconfirmação de todas as percepções e de todas as cegueiras. Por isto seu discurso é tão bem recebido por seus contemporâneos, e por isto é tão fácil, das suas palavras, deduzir o que “o público” pensava.

O intelectual médio é ao mesmo tempo o porta-voz e o eco das modas culturais. Mesmo quando as critica, não vai além delas, limitando-se a opor uma moda a outra moda, como aqueles que, hoje em dia, opõem ao socialismo a utopia neoliberal, ou vice-versa, sem ter a mínima idéia do parentesco que os une.

Huxley era um ouvido especialmente atento às conversações dos intelectuais médios, das quais ele não apenas captava com facilidade o “espírito da época”, mas inferia as mais espantosas e acertadas conclusões sobre o rumo que as coisas iriam tomar se aquelas idéias, em vez de esgotar-se como puras futilidades de salão, fossem levadas à prática como modelos do mundo futuro. O Admirável Mundo Novo é o mundo que teria resultado – e que de certo modo resultou – da aplicação das modas intelectuais da década de 30. A Ilha é o mundo criado pelas utopias psicoterapêuticas e orientalistas dos anos 50-60.

Aldous Huxley morreu antes de que essas idéias tomassem corpo na cultura da “New Age” e, partindo das esperanças utópicas de um novo mundo de sanidade e autoconhecimento, desembocasse na tragédia mundial das drogas, das seitas escravizadoras, das experiências psíquicas autodestrutivas. Não obstante, ele captou antecipadamente a loucura por trás de tudo isso, e é precisamente essa antevisão que dá o tema deste romance.

Publicado em 1963, este livro foi lido como uma espécie de antítese do Admirável Mundo Novo. Enquanto o romance de 1932 trazia o retrato de uma sociedade opressiva e mecanizada, da qual toda espontaneidade humana tinha sido extirpada em benefício da ordem e da produtividade, a ilha de Pala era como que a materialização dos sonhos de liberdade da geração flower power: amor livre, religiosidade sem dogmas, respeito às diferenças individuais, incentivo à expressão das emoções, tudo num ambiente ecológico de reverência pela natureza.

Sublinhava essa interpretação o fato de que a utopia fosse, no capítulo final, brutalmente destruída pelos tanques da vizinha ilha de Rendang-Lobo, encarnação de tudo o que a juventude dos anos 60 mais odiava: industrialismo, militarismo, religião tradicional, lei e ordem.

Compreendido assim, A Ilha não era senão a tradução ficcional de lugares-comuns da retórica esquerdista da época, mista de “New Age” e “New Left”. Daí o imenso sucesso do livro. Ele parecia dizer tudo o que a geração mais pretensiosa de todos os tempos queria ouvir. Mesmo a derrota da utopia, em vez de ter um efeito deprimente, parecia exaltá-la até às nuvens: Pala fôra destruída por ser boa demais para este mundo, como Che Guevara, derrotado pelo mais pífio exército sul-americano, transcendia no mesmo ato os julgamentos humanos e subia aos céus como um Ersatz comunista de Jesus Cristo.

Êxitos de livraria baseados em equívocos de interpretação não são raros na história da literatura. Na verdade, A Ilha é o mais temível inquérito sobre o auto-engano da geração que o aplaudiu. No ambiente de entusiasmo utópico da época, seria impossível que os leitores o compreendessem. Isso teria exigido deles um realismo cruel, que mesmo à distância de quatro décadas ainda parece difícil de suportar, tão contaminados das ilusões e mentiras dos anos 60 permanecemos hoje. Daí que, deslizando sobre a superfície da narrativa, quase todos os leitores deixassem escapar os detalhes mais importantes, nos quais se esconde o sentido mesmo da última lição de um sábio.

Em primeiro lugar, a destruição de Pala não vem do exterior. É o próprio príncipe herdeiro, Murugan, quem atrai os estrangeiros para ajudá-lo no golpe militar destinado a romper o equilíbrio do paraíso agrícola e colocar o país, pela força, na modernidade industrial. Os ideais da “geração Woodstock”, com efeito, apenas usavam a linguagem do primitivismo agrícola como veículos de expressão de seu ódio à sociedade industrial, mas essa revolta era, ela própria, um fenômeno da intelectualidade urbana e universitária, e supunha uma dose de liberdade de expressão e meios de comunicação que seriam inconcebíveis em qualquer sociedade agrícola. Quando Murugan acusa os governantes de Pala de “conservadores e reacionários”, ele põe o dedo na ferida: os ideais que produziram Pala jamais poderiam ter surgido numa economia como a de Pala. A utopia não é destruída do exterior, mas explodida desde dentro, pela sua autocontradição congênita.

Em segundo lugar, os golpistas, tão parecidos com os militares do Terceiro Mundo nos seus métodos de modernização autoritária, nada têm de conservadores e tradicionalistas na sua ideologia. Murugan, bisneto do Velho Rajá, o fundador de Pala e autor do livro sapiencial em que se inspira o regime da ilha, acaba se voltando contra as tradições locais por influência de sua mãe, a rani Fátima, a qual durante sua formação cultural na Europa recebera a influência dos ensinamentos teosóficos de Helena Blavatsky, tornando-se devota dos “Mestres do Astral”, especialmente um tal Koot-Hoomi -- figura inconfundivelmente diabólica segundo todos os cânones da religião tradicional -- , em cima de cujas concepções se forma a aliança entre a família real de Pala e os militares de Rendang-Lobo. Ora, teosofismo e mensagens de Koot-Hoomi são elementos inconfundíveis da própria ideologia “New Age”. Embora já um tanto velhos na época, foram reaproveitados na onda geral de orientalismo pop com que o movimento dos jovens atacava e corroía as bases cristãs da sociedade Ocidental.

Os militares de Rendang-Lobo também não são, de maneira alguma, “a direita”. Estão ansiosos para fazer negócios com a Standard Oil só para poder comprar armas do bloco soviético e dar prosseguimento ao seu sonho macabro de “revolução permanente”. Seu chefe, o Cel. Dipa, é uma espécie de Chavez avant la lettre. Seu modernismo revolucionário representa a outra face da ideologia “jovem” dos anos 60: o lado brutal e sanguinário personificado pelos Black Panthers, por Ho-Chi-Minh e Fidel Castro. Pala não é destruída por seus inimigos, mas pela contradição interna da mais mentirosa ideologia de todos os tempos, a ideologia da esquerda norte-americana dos anos 60, que pretendia encarnar o espírito de “paz e amor” ao mesmo tempo que espalhava no mundo “um, dois, três, muitos Vietnãs”.

Ainda mais significativo é que a origem das concepções utópicas do regime de Pala remontasse à fusão de vagos remanescentes do budismo tântrico com as idéias de evolucionismo biológico trazidas, no século passado, por um médico escocês, meio sábio, meio charlatão, que adquirira prestígio na ilha curando uma misteriosa doença de seu governante por meio do “magnetismo animal”. Essa mistura de budismo heterodoxo, evolucionismo e magnetismo compõe a fórmula inconfundível do teosofismo de Madame Blavatsky. Assim, a raiz do utopismo anárquico de Pala e do modernismo autoritário de seu príncipe golpista é, rigorosamente, a mesma.

Para tornar as coisas ainda mais estranhas, o teosofismo de Blavatsky foi, notoriamente, um instrumento usado pelo imperialismo inglês para corroer as tradições religiosas autênticas das nações orientais e torná-las mais vulneráveis à dominação cultural estrangeira por meio de um entorpecente pseudo-espiritual fabricado em Londres por uma vigarista russa. [1]

Pelo lado da ideologia palanesa, portanto, o lixo ancestral não é menos fedorento que o teosofismo explícito de Rendang-Lobo. Já no segundo capítulo do livro, o náufrago Will Farnaby, traumatizado pelo perigo recente, é curado de seus males pelo método freudiano da ab-reação no curso de uma psicoterapia improvisada... por uma garota de nove anos. Mary Sarojini MacPhail, a garota, neta do atual guru médico da ilha, resume na sua pessoinha os princípios de educação e ética ali vigentes: são os princípios do sincerismo, do “botar para fora”, que os “grupos de encontro” e as técnicas psicoterápicas de “sensibilização” e “liberação” disseminaram no mundo a partir de Esalen, Califórnia, e que marcaram inconfundivelmente a atmosfera dos anos 60. O festival de experimentos psíquicos e “liberações” desembocou no império mundial dos traficantes de drogas e na transformação da delinqüência juvenil (e infantil) numa catástrofe global de proporções incontroláveis. Na época, porém, prometia um novo mundo de espontaneidade e sanidade. Todas as crianças de Pala são versadas em “auto-expressão”, aquela confissão simplória e cínica dos próprios maus sentimentos que, teoricamente, os tornaria inofensivos. O fato é que a “auto-expressão”, ensinada em grupos-de-encontro por psiquiatras e psicoterapeutas “libertadores” nos conventos católicos, suscitou entre as monjas uma epidemia de lesbianismo e de casos amorosos com seus terapeutas, levando praticamente à destruição de várias ordens religiosas. De braços dados com o pseudo-orientalismo, a “libertação” psicoterápica abriu caminho para que milhões de jovens abandonassem o cristianismo e se entregassem às mais tirânicas manipulações psíquicas nas mãos de seitas delinqüenciais como “Love Family”, que, em nome da expressão espontânea das emoções, obrigava crianças de quatro anos de idade a submeter-se, junto com seus pais, à prática de sexo grupal. A imensidão dos danos psicológicos trazidos a essa geração jamais poderá ser medida exatamente. As tristezas e as vergonhas acumuladas são demasiado profundas para vir à tona. Documentos aterrorizantes acumulam-se, em pilhas, nos milhares de clínicas especializadas em tratamentos de egressos de seitas, sobretudo ao longo da Costa Oeste americana -- o lugar onde nasceria, segundo a promessa da época, a nova civilização de sanidade, paz e amor. [2]

Os efeitos terrificantes, porém, não nasceram do mero acaso. Fruto e raiz têm sua continuidade lógica. Os “grupos-de-encontro” nasceram da pesquisa militar sobre guerra psicológica e controle comportamental. Um de seus pioneiros, Kurt Lewin, já na década de 40 havia chegado à conclusão de que a pressão sutil e disfarçada do grupo era o meio mais efetivo de produzir mudanças de comportamento. A lição foi bem aprendida por Carl Rogers, Fritz Perls, Abraham Maslow e outros criadores dos “grupos-de-encontro” da década de 60. A “liberação”, em suma, não passava de “engenharia do consentimento”. Lewin e seus sucessores haviam descoberto um tipo de controle comportamental infinitamente mais eficiente e irresistível do que todas as técnicas descritas no Admirável Mundo Novo. Como admitiu um dos praticantes do método, Robert Blake, ex-aluno de Lewin no Tavistock Institute de Londres (a principal academia inglesa de guerra psicológica), “não importa quanto o orientador desses grupos tente ser não-diretivo, ele será ainda sutilmente ditatorial e até mais ditatorial (por causa da sua sutileza) do que o mais rígido adestrador, porque todo o controle está escondido”. [3] Por uma coincidência que neste contexto adquire as dimensões de um símbolo, Blake dirigiu um desses grupos justamente na Standard Oil – a empresa com a qual o príncipe herdeiro Murugan está louco para fazer negócios.

Após presenciar uma sessão de “educação para o amor” das crianças de Pala, Will Farnaby, o visitante trazido pelo naufrágio, protesta: “Isto é puro Pavlov!”. O instrutor, com aquele ar beatífico de tantos lavadores de cérebros da década de 60, responde: “Pavlov usado exclusivamente com bom propósito. Pavlov para a amizade, para a confiança, para a compaixão.”

Tanto pelas suas origens blavatskianas quanto pelos métodos de dirigismo sutil, a ideologia palanesa é irmã gêmea do autoritarismo de Rendang-Lobo. A Ilha não é a tragédia de um paraíso de liberdade destruído pela invasão de militares malvados: é a tragédia da autodestruição de uma utopia intrinsecamente má e mentirosa envolta em belas palavras.

No momento culminante da narrativa, Will Farnaby, finalmente rendido aos encantos da “religião sem dogmas” dos palaneses, resolve experimentar a moksha, a erva alucinógena ritual que, em vez de precipitar somente o consumidor num estado de apatetado bem-estar como o soma do Admirável Mundo Novo, lhe abriria as portas do conhecimento transcendental. Nos primeiros instantes, Will “vê a luz”, ou pelo menos pensa que vê. Mergulha num estado de beatitude indescritível e supõe ter conhecido o próprio Deus. De repente, a visão se transfigura. Abrem-se as portas do inferno: vermes horrendos aparecem misturados à figura de Adolf Hitler que gesticula e berra. A visão de Will mostra a verdadeira natureza da religião palanesa: uma religião de “experiências psíquicas”, incapaz de transcender a dualidade cósmica e elevar-se ao reino da eternidade. É a religião dos “grupos-de-encontro”, o substitutivo postiço que uma estratégia política oportunista quis substituir ao cristianismo. Tão logo Will emerge do transe, ele ouve os primeiros tiros do exército invasor: é a mentira essencial de Pala que se desfaz ao mesmo tempo que a falsa visão espiritual.

Poucos livros foram tão fundo na compreensão do auto-engano congênito da cultura contemporânea. Perto da pedagogia palanesa da ilusão, as técnicas de controle social do Admirável Mundo Novo parecem ingênuas e rudimentares, assim como perto da engenharia comportamental dos anos 60 o totalitarismo explícito da década de 30 parece coisa de orangotangos. O diagnóstico impiedoso do neototalitarismo mental dos anos 60 não pôde ser compreendido por seus contemporâneos. Eles estavam embriagados na mentira nascente, e a antevisão de Huxley passou léguas acima de suas cabeças. Mas, hoje, vivemos no mundo criado por aqueles malditos “jovens idealistas” dos anos 60. As técnicas de controle social e engenharia do consentimento já não são experiências limitadas, efetuadas na privacidade de grupos-de-encontro: são o dia a dia das escolas públicas, onde nossos filhos se encontram à mercê daquilo que Pascal Bernardin chamou “ministério da reforma psicológica”. [4] Tal como Mary Sarojini MacPhail, cada criança, submetida à pressão sutil do grupo, aí adota alegremente as condutas desejadas, sem ter a mínima idéia de possíveis alternativas. Nos EUA, os resultados da adoção maciça dessas técnicas no ensino já são patentes: os índices assustadores de consumo de drogas e a criminalidade infantil nas escolas públicas levam muitos pais a preferir educar seus filhos em casa, enquanto a Prefeitura de Nova York, admitindo-se incapaz de controlar a violência das crianças, privatiza suas escolas como quem entrega um fardo superior às suas forças. No Brasil, esse processo ainda está no começo, mas basta ler os “Parâmetros Curriculares Nacionais” do Ministério da Educação para perceber que a engenharia de comportamento aí predomina amplamente sobre a formação intelectual e a instrução moral honesta. O espírito dos “grupos de encontro” dos anos 60 tomou conta da pedagogia universal, firmemente decidido a “libertar” as crianças do legado da civilização cristã. Quando a “libertação” mostrar sua outra face, quando Pala revelar sua identidade com Rendang-Lobo, haverá choro e ranger de dentes. Mas, como aconteceu com a geração de 60, nenhum dos autores da tragédia reconhecerá suas culpas: cada um deles se proclamará um idealista traído pelos rumos imprevisíveis da História e, revigorado pelo sentimento de inocência, tirará da cartola um novo projeto de “mundo melhor”.

Aldous Huxley escreveu este livro para nos advertir da culpa monstruosa que se oculta por trás da inocência dos idealistas.

22/4/2001
 

O filósofo Olavo de Carvalho faz uma análise precisa desta obra que reproduzo a seguir:

Em primeiro lugar, a destruição de Pala não vem do exterior. É o próprio príncipe herdeiro, Murugan, quem atrai os estrangeiros para ajudá-lo no golpe militar destinado a romper o equilíbrio do paraíso agrícola e colocar o país, pela força, na modernidade industrial. Os ideais da “geração Woodstock”, com efeito, apenas usavam a linguagem do primitivismo agrícola como veículos de expressão de seu ódio à sociedade industrial, mas essa revolta era, ela própria, um fenômeno da intelectualidade urbana e universitária, e supunha uma dose de liberdade de expressão e meios de comunicação que seriam inconcebíveis em qualquer sociedade agrícola. Quando Murugan acusa os governantes de Pala de “conservadores e reacionários”, ele põe o dedo na ferida: os ideais que produziram Pala jamais poderiam ter surgido numa economia como a de Pala. A utopia não é destruída do exterior, mas explodida desde dentro, pela sua autocontradição congênita.

Em segundo lugar, os golpistas, tão parecidos com os militares do Terceiro Mundo nos seus métodos de modernização autoritária, nada têm de conservadores e tradicionalistas na sua ideologia. Murugan, bisneto do Velho Rajá, o fundador de Pala e autor do livro sapiencial em que se inspira o regime da ilha, acaba se voltando contra as tradições locais por influência de sua mãe, a rani Fátima, a qual durante sua formação cultural na Europa recebera a influência dos ensinamentos teosóficos de Helena Blavatsky, tornando-se devota dos “Mestres do Astral”, especialmente um tal Koot-Hoomi -- figura inconfundivelmente diabólica segundo todos os cânones da religião tradicional -- , em cima de cujas concepções se forma a aliança entre a família real de Pala e os militares de Rendang-Lobo. Ora, teosofismo e mensagens de Koot-Hoomi são elementos inconfundíveis da própria ideologia “New Age”. Embora já um tanto velhos na época, foram reaproveitados na onda geral de orientalismo pop com que o movimento dos jovens atacava e corroía as bases cristãs da sociedade Ocidental.

Os militares de Rendang-Lobo também não são, de maneira alguma, “a direita”. Estão ansiosos para fazer negócios com a Standard Oil só para poder comprar armas do bloco soviético e dar prosseguimento ao seu sonho macabro de “revolução permanente”. Seu chefe, o Cel. Dipa, é uma espécie de Chavez avant la lettre. Seu modernismo revolucionário representa a outra face da ideologia “jovem” dos anos 60: o lado brutal e sanguinário personificado pelos Black Panthers, por Ho-Chi-Minh e Fidel Castro. Pala não é destruída por seus inimigos, mas pela contradição interna da mais mentirosa ideologia de todos os tempos, a ideologia da esquerda norte-americana dos anos 60, que pretendia encarnar o espírito de “paz e amor” ao mesmo tempo que espalhava no mundo “um, dois, três, muitos Vietnãs”.

Ainda mais significativo é que a origem das concepções utópicas do regime de Pala remontasse à fusão de vagos remanescentes do budismo tântrico com as idéias de evolucionismo biológico trazidas, no século passado, por um médico escocês, meio sábio, meio charlatão, que adquirira prestígio na ilha curando uma misteriosa doença de seu governante por meio do “magnetismo animal”. Essa mistura de budismo heterodoxo, evolucionismo e magnetismo compõe a fórmula inconfundível do teosofismo de Madame Blavatsky. Assim, a raiz do utopismo anárquico de Pala e do modernismo autoritário de seu príncipe golpista é, rigorosamente, a mesma.

Para tornar as coisas ainda mais estranhas, o teosofismo de Blavatsky foi, notoriamente, um instrumento usado pelo imperialismo inglês para corroer as tradições religiosas autênticas das nações orientais e torná-las mais vulneráveis à dominação cultural estrangeira por meio de um entorpecente pseudo-espiritual fabricado em Londres por uma vigarista russa.

Pelo lado da ideologia palanesa, portanto, o lixo ancestral não é menos fedorento que o teosofismo explícito de Rendang-Lobo. Já no segundo capítulo do livro, o náufrago Will Farnaby, traumatizado pelo perigo recente, é curado de seus males pelo método freudiano da ab-reação no curso de uma psicoterapia improvisada... por uma garota de nove anos. Mary Sarojini MacPhail, a garota, neta do atual guru médico da ilha, resume na sua pessoinha os princípios de educação e ética ali vigentes: são os princípios do sincerismo, do “botar para fora”, que os “grupos de encontro” e as técnicas psicoterápicas de “sensibilização” e “liberação” disseminaram no mundo a partir de Esalen, Califórnia, e que marcaram inconfundivelmente a atmosfera dos anos 60. O festival de experimentos psíquicos e “liberações” desembocou no império mundial dos traficantes de drogas e na transformação da delinqüência juvenil (e infantil) numa catástrofe global de proporções incontroláveis. Na época, porém, prometia um novo mundo de espontaneidade e sanidade. Todas as crianças de Pala são versadas em “auto-expressão”, aquela confissão simplória e cínica dos próprios maus sentimentos que, teoricamente, os tornaria inofensivos. O fato é que a “auto-expressão”, ensinada em grupos-de-encontro por psiquiatras e psicoterapeutas “libertadores” nos conventos católicos, suscitou entre as monjas uma epidemia de lesbianismo e de casos amorosos com seus terapeutas, levando praticamente à destruição de várias ordens religiosas. De braços dados com o pseudo-orientalismo, a “libertação” psicoterápica abriu caminho para que milhões de jovens abandonassem o cristianismo e se entregassem às mais tirânicas manipulações psíquicas nas mãos de seitas delinqüenciais como “Love Family”, que, em nome da expressão espontânea das emoções, obrigava crianças de quatro anos de idade a submeter-se, junto com seus pais, à prática de sexo grupal. A imensidão dos danos psicológicos trazidos a essa geração jamais poderá ser medida exatamente. As tristezas e as vergonhas acumuladas são demasiado profundas para vir à tona. Documentos aterrorizantes acumulam-se, em pilhas, nos milhares de clínicas especializadas em tratamentos de egressos de seitas, sobretudo ao longo da Costa Oeste americana -- o lugar onde nasceria, segundo a promessa da época, a nova civilização de sanidade, paz e amor.

Os efeitos terrificantes, porém, não nasceram do mero acaso. Fruto e raiz têm sua continuidade lógica. Os “grupos-de-encontro” nasceram da pesquisa militar sobre guerra psicológica e controle comportamental. Um de seus pioneiros, Kurt Lewin, já na década de 40 havia chegado à conclusão de que a pressão sutil e disfarçada do grupo era o meio mais efetivo de produzir mudanças de comportamento. A lição foi bem aprendida por Carl Rogers, Fritz Perls, Abraham Maslow e outros criadores dos “grupos-de-encontro” da década de 60. A “liberação”, em suma, não passava de “engenharia do consentimento”. Lewin e seus sucessores haviam descoberto um tipo de controle comportamental infinitamente mais eficiente e irresistível do que todas as técnicas descritas no Admirável Mundo Novo. Como admitiu um dos praticantes do método, Robert Blake, ex-aluno de Lewin no Tavistock Institute de Londres (a principal academia inglesa de guerra psicológica), “não importa quanto o orientador desses grupos tente ser não-diretivo, ele será ainda sutilmente ditatorial e até mais ditatorial (por causa da sua sutileza) do que o mais rígido adestrador, porque todo o controle está escondido”. Por uma coincidência que neste contexto adquire as dimensões de um símbolo, Blake dirigiu um desses grupos justamente na Standard Oil – a empresa com a qual o príncipe herdeiro Murugan está louco para fazer negócios.

Após presenciar uma sessão de “educação para o amor” das crianças de Pala, Will Farnaby, o visitante trazido pelo naufrágio, protesta: “Isto é puro Pavlov!”. O instrutor, com aquele ar beatífico de tantos lavadores de cérebros da década de 60, responde: “Pavlov usado exclusivamente com bom propósito. Pavlov para a amizade, para a confiança, para a compaixão.”
Tanto pelas suas origens blavatskianas quanto pelos métodos de dirigismo sutil, a ideologia palanesa é irmã gêmea do autoritarismo de Rendang-Lobo. A Ilha não é a tragédia de um paraíso de liberdade destruído pela invasão de militares malvados: é a tragédia da autodestruição de uma utopia intrinsecamente má e mentirosa envolta em belas palavras.

No momento culminante da narrativa, Will Farnaby, finalmente rendido aos encantos da “religião sem dogmas” dos palaneses, resolve experimentar a moksha, a erva alucinógena ritual que, em vez de precipitar somente o consumidor num estado de apatetado bem-estar como o soma do Admirável Mundo Novo, lhe abriria as portas do conhecimento transcendental. Nos primeiros instantes, Will “vê a luz”, ou pelo menos pensa que vê. Mergulha num estado de beatitude indescritível e supõe ter conhecido o próprio Deus. De repente, a visão se transfigura. Abrem-se as portas do inferno: vermes horrendos aparecem misturados à figura de Adolf Hitler que gesticula e berra. A visão de Will mostra a verdadeira natureza da religião palanesa: uma religião de “experiências psíquicas”, incapaz de transcender a dualidade cósmica e elevar-se ao reino da eternidade. É a religião dos “grupos-de-encontro”, o substitutivo postiço que uma estratégia política oportunista quis substituir ao cristianismo. Tão logo Will emerge do transe, ele ouve os primeiros tiros do exército invasor: é a mentira essencial de Pala que se desfaz ao mesmo tempo que a falsa visão espiritual.

Poucos livros foram tão fundo na compreensão do auto-engano congênito da cultura contemporânea. Perto da pedagogia palanesa da ilusão, as técnicas de controle social do Admirável Mundo Novo parecem ingênuas e rudimentares, assim como perto da engenharia comportamental dos anos 60 o totalitarismo explícito da década de 30 parece coisa de orangotangos. O diagnóstico impiedoso do neototalitarismo mental dos anos 60 não pôde ser compreendido por seus contemporâneos. Eles estavam embriagados na mentira nascente, e a antevisão de Huxley passou léguas acima de suas cabeças. Mas, hoje, vivemos no mundo criado por aqueles malditos “jovens idealistas” dos anos 60. As técnicas de controle social e engenharia do consentimento já não são experiências limitadas, efetuadas na privacidade de grupos-de-encontro: são o dia a dia das escolas públicas, onde nossos filhos se encontram à mercê daquilo que Pascal Bernardin chamou “ministério da reforma psicológica”. Tal como Mary Sarojini MacPhail, cada criança, submetida à pressão sutil do grupo, aí adota alegremente as condutas desejadas, sem ter a mínima idéia de possíveis alternativas. Nos EUA, os resultados da adoção maciça dessas técnicas no ensino já são patentes: os índices assustadores de consumo de drogas e a criminalidade infantil nas escolas públicas levam muitos pais a preferir educar seus filhos em casa, enquanto a Prefeitura de Nova York, admitindo-se incapaz de controlar a violência das crianças, privatiza suas escolas como quem entrega um fardo superior às suas forças. No Brasil, esse processo ainda está no começo, mas basta ler os “Parâmetros Curriculares Nacionais” do Ministério da Educação para perceber que a engenharia de comportamento aí predomina amplamente sobre a formação intelectual e a instrução moral honesta. O espírito dos “grupos de encontro” dos anos 60 tomou conta da pedagogia universal, firmemente decidido a “libertar” as crianças do legado da civilização cristã. Quando a “libertação” mostrar sua outra face, quando Pala revelar sua identidade com Rendang-Lobo, haverá choro e ranger de dentes. Mas, como aconteceu com a geração de 60, nenhum dos autores da tragédia reconhecerá suas culpas: cada um deles se proclamará um idealista traído pelos rumos imprevisíveis da História e, revigorado pelo sentimento de inocência, tirará da cartola um novo projeto de “mundo melhor”.

Conclusão:

1. As principais características da sociedade utópica de Pala e que a levaram a destruição são as que se seguem:

­ - Considerar que a natureza é sacrossanta. (Não é)

- ­ O princípio de que todas as pessoas são boas. (Não são)

-­ O princípio de que a mente do ser humano é capaz de produzir a realidade. (Não é capaz)

-­ A revolta contra o cristianismo. (A única possibilidade do ser humano é via cristianismo. Não há outra).

-­ A experiência humana desassociada da possibilidade de transcendência para o divino. (Ateísmo, Gnosticismo)

­- O antropocentrismo (do grego anthropos, "humano"; e kentron, "centro"), uma concepção que considera que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento dos humanos, isto é, tudo no universo deve ser avaliado de acordo com a sua relação com o homem.

-­ A tentativa de libertação do próprio destino.

-­ A rebelião metafísica.

­- A tirania intrínseca com face humana.

-­ A falta de liberdade individual.

-­ A destruição da liberdade.

­- A modificação da sociedade por meios subliminares.

­- O controle da sociedade.

-­ O totalitarismo.

2. O moksha (erva alucinógena) faz a ligação com a própria condição humana (bom/mau). Uma “experiência psíquica”, incapaz de transcender a dualidade cósmica e elevar-se ao reino da eternidade. É a mentira essencial de Pala que se desfaz ao mesmo tempo em que a falsa visão espiritual.

3. Pala foi destruída pela própria utopia, pois a utopia não resiste a uma única noite frente à realidade.

-­ Não é possível produzir um ser humano ideal a partir de critérios humanos.

-­ Não se pode resolver os problemas humanos produzindo uma reengenharia humana, ou seja, mudando a própria natureza das pessoas.

-­ Não se pode assumir o lugar de Deus e construir um novo homem.

Finalizando:

“A Ilha não é a tragédia de um paraíso de liberdade destruído pela invasão de militares malvados: é a tragédia da autodestruição de uma utopia intrinsecamente má e mentirosa envolta em belas palavras”

Se o mundo não é perfeito, cabe ao homem promover atos perfeitos para viver melhor e não querer construir um mundo perfeito.

“Aldous Huxley escreveu este livro para nos advertir da culpa monstruosa que se oculta por trás da inocência dos idealistas”, afirma o prof. José Monir Nasser.

domingo, 3 de maio de 2009

OS ESTERTORES DE UMA DEMOCRACIA FALIDA

POSTAGEM EXTRA - IMPORTANTE

Ternuma Regional Brasília

Gen. Bda RI Valmir Fonseca AZEVEDO Pereira

No Congresso Nacional viceja e prolifera nas últimas décadas, às escâncaras, uma monumental e viscosa lama de podridão nunca dantes vista. A devassidão que degrada aquela casa de nobres representantes da população se espraia fora de seus muros espalhando os piores costumes, entronizando o mau caráter, a corrupção desenfreada e a impunidade. Ou seria a falta de valores comezinhos que grassa na sociedade nacional que avilta e apequena o Legislativo? O judiciário? O Executivo?

A quais segmentos representam aqueles poderes? A sociedade? Os ladrões? Os criminosos? Os corruptos?

Seriam eles, de fato, o retrato do povo? Ou a sua caricatura?

Ou, seria o Executivo, que espalhando uma teia de permissividade instila, contagia, promove e incentiva à sua volta a exacerbação da prática de deploráveis padrões de conduta.

E, assim, assiste à "débâcle" das instituições democráticas?

Impossível, lembrar a seqüência de escândalos que foram protagonizados nos últimos anos no lupanar do Congresso em vista de sua grandeza e quantidade. Apenas os descobertos soterram de vez qualquer esperança em nossos parlamentares. E os não-descobertos ou acobertados? Quantos serão realmente?

E as medidas punitivas? E as coercitivas? E as medidas regulatórias que poderão impedir ou inibir a realização de desmandos de toda ordem? A começar pelas normas de conduta ética, passando pelo rigor no controle nos recursos financeiros.

Diante dos que foram expostos, presumimos que apenas uma minoria alcança as manchetes da imprensa, portanto, podemos avaliar a quantidade dos que ainda permanecem escondidos nos desvãos daquela casa de espanto. Diante do volume de escândalos e do pernicioso passado, que nos contam a história do parlamento nacional nas ultimas décadas, tudo é possível.

Ao que parece, inibidos durante o período da "dita branda", atualmente, os representantes do povo, leves e soltos, decidiram retirar, a posteriori, o atraso.

Acreditamos que num país de mínimos princípios éticos, poucos (?) parlamentares teriam chance de escapar de uma salutar inquisição.

Corruptos e corruptores se acotovelam e, por vezes, se atritam na ânsia de abocanhar um pouco mais. Sem a menor ponta de vergonha se blindam e sobrelevam a importância do cargo, e auto-promovidos elevam-se acima das leis dos demais mortais. São os deuses do seu imundo Olimpo e senhores intocáveis num País de valhacoutos. Enquanto isso, na terra, ou na sua cloaca, uma caterva de gente, periodicamente, tem a obrigação de sacramentar, pelo voto, a escolha de seus eternos gigolôs.

É uma casa de vícios e viciados. Ali, se engana, e se mente se compra e se rouba, e o pior, cotidianamente, acobertados por normas e condescendências criadas e amamentadas pelos próprios beneficiários.

E roubam dinheiro e consciências. Criam facilidades, discursam com pompa e logram sem pestanejar.

No Judiciário, vaidades se incendeiam. Sob seus severos e pomposos olhos a justiça afunda no precipício da sua ignomínia e da sua parcialidade. E viva a impunidade.

Nas sombras, o Executivo sorri...! Nunca foi tão fácil, a democracia brasileira agoniza a olhos vistos.

Brasília, DF, 30 de abril de 2009.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A REBELIÃO DAS MASSAS

Autor: Jose Ortega y Gasset (1883-1955)
Tradução: Marylene Pinto Michael
Assunto: Filosofia
Editora: Martins Fontes
Edição: 2ª
Ano: 2002
Páginas: 300

Ortega Y Gasset avalia o homem médio quanto a sua capacidade para continuar a civilização moderna e quanto à sua adesão à cultura. Tentando responder a questões como 'quem manda no mundo', ele discute a atitude do homem médio ante a civilização e a cultura.
Explica por quê o homem contemporâneo enxerga cultura como bem de consumo e não como bem cultural.

"A Rebelião das Massas", obra prima de José Ortega y Gasset, começou a ser publicado em 1926 num jornal madrilenho ("El Sol").

Retrata as grandes transformações do século XX, especialmente na Europa, com ênfase no processo histórico de crescimento das massas urbanas. Não se refere às classes sociais, mas às multidões e aglomerações. Tendo esse contexto como pano de fundo, Ortega discute temas, aparentemente contrários entre si, mas que se fundem (ou devem fundir-se) numa unidade de sentido. É assim que contrapõe individualismo e submissão ao coletivo; comunidade, nação e estado; história, presente e porvir; homens cultos e especialistas; poder arbitrário e respeito à opinião pública; juventude e velhice; guerra e pacifismo; masculino e feminino.

São tópicos que, inevitavelmente, nos induzem à reflexão crítica. Em alguns casos são apresentados de forma extremamente provocativa.

Referindo-se ao poder do dinheiro, minimiza seu significado e afirma:

"É, talvez, o único poder social que ao ser reconhecido nos repugna. A própria força bruta que habitualmente nos indigna acha em nós um eco último de simpatia e estima. Incita-nos a rechaçá-la criando uma força paralela, mas não nos inspira asco. Dir-se-ia que nos sublevam estes ou os outros efeitos da violência; porém ela mesma nos parece um sintoma de saúde, um magnífico atributo do ser vivente, e compreendemos que o grego a divinizasse em Hércules."

Discutindo o fato de que os antigos gregos expressavam certo desprezo pelas mulheres, acaba por concluir que estas acabaram se masculinizando:

"A Vênus de Milo é uma figura másculo-feminil, uma espécie de atleta com seios. E é um exemplo de cômica insinceridade que tenha sido proposta tal imagem ao entusiasmo dos europeus durante o século XIX, quando mais ébrios viviam de romanticismo e de fervor pela pura, extrema feminilidade. O cânone da arte grega ficou inscrito nas formas do moço desportista, e quando isto não lhe bastou preferiu sonhar com o hermafrodita."

Sobre a guerra, chega a afirmar:

"O pacifismo está perdido e converte-se em nula beateria se não tem presente que a guerra é uma genial e formidável técnica de vida e para a vida."

Sua interpretação do modelo escravista é bastante sugestiva:

"Do mesmo modo, costumamos, sem mais reflexão, maldizer da escravidão, não advertindo o maravilhoso progresso que representou quando foi inventada. Porque antes o que se fazia era matar os vencidos. Foi um gênio benfeitor da humanidade o primeiro que ideou, em vez de matar os prisioneiros, conservar-lhes a vida e aproveitar seu labor."

São essas aparentes contradições que estimulam nosso espírito crítico. Ortega defendeu suas concepções com vigor, fundamentos sólidos e uma lógica irrepreensível. Em poucos momentos foi totalmente conclusivo, mas deixou uma enorme abertura para que possamos repensar as idéias que defendeu em seus dias, adaptando-as ao nosso tempo e ao que viveremos no futuro.
Comentários: Nos últimos meses debrucei-me seriamente sobre os escritos de Ortega y Gasset, particularmente sobre o seu monumental REBELIÃO DAS MASSAS, obra escrita a partir de 1926 em capítulos publicados em jornais. Destino maiúsculo deste pequeno grande livro, escrito na pressa dos textos jornalísticos, mas de grande profundidade analítica. Ortega conseguiu essa proeza porque antes, em 1923, escreveu o não menos monumental ESPANHA INVERTEBRADA, obra na qual mergulhou na história e na atualidade de seu país. O que viu na Espanha viu na Europa e no mundo. Como um profeta viu seu povo – espanhol assim como europeu – caminhar para o abismo e nada teve a fazer. Pregou no deserto.

A guerra civil espanhola não foi menos trágica e menos previsível do que Hitler e o bolchevismo. Estava tudo lá, nas obras do grande filósofo espanhol, com a cristalina transparência própria a um vidente. Na segunda parte do ESPANHA INVERTEBRADA ele relata o que se falava nas ruas de então, que não havia homens em Espanha. Ortega clareia o que estava subentendido na expressão: não havia homens de escol, uma aristocracia, mas havia a presença massacrante e apavorante das massas, homens indiferenciados e medíocres, sedentos de sangue e poder.

Fiz-me a mesma pergunta quando Lula tomou posse – fui à Esplanada dos Ministérios vê-lo passear em triunfo em carro aberto, cercado de bandeiras vermelhas por todos os lados – e renovei a pergunta agora quando vi que a bandidagem carioca botou o Exército Brasileiro para fora de seu território, no Morro da Providência, apoiada que estava pelos poderes locais constituídos. E pelo Federal também, diga-se de passagem. Onde estão os homens de escol? Estão escassos e escondidos no Brasil de hoje, como outrora estavam na Espanha. Ortega: “¿No hay hombres o no hay masas? A resposta é de uma obviedade perturbadora. E concluiu o filósofo:

“Pero, como em estas páginas queda dicho, las masas, uma vez movilizadas en sentido subversivo contra las minorías selectas, no oyen a quien les predica normas de disciplinas. Es preciso que fracasen totalmente para que em sus propias carnes laceradas aprendan lo que no quieren oír... El odio a los mejores parece agotarse como fuente maligna, y empieza a brotar un nuevo hontanar afectivo de amor a la jerarquia, a las faenas constructoras y a los hombres egregios capaces de dirigirlas”.

Estava plenamente certo, como se viu, e a Espanha invertebrada, assim como toda a Europa, precisaram da carnificina mais atroz e dos fornos crematórios mais iníquos para amansar as massas desembestadas. Ele não poderia ser mais apocalíptico àquela altura, o ano da Graça de 1923. Deu no que deu.

Nossos homens egrégios foram corridos não só do Morro da Providência, foram espantados também dos palácios do Planalto, das universidades, dos órgãos de imprensa e mesmo da direção de muitas empresas privadas. O discurso e a lógica acabrunhantes do homem-massa passam agora pelo socialmente aceito e o seu oposto, a conversação dos homens sérios e cultivados, foi banida. A civilização deu lugar à barbárie.

Brasil invertebrado, poderíamos bem arremedar Ortega, posto que a estrutura de um povo é sua elite, a quem as massas devem obedecer. Nem temos a elite e as nossas massas estão moucas a qualquer voz da razão.

Não posso esquecer jamais do nosso Exército expulso do Morro da Providência, vítima que foi do conluio entre os criminosos comuns e os criminosos políticos, gente da mesma laia, as massas triunfantes no poder. Vivemos tempos de grandes perigos.
Nivaldo Cordeiro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

GOVERNO MUNDIAL



A idéia de institucionalizar a paz através do fortalecimento de mecanismos e de organizações internacionais não é de agora. O presidente norte-americano Woodrow Wilson, logo após a Primeira Guerra Mundial, propôs a criação de um marco institucional dentro do qual seria possível orientar a dinâmica das relações internacionais em favor da cooperação e da harmonização de interesses. Esse internacionalismo idealista levaria, em última análise, ao fim das guerras.

De acordo com Heitor De Paola, em seu artigo "As falsas bases do Pacifismo", o pacifismo utópico se contrapõe às atitudes realistas e racionais. Dessa maneira, através de mecanismos supranacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), termina-se por favorecer a sobrevivência de regimes tirânicos, que se resguardam sob o manto de um princípio conhecido como "auto-determinação dos povos". O ativismo em nome da paz, portanto, muitas vezes serve aos propósitos da destruição das liberdades e dos sistemas democráticos.

A paz é, sem dúvida, um interesse comum para as nações. Contudo, a cooperação que fortalece os laços entre as nações deve ser voluntária, para que não se tenha o risco da imposição de um modelo político de centralização de poder sobre toda a humanidade, na forma de uma entidade detentora de autoridade sobre os Estados. Naturalmente, essa autoridade ficaria nas mãos dos grupos que reivindicam o monopólio da moral através de um discurso de paz, justiça e fraternidade. Cláudio Téllez, no texto "O Imperativo Cosmopolita", assinala que esse projeto nada mais é do que uma tentativa de concentrar o poder em escala planetária, em um modelo totalitário de engenharia social.

O processo de criação de um governo mundial está cada vez mais consolidado. Heitor de Paola, em "Governo Mundial: realidade ou mito?", mostra como o controle sobre as ações dos indivíduos já está nas mãos de diversos organismos internacionais como a UNESCO, a OMS, a UNICEF, a FAO e muitas outras, constituindo uma rede burocrática que serve aos propósitos de uma estratégia de longo prazo de domínio mundial. A tentativa de consolidação de uma "comunidade internacional", que junta movimentos ideológicos a grupos detentores de grande poder financeiro, significa na verdade a constituição de uma ética civil mundial que pressupõe o domínio das estruturas sobre os indivíduos. Heitor de Paola analisa e ilustra essas questões em seus artigos "A Comunidade Internacional II - 1a. Parte" e "A Comunidade Internacional II - Final".

Para que sociedades livres e democráticas possam interagir de maneira produtiva no sistema internacional, o fomento da cooperação sem dúvida é necessário, mas sem jamais negligenciar a importância que os valores morais e as tradições culturais desempenham na própria definição das nações. O controle político e a regulação econômica em escala mundial anulariam a expressão das individualidades, conduzindo à servidão sob um autoritarismo coletivizante que representaria o fim das soberanias nacionais, como nos adverte Olavo de Carvalho em "O estupro das soberanias nacionais".

Livros Selecionados

QUIGLEY, Carroll
Trajedy & Hope: A History of the World in our Time GSG & Associates, San Pedro, CA, 1966

JONES, Alan B.
How the World Really Works ABJ Press, Paradise, Cal., 1996

GRIFFIN, Edward G.
Fearful Master: A Second Look at the United Nations. Belmont: Western Islands, 1964. [em inglês]

ZAKARIA, Fareed.
O Futuro da Liberdade. Lisboa: Gradiva II, 2004.

Fonte: Farol da Democracia Representativa.
Procure artigos relacionados ao assunto em:
http://www.faroldademocracia.org/temas

quinta-feira, 16 de abril de 2009

PROPRIEDADE E LIBERDADE

Autor: Richard Pipes
Editora: Record
Assunto: História geral
Edição: 1ª
Ano: 2001
Páginas: 388

“Enquanto a propriedade, de certa forma, é possível sem liberdade, o contrário, por sua vez, é inconcebível” — Richard Pipes

Resenha: Richard Pipes, afirma que a propriedade é um ingrediente indispensável para o crescimento econômico de uma nação. Pipes demonstra como, ao longo da história, a propriedade serviu como barreira para o poder do Estado, permitindo ao mundo ocidental criar instituições democráticas resistentes. Pipes traça o seu desenvolvimento, começando na Grécia e Roma antigas, onde os direitos de propriedade apareceram pela primeira vez. Explica também como as noções de poder amadureceram na sociedade medieval com a grande expansão do comércio e com o crescimento das cidades.

Nesta obra, Richard Pipes mostra como a Inglaterra, sendo o primeiro país a tratar a terra como um bem material e a desenvolver um forte sistema de defesa dos direitos de propriedade, também se tornou o primeiro a instituir um governo parlamentarista capaz de limitar os poderes da realeza. Em contraponto, na Rússia, a ausência dessa relação de posse sobre um determinado bem, no caso a própria terra, impossibilitou que seus cidadãos limitassem a autoridade de seus czars.

Pipes descreve as atitudes relacionadas à propriedade no século XX nos estados totalitários e revela ainda que nos Estados Unidos a proteção ao direito à propriedade tem sido uma grande contribuição ao bem comum. Mesmo assim, ele adverte que as tendências contemporâneas relacionadas a este tema — em um século que, segundo ele, tem sido desfavorável para a instituição — tendem a abalar os direitos de cidadania.

Em PROPRIEDADE E LIBERDADE Pipes deixa claro porque acredita que a interferência excessiva do governo na questão da propriedade, mesmo quando direcionada a promover o bem comum, pode levar à redução da liberdade. Uma brilhante contribuição para o pensamento político e um trabalho essencial em um assunto de vital importância.

RICHARD PIPES
Polonês, educado nas universidades de Harvard e Cornell, Richard Pipes foi professor na Universidade de Harvard de 1950 até sua aposentadoria, em 1996. Trabalhou no Conselho Nacional de Segurança, entre 1981 e 1982, durante o governo do presidente Ronald Reagan, como diretor do Departamento de Assuntos Soviéticos e Leste Europeu. Especialista em História russa, é autor de ''História Concisa da Revolução Russa'' e ''Russia Under the Bolshevik Regime''.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A TRAGÉDIA DE UM POVO

A REVOLUÇÃO RUSSA 1891-1924
Autor: Orlando Figes
Tradução: Valéria Rodrigues
Editora: Record
Assunto: História geral - Comunismo
Edição: 1ª
Ano: 1999
Páginas: 1106

A história da Rússia como é mostrada neste A TRAGÉDIA DE UM POVO vai muito além dos relatos convencionais. Orlando Figes conta, sob a ótica do povo russo, a história da mais importante revolução política dos tempos modernos, desde a decadência do czarismo no final da década de 1890 até a tomada de poder por Stalin nos anos 1920. E esta história é dolorosa, repleta de esperanças, medos e desapontamentos. Para o historiador inglês, a revolução foi uma tragédia para os russos, tanto como povo quanto individualmente. Ele mostra que as maiores forças sociais - camponeses, operários, soldados e vassalos do império - não foram apenas vítimas dos bolcheviques, mas também atores em suas próprias tragédias revolucionárias. E isso também é mostrado de forma visual - o livro contém 48 páginas de fotografias pungentes, retratos das mazelas e do cotidiano dos trabalhadores da Rússia.

Uma obra reveladora
A TRAGÉDIA DE UM POVO é fruto de anos de pesquisas nos arquivos da Revolução de Outubro e nos arquivos do Partido Comunista em Moscou. Figes teve acesso a este material assim que foram abertos ao público, no final dos anos 80, e se embrenhou entre jornalistas que os vasculhavam, procurando histórias de espionagem.

Tudo que você deveria saber sobre a revolução russa e um pouco mais. Figes demonstra que a tomada de poder pelos bolcheviques foi uma ação oportunista em um momento de vazio no poder poucas vezes igualado na história humana. Os bolcheviques conseguiram isso porque foram os mais determinados, autoritários e cruéis, dentre os vários grupos da época. Figes teve a coragem de demonstrar que a revolução russa e sua tragédia subseqüente foi tanto culpa da conivência e atitude do povo, como dos próprios bolcheviques. Ele também esclarece de maneira bem reveladora determinados aspectos de seus líderes, como as raízes nobres de Lênin aliadas a quase completa ignorância que ele tinha sobre a vida dos russos na época (principalmente os camponeses que eram a absoluta maioria da população). Figes tentou, e acho que conseguiu demonstrar as verdadeiras causas da revolução, que se situam em lugar bem diverso de qualquer suposta luta de classes capitalista (capitalismo é o que menos existia na Rússia em 1917 como ele demonstra). O que resta no final da leitura deste livro é a constatação do completo desconhecimento que alguns teóricos ainda têm sobre a realidade na vida russa antes e após 1917. Uma foto em particular, a do casal de camponeses na província de Samara em 1921, deveria servir de alerta para muitos. É altamente recomendável esta leitura junto do livro de Richard Pipes, Propriedade e Liberdade. Os dois podem ser considerados complementares e inseparáveis.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O JARDIM DAS AFLIÇÕES

Autor: Olavo de Carvalho
Editora: É Realizações
Assunto: Filosofia
Edição: 1ª
Ano: 2000
Páginas: 336

Sinopse: Um livro original e perturbador que, partindo da análise de um evento aparentemente menor e tomando-o como ocasião para mostrar os elos entre o pequeno e o grande, vai se alargando em giros concêntricos até abarcar, numa complexa filosofia da história, o horizonte inteiro da cultura Ocidental.

O "Jardim das Aflições" é um livro fantástico, difícil de ser descrito, mas encerra com notável erudição a história do pensamento ocidental - e brasileiro - com todas as suas constatações e enganos, culminando com o desvelamento dos grandes problemas culturais e comportamentais que atingem a humanidade nesse início de milênio. Leitura obrigatória para todos que se sentem incomodados com determinados aspectos do atual "politicamente correto" e não sabem como interpretá-lo e/ou refutá-lo.

Estrutura resumida e parcial da obra:
Capítulo I – Apresentação do problema inicial que provoca as investigações: a falsificação da história da Ética, feita pelos professores uspianos, nas palestras do Masp em 1990 (Epicuro no lugar de Platão e Aristóteles; Inquisição como fenômeno medieval e não renascentista; exclusão da escolástica) e a distorção da história do pensamento Ocidental, feita por José Américo Motta Pessanha, quando esteve na direção da coleção “Os Pensadores”. O evento foi organizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, tendo a frente Marilena de Souza Chauí, cujo objetivo não confesso foi o de promover a “reforma na inteligência” brasileira e assim preparar terreno para ascensão da esquerda materialista na política brasileira.

Capítulo II – Uma investigação de Epicuro; procurando entender o que ele foi fazer no lugar de Platão e Aristóteles, como representante da Ética na filosofia grega e o porquê do fascínio que exerceu na platéia. Onde se assinala sua pequenez filosófica; seu parentesco com a Nova Era; e sua índole evasionista, como resposta a uma situação de falta de sentido.

Capítulo III – Onde se examina qual a semelhança entre Marxismo e Epicurismo, por trás de sua aparente contradição entre ativismo e evasionismo: negação da inteligência teorética; e onde também se assinala que o mesmo parentesco se repete entre os movimentos espiritualistas da Nova Era e os descendentes marxistas contemporâneos.

Capítulo IV – Onde se examina as mudanças culturais na história ocidental que levaram a perda da dimensão metafísica; sem a qual, cresce o culto às dimensões sócio-cósmicas; que seria um dos fatores que teriam aproximado os movimentos materialistas dos espiritualistas.

Capítulo V – Onde se estuda a história política do Ocidente e sua configuração de poderes; situando o lugar da intelectualidade brasileira contemporânea frente a este quadro ampliado.

E muito mais questões que vão até o capítulo X.

A essência fundamental da obra:
Olavo de Carvalho, de forma magistral, demonstra que os esquerdistas materialistas uspianos, a serviço do socialismo-marxista encarnado no PT, estão destruindo a capacidade das pessoas de perceber as diferenças entre a realidade e o idealismo. Essa destruição aplainará a mente das pessoas de tal forma que elas poderão ser manipuladas na direção desejada: rumo ao comunismo.

Quando o materialismo dominar a mente das pessoas seja por meio do idealismo e divinização do Estado de Hegel, seja pelo epicurismo, estará completada a decadência total humana no Brasil, e o “novo homem” que essa gente criminosa quer construir, estará totalmente desprovido do reflexo da imagem de Deus e de sua espiritualidade. Com a decadência total do homem a obra diabólica da esquerda marxista brasileira estará completa, e finalmente, todos amarão o “Grande Irmão”.

Sobre Olavo de Carvalho:
Nasceu em 1947, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros.
A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica".
Para Olavo de Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo este que se perde de vista quando o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica. Acreditando que o mais sólido abrigo da consciência individual contra a alienação e a coisificação se encontra nas antigas tradições espirituais – taoísmo, judaísmo, cristianismo, islamismo –, Olavo de Carvalho procura dar uma nova interpretação aos símbolos e ritos dessas tradições, fazendo deles as matrizes de uma estratégia filosófica e científica para a resolução de problemas da cultura atual.

 

sexta-feira, 27 de março de 2009

ERA KARL MARX SATANISTA?

Autor: Richard Wurmbrand
(Pastor protestante de Glendale, Califórnia - EUA)
Edição traduzida pela Missão Editora Evangélica "A Voz dos Mártires"
Resposta: Sim, era.




MISTERIOSAS LIGAÇÕES ENTRE SOCIALISMO, SIONISMO, SATANISMO

André F. Falleiro Garcia

Laços incômodos e comprometedores para as esquerdas modernas ligam Karl Marx – filósofo e economista alemão, de origem judaica, fundador do chamado "socialismo científico" ou comunismo – com o satanismo. Como não interessa à esquerda a publicidade sobre essa ligação, ela minimiza este aspecto considerando-o como mera manifestação de linguagem literária de um período em que Marx ainda não tinha atingido seu píncaro intelectual. Não obstante, esta conexão existiu e marcou toda a sua vida. Nunca se retratou do pacto com o diabo. Construiu a mais perversa ideologia da História, responsável por mais de cem milhões de mortos até agora.

As revelações de um pastor romeno, Richard Wurmbrand, foram divulgadas depois de cuidadosa pesquisa no livro que publicou em 1986, Marx and Satan. Muito antes destas revelações, o Papa Pio XII havia declarado que Marx era um "dedicado e consagrado satanista". Wurmbrand, nascido numa família judaica, primeiro tornou-se pastor anglicano, depois luterano. Não chegou a uma conclusão sobre se Marx desejava mesmo a implantação da sociedade socialista igualitária, ou se a usava como pretexto para o seu objetivo maior: uma sociedade da qual Deus estaria expulso. Em outras palavras: teria sido Marx animado pela mística da construção ou da destruição?

Parece-me que Marx desejava de fato a construção de uma sociedade sem classes profundamente igualitária. O culto ao valor metafísico da igualdade levou-o aos arroubos satânicos: "Sou grande como Deus", afirmou. Essa postura igualitária em relação a Deus repetia de algum modo a revolta satânica de Lúcifer contra a autoridade divina. Em Marx a mística da construção da sociedade igualitária provinha de uma revolta interior muita profunda contra toda autoridade e toda superioridade.

Para Marx chegar a "exterminar a religião e a política medieval", e desse modo realizar a destruição da Igreja e da civilização cristã, conforme a intenção declarada por seu guru Moses Hess, seria preciso apagar todos os traços de semelhanças divinas existentes na sociedade humana, em suas instituições e costumes. A dessacralização da sociedade impunha-se como exigência das comunidades socialistas igualitárias que não toleram a infinita superioridade divina nem as desigualdades harmônicas e proporcionadas que se estabelecem nas sociedades sacrais.

O objetivo maior de Marx, a meu ver, era duplo:

– a destruição da sociedade hierárquica, desigual e sacral;
– a construção da sociedade igualitária e dessacralizada, na qual todos os vestígios ou semelhanças divinas seriam banidos sob o pretexto de constituir o "ópio do povo".

Bakunin, companheiro socialista tão satanista quanto Marx, priorizava a destruição do Estado e a anarquia: "Nossa missão é destruir, não edificar. A paixão da destruição é uma paixão criativa". Desse diabólico ânimo destrutivo também Marx deu mostras: em março de 1850 redigiu, junto com Engels, um documento intitulado "Plano de ação contra a democracia", no qual esboçou um programa revolucionário de terrorismo, incitou ao assassinato dos reis, à destruição dos monumentos públicos, e propôs uma aliança entre o proletariado e a pequena burguesia (que desejava ver depois eliminada pelo proletariado).

Não causa surpresa que seu amigo Friedrich Engels tenha elogiado sua sanha destruidora no discurso fúnebre: "Marx era, antes de tudo, um revolucionário. Sua verdadeira missão na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para a derrubada da sociedade capitalista e das instituições estatais por esta suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno, que ele foi o primeiro a tornar consciente de sua posição e de suas necessidades, consciente das condições de sua emancipação. A luta era seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar."[1]
Moses Hess
Ligação misteriosa foi a que se estabeleceu entre Marx e seu mestre, o escritor judeu Moses Hess, considerado Pai do Sionismo Socialista. Na cosmovisão e na mentalidade de Moses Hess há uma curiosa superposição e permeação de camadas ideológicas – a tríade socialismo, sionismo, satanismo. Ao mesmo tempo, Moses foi um dos fundadores do socialismo e mentor de Marx e Engels; arvorou o ideal do sionismo sendo o seu precursor, antes mesmo de Theodor Herzl; ademais, iniciou no satanismo os seus dois discípulos. Moses publicou em 1862 o livro Roma e Jerusalém (Rome and Jerusalem. The Last National Question). Nele Moses Hess preconizou a criação e estabelecimento da nação judaica na Palestina, onde os judeus teriam um estilo de vida agrário socialista e passariam por um processo de "redenção pela terra".
Hess morreu em Paris em 1875, seu corpo foi trasladado para o cemitério judaico de Colônia, e em 1961 transferido para o cemitério do kibbutz de Kinneret em Israel. A ala esquerda da ideologia sionista [2] quis que Moses Hess repousasse nas comunidades agrárias socialistas por ele sonhadas. Todavia, o mistério subsiste: como explicar que o fundador do sionismo socialista tenha sido satanista? Como se harmonizaram em sua mente o sionismo socialista com o satanismo? Não pode ter sido o auxílio do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó que ele invocou para a consecução de seu sonho.
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[1]

[2] O historiador americano de origem judaica Norman Finkelstein no livro Imagem e Realidade no Conflito Israel-Palestina dividiu o sionismo em três vertentes: sionismo socialista ou trabalhista, sionismo político, e sionismo cultural. Duas outras categorias podem ser sobrepostas às de Finkelstein, já analisadas em artigo publicado neste site:

MARX E SATÃ *

Ipojuca Pontes * *

Richard Wurmbrand (1909-2001) desvelou a faceta satanista de Karl Marx que os intelectuais comprometidos se apressam em minimizar.

Livro impressionante, a merecer urgente atenção de um bom editor nacional é, sem sombra de dúvida, este Marx and Satan, do reverendo Richard Wurmbrand (Living Book Company, Bartlesville, USA, 1986). A edição que leio, a oitava, data de 2002, porém em 2008 o livro já cruzara a 20ª impressão e fora traduzido para o russo, chinês, alemão, romeno, eslovaco, húngaro e albanês – não por acaso, línguas de países que constituíam a antiga Cortina de Ferro e materializavam, na prática, as teorias demoníacas de Karl Marx.
No histórico, o livro de Wurmbrand começou como uma pequena brochura que continha algumas anotações sobre as possíveis ligações entre Marx e a igreja satânica. Posteriormente, o autor, durante 14 anos prisioneiro nos campos de concentrações da Romênia comunista, levantou uma quantidade enorme de documentos e correspondências e aprofundou pesquisa biográfica minuciosa em torno do “filódoxo” alemão, mormente no período em que este freqüentou a Universidade de Berlim – sem deixar de lado, no entanto, a temporada em que viveu na próspera cidade de Colônia (1842), onde trabalhou como co-editor da Gazeta Renana – fase em que Marx, negando Deus, “tornou-se um adorador de Satã e partícipe ativo e regular de práticas e hábitos ocultistas”.


De fato, nesta época, conforme registra Wurmbrand com riqueza de detalhes, Marx mudou inteiramente de conduta. Longe da casa paterna, ao repudiar Cristo ele tornou-se um beberrão violento. (Habitualmente, quando embriagado, para não pagar os credores, partia para a briga – sendo autuado, certa feita, por porte de arma). Então, na qualidade de co-presidente do “Clube Tabernário”, que tinha como associados um bando de estudantes porristas, Marx organizava rituais de magia negra, professando a idéia de “chutar Deus do Reino Celestial”. Por qualquer razão, ou sem razão nenhuma, voltava-se para o alto e proclamava, em ira incontida: “Eu o destruirei! Eu o destruirei!”.


O próprio pai de Marx, Heinrich (um advogado judeu convertido ao cristianismo luterano), na ocasião, ao saber que o filho tinha “colocado novos deuses em lugar dos antigos santos” (confissão de Marx), tentou chamar sua atenção, por carta, lamentando o estranho comportamento do jovem radical: “O teu progresso, a querida esperança de ver teu nome algum dia ter grande reputação, e tua riqueza terrena não são os únicos desejos de meu coração. Essas são ilusões que tive há muito tempo, mas posso assegurar-te que a realização delas não me teria feito feliz. Apenas se teu coração permanecer puro e bater humanamente e se nenhum demônio for capaz de desviar teu coração de sentimentos melhores, apenas assim serei feliz”.


Ao lamento da carta paterna, Marx deu o calado como resposta, cortando a correspondência com o pai, salvo no caso de bilhetes curtos para pedir crescentes somas em dinheiro para saldar dívidas provenientes dos porres homéricos e gastos com os rituais ocultistas.

Na mesma época, Marx ficou obcecado pela leitura do “Fausto”, a peça teatral de Goethe em que o personagem central faz um pacto com a figura de Mefistófeles, o “diabo em pessoa”. Num impulso, o futuro “Doutor do Terror Vermelho”, para tornar pública a sua nova crença, escreve um drama intitulado “Ulanem” – anagrama de Emanuel, nome bíblico de Cristo –, tempos depois encenado e representado pelo próprio autor.

No texto, medíocre, mas considerado de natureza confessional, Marx revela o objetivo que marcará todos os atos de sua atribulada existência, qual seja, “a idéia de expulsar o Criador de sua morada e, ele próprio, Karl Marx, substituí-lo”. No último ato de “Ulanem”, em tom apocalíptico, assim se exprime o imperioso cultor de Satã: “Os vapores do inferno enchem o cérebro, até que fico louco e meu coração muda muito. Vês esta espada? O Príncipe das Trevas ma vendeu. Para mim, ele marca o compasso e ordena os sinais. Cada vez mais atrevido, eu danço a dança da morte. E só então poderei caminhar triunfante, como um Deus, através das ruínas do seu Reino”.

Dado curioso, a mudança de Marx não se deu apenas no plano espiritual. Segundo anota Karl Heinzen, jornalista que trabalhou com ele na Gazeta Renana, a transformação se manifestou, também, no aspecto seu físico. “De jovem esbelto, ele se transformou num tipo atarracado, de lábio inferior incomumente grosso e de tez amarelo-sujo, acentuada pelos cabelos negros e espessos que pareciam brotar-lhe de quase todos os poros da face, dos braços, da orelha e do nariz. Cabeludo, com sua juba negra retinta e olhos enlouquecidos por um espírito de fogo perverso, Marx era a imagem de Lúcifer, o anjo decaído”.

O mesmo Heinzen relata que, certa noite, depois de um porre, querendo parodiar Mefistófeles numa cena do “Fausto”, Marx “Aproximou-se e deu a entender que eu estava sob seu poder. Com malícia de pretendido demônio, começou a me agredir com ameaças e tapas. Adverti-o a sério que o trataria do mesmo modo. Como nada adiantasse, derrubei-o com um sopapo num canto da sala. ‘Há um prisioneiro lá dentro...’ – caçoou ele, numa imitação precária de Mefistófeles”.

Mais tarde, consolidada a personalidade demoníaca, Marx observa, em correspondência para Engels (segundo Franz Mehring, em “Marx – Story of His Life”): “A abolição da religião como uma felicidade ilusória dos homens é um requisito para a verdadeira alegria deles. O chamado para o abandono de suas ilusões acerca de suas condições é um chamado para abandonar uma condição que requer ilusões. A crítica da religião é, portanto, a crítica deste vale de lágrimas de que a religião é o halo”.
Marx se deu mal na sua pretensão de abolir a religião sobre a face da terra. A crença na existência de uma força transcendente, considerada como criadora do Universo, nunca esteve tão presente na vida da humanidade – em que pese a ingerência do “neodarwinismo” e a “singularidade” de teorias impossíveis de comprovar como a do Big Bang.
O Cristianismo, por sua vez, infenso a fricção da excomungada “Teologia da Libertação”, nitidamente anticristã, cada vez mais se propaga em número de fiéis, a fortalecer a crença no Cristo filho de Deus.

Quanto à Marx, reconheça-se, o seu espírito maligno permanece atuante – como o do próprio Satã, de resto – a iludir facções de deserdados que, sob seus vapores, alargam as dores do mundo.
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* Artigo publicado no site midiaamais.org em 06/03/2009.
* * Ipojuca Pontes é cineasta, jornalista, escritor, palestrante e ex-Secretário Nacional da Cultura.



O SATANISMO NA VIDA E OBRA
DE KARL MARX
*

Antonio Ribeiro de Almeida * *

Almeida: na vida particular Marx revelou comportamentos que um Nelson Rodrigues qualificaria como de um “perfeito canalha”.






O livro de Richard Wumbrand, Marx & Satan (Diana Books Publishing, 1976) traz revelações sobre a vida e a obra de Karl Marx (1818-1883) que são desconhecidas pela grande maioria dos leitores. Estas revelações mostram claramente que seu pensamento foi inspirado por um ódio radical contra a religião judaico-cristã (o Cristianismo) e contra Deus. Tudo isto é mostrado na vida do criador do Comunismo e nas suas ligações com os seus mestres. Muito antes destas revelações de Wumbrand – um judeu rumeno – o Papa Pio XII havia declarado que Marx era um “dedicado e consagrado satanista".



O satanismo tem várias conceituações como se pode concluir numa rápida pesquisa sobre o tema. Marx, pelo que se sabe, não participava de missas negras e invocações a Satã, e seu trabalho de demolição do Cristianismo se faz na sua obra e nas poesias que escreveu. Numa carta que enviou ao pai escreveu : “Uma cortina caiu. Meu santo dos santos foi partido ao meio. Sou grande como Deus; envolvo-me em trevas como Ele. Perdi o céu, disto estou certo, minha alma, antes fiel a Deus, está marcada para o Inferno."





A história registra que foi Moses Hess, um conhecido satanista, quem trouxe Marx para uma sociedade secreta, a “Liga do Justo” quando o instruiu nas ideologias coletivistas. Em 1841 Hess escreveu a respeito do seu pupilo : “Dr. Marx é ainda muito jovem, mas é ele que exterminará a religião medieval.“ Esta liga, com a adesão de Marx, foi transformada na “Liga dos Comunistas”, mas foi para a Liga do Justo que ele escreveu o famoso Manifesto Comunista que apareceu no início de 1848.



Bukharin, um dos colaboradores de Marx na Primeira Internacional, era também um fervoroso satanista e escreveu: "Satã é o primeiro pensador livre. Ele livrou Adão e imprimiu nele o selo da liberdade ao levá-lo à desobediência." Alguns intelectuais consideram trechos como este e outros semelhantes apenas como uma forma de expressão e fazem uma aproximação de Satã com o Prometeu da mitologia grega que trouxe o fogo do céu para o homem. Para Wurmbrand é discutível se Marx desejava mesmo uma sociedade mais justa e sem classe, ou se ele usou isto como um pretexto para o seu objetivo maior: uma sociedade onde não haveria lugar para Deus.



Na vida particular o pai do comunismo revelou comportamentos que um Nelson Rodrigues qualificaria de um “perfeito canalha”. Nas cartas a Engels a sua preocupação principal era com dinheiro (Engles o sustentava); com as heranças que parentes ricos poderiam deixar e de um tio a quem chama de “cão velho” cuja morte celebra. Engels relata a sua frieza ao receber a notícia da morte da mãe: "Chegou um telegrama há duas horas dizendo que minha mãe morreu. O destino precisou levar um membro da família... pelas circunstâncias sou mais necessário que a velha mulher. Preciso ir a Trier para ver a herança."



A esposa de Marx o deixou duas vezes, pois ele engravidara a empregada de quem teve um filho, e três dos seus filhos legítimos morreram de desnutrição, e um deles devido ao descuido do pai. Marx disse à família que o filho era de Engels, que, por sua vez, no seu leito de morte contou a verdade a uma das filhas de Marx. Nos seus livros, segundo pesquisadores de Cambridge, falseou citações de Adam Smith e de W.E. Gladstone para fundamentar sua doutrina.



Se o Comunismo resultou num tremendo fracasso na União Soviética e até na China, que mudou a doutrina de Marx, ele, do meu ponto de vista, conquistou uma certa intelligentsia nas universidades do mundo ocidental, na América Latina e no mundo árabe que hostilizam o Cristianismo e seguem o que pregava Mikahil Bakunin: “O Supremo Mal é a revolta satânica contra a autoridade divina, e na nossa revolução deveremos acordar o Diabo nas pessoas, estimular nelas as paixões mais vis..." Não é isto que está acontecendo em nosso país ?
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* Artigo publicado no site Ratio Pro Libertas em 29/09/2009.
* * Antonio Ribeiro de Almeida é Doutor em Psicologia Social pela USP, professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, com pós-doutoramento nos EUA.


ERA MARX SATANISTA? ***



Norma Braga




O satanista Karl Marx em 1866



As duas histórias de Karl Marx – a de sua vida e a de suas idéias – são reveladoras do quanto marxismo e demonismo se entralaçam inequivocamente.



Segundo Richard Wurmbrand, autor de Marx & Satan (Era Karl Marx um satanista?), Karl Marx não visava em primeiro lugar a tão propalada igualdade comunista, mas sim a destituição de Deus de seu lugar na sociedade e no coração das pessoas. A julgar por uma das mais eficientes devastações que o comunismo empreendeu onde quer que fosse implantado – a da fé (conforme as histórias da Rússia, da Coréia do Norte, da Albânia, da China, de Cuba etc.) –, isso não parece tão longe da verdade. De fato, todas as expressões concretas do comunismo, além de não cumprirem com o que prometiam, combateram a religiosidade de modo tão eficaz que engendraram um povo descrente ou alienado da transcendência divina, além de uma cruel perseguição aos fiéis remanescentes.



Porém, não apenas os resultados diretos da implantação de regimes comunistas atestam a centralidade do combate à fé. Muitos aspectos da vida de Marx demonstram uma consciente intenção de opor-se a Deus e uma direta influência demoníaca, desde sua juventude. O que impulsionou Marx para o comunismo não foi uma inclinação altruísta, conforme reza a lenda. É o que explica Wurmbrand: "Não há evidências para a crença de que Marx mantinha nobres ideais com relação à humanidade e teria adotado uma postura anti-religiosa por ter visto a religião como obstáculo a esses ideais. Do contrário, Marx odiava qualquer noção de Deus ou deuses e estava determinado a ser o homem que ia tirar Deus do cenário – tudo isso antes de abraçar o socialismo, que seria apenas a isca para que proletários e intelectuais adotassem para si esse intento demoníaco." Uma das evidências disso é que o primeiro mestre comunista de Marx, Moses Hess, era também satanista.



Um de seus biógrafos, Robert Payne, endossa as afirmações de Wurmbrand ao mencionar um conto infantil inventado por Marx, relatado por sua filha Eleanor: a história interminável de Röckle, um mago infeliz que vendia relutantemente seus brinquedos ao diabo por ter feito um pacto com ele. Diz Payne: "Sem dúvida essas historietas sem fim eram autobiográficas. Marx tinha a visão do Diabo sobre o mundo, e a mesma malignidade. Às vezes parecia saber que cumpria tarefas do mal."



Impressiona o fato de não se achar em suas cartas a Engels expressões do desejo de justiça social, mas sim preocupações com dinheiro (Engels o sustentava) e com heranças vindouras, acompanhadas de linguagem obscena e maldosas referências à morte iminente de parentes ricos – um tio que ele chama de "cão velho", por exemplo, cujo falecimento é finalmente celebrado pelos dois correspondentes. A mesma frieza é percebida no modo sucinto como relata a Engels a morte da mãe: "Chegou um telegrama há duas horas dizendo que minha mãe morreu. O Destino precisou levar um membro da família. Eu mesmo estou com um pé no túmulo. Pelas circunstâncias, sou mais necessário que a velha mulher. Preciso ir a Trier para ver a herança." É de se notar especialmente esse tom de quem se refere a uma instância superior de decisão – não Deus, mas o Destino – atribuindo-lhe ares de sabedoria cósmica ("sou mais necessário").



Quando novo, suas cartas ao pai já atestavam que, embora tivesse recebido educação cristã, afastara-se resolutamente da fé. Escreveu: "Uma cortina caiu. Meu santo dos santos foi partido ao meio e novos deuses tiveram de ser instalados ali." Enviou-lhe como presente de aniversário poemas de teor bastante anti-religioso:



Por ter descoberto o altíssimo E por ter encontrado maiores profundezas através da meditação Sou grande como Deus; envolvo-me em trevas como Ele Perdi o céu, disto estou certo Minha alma, antes fiel a Deus, Está marcada para o inferno.



Seu companheiro Mikhail Bakunin, com quem criou a primeira Internacional Comunista, escreveu loas a Satanás de modo flagrante, vinculando-o estreitamente aos objetivos comunistas: "O Supremo Mal é a revolta satânica contra a autoridade divina, revolta em que podemos ver o germe fecundo de todas as emancipações humanas, da revolução." "Socialistas se reconhecem pelas palavras. No nome daquele a quem um grande erro foi feito." "Satanás o rebelde eterno, o primeiro livre-pensador e o emancipador de mundos. Ele faz com que o homem se sinta envergonhado de sua bestial ignorância e de sua obediência; ele o emancipa, estampa em sua fronte o selo da liberdade e da humanidade, instando-o a desobedecer e comer o fruto do conhecimento." "Nessa revolução deveremos acordar o Diabo nas pessoas, estimular nelas as paixões mais vis. Nossa missão é destruir, não edificar. A paixão da destruição é uma paixão criativa ."



A vida de Marx é recheada de comportamentos inadmissíveis e acontecimentos trágicos, assim como ocorre com todos os que se envolvem de perto com o demônio. Vivia às custas de Engels e da herança de parentes, embora pudesse se sustentar com seu conhecimento de línguas e a formação especializada, um doutorado em filosofia.



Sua esposa abandonou-o duas vezes, voltando sempre, e ele sequer compareceu a seu funeral. Três de seus filhos pequenos morreram de desnutrição, sendo que pelo menos um deles, segundo a própria esposa de Marx, foi vítima dos descuidos do marido com relação ao sustento da família. Tivera ainda um filho com a empregada, negado e tratado como se fosse de Engels - que revelou o engodo em seu leito de morte a uma das filhas de Marx, com a preocupação de que ela não endeusasse o pai. Tinha, com essa, três filhas, que morreram novas: duas delas, do cumprimento de pactos de suicídio com os maridos (um deles se arrependeu e não cumpriu o ato).



Os livros que escreveu, além de trazer uma linguagem vociferante de ódio, vinham recheados de dados inventados e citações falsas de autores como W.E. Gladstone e Adam Smith - distorções consideradas intencionais por pesquisadores de Cambridge, não fruto de displicência. Era dado a bebedeiras e irascível muito além do limite da tolerância: perdia amizades facilmente. Pessoas de sua convivência lhe atribuíram diversas vezes o epíteto "ditador" e um coração rancoroso.



O próprio Bakunin no final declara: "Marx não acredita em Deus mas acredita bastante em si mesmo e faz todo mundo o servir. Seu coração não é cheio de amor, mas de rancor, e ele tem muito pouca simpatia pela raça humana." Fiel ao sábio princípio de não separar o pensamento do autor de sua biografia, Paul Johnson comenta de modo dramático as conseqüências da herança marxista na Rússia e na China: "No devido tempo, Lênin, Stálin e Mao Tsé-Tung puseram em prática, numa imensa escala, a violência que Marx trazia em seu íntimo e que transpira em sua obra."



Escrevo sobre Marx e já me vem à mente a história de Stálin contada por sua filha, Svetlana Alliuyeva. Em Vinte Cartas a um Amigo, ela realiza uma crescente e emocionada catarse ao falar de sua infância e juventude. Presenciou o devastamento de seus entes queridos, alvo das desconfianças obsessivas do pai. Quando não eram assassinados por supostas traições ao regime - parentes próximos, como seus tios, e também amigos íntimos da família -, sucumbiam a gigantescas pressões de morte, seja progressiva (seu irmão alcoólatra) ou imediata (o suicídio de sua mãe aos 30 anos). Na última carta, uma frase sua em especial assusta pela desolação com que constata: "Em torno de meu pai havia uma espécie de círculo negro - todos os que caíam em seu interior pereciam, destruíam-se, desapareciam da vida…" Examinando-se de perto a vida de Karl Marx e o posterior desenvolvimento do marxismo, tem-se a impressão de que o mesmo poderia ser dito dele, sem temor algum de exageros.



Intuindo o quanto a Rússia adotaria seus princípios, pouco antes de morrer Marx manifestava orgulho especial pela recepção de suas obras no país. Décadas mais tarde, o impressionante slogan soviético "Banir os capitalistas da terra e expulsar Deus do céu" não só confirmaria essa intuição, mas, principalmente, tornaria flagrante a missão do projeto marxista desde estados embrionários: destruir a fé em Deus. Em países como o Brasil, essa anti-religiosidade tem sido amenizada para passar a falsa impressão de um comunismo mais conforme à necessidade humana de transcendência, algo indissociável de nossa cultura. No entanto, as duas histórias de Karl Marx – a de sua vida e a de suas idéias – são reveladoras do quanto marxismo e demonismo se entralaçam inequivocamente. É estudar para saber.
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Fontes:
Alliyueva, Svetlana. Vinte cartas a um amigo: as memórias da filha de Stálin . Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1967.
Johnson, Paul. Os intelectuais. Rio de Janeiro, Imago, 1988, capítulo 3, p. 64 a 94.
Wurmbrand, Richard. Marx & Satan. Living Sacrifice Book Co, 1986, capítulo 2, p. 20 a 35.
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* * * Publicado no site Midia Sem Máscara em 01/07/2006.

Karl Marx, o pai do Comunismo. O homem que queria se vingar contra Deus
“Assim, o Céu eu perdi, e sei disso muito bem. Minha alma, que já foi fiel a Deus, está escolhida para o Inferno.”
“Nada, senão a vingança, restou para mim.”
“Eu desejo me vingar contra Aquele que governa lá em cima.”
(Karl Marx 1818-1883)
Não há registro, em toda a História, de um século mais sangrento do que o século vinte. E muito desse sangue derramado se deveu a um dos mais diabólicos regimes políticos jamais concebidos, o Comunismo. Fazendo as contas, e por baixo, podemos verificar pelos dados históricos que pelo menos 120 milhões de pessoas foram mortas em consequência direta da atuação desta ideologia anticristo, mais especificamente durante o período dos carniceiros Lênin na União Soviética e Mao Tse Tung na China. Esta é também a ideologia mãe do Partido dos Trabalhadores, o PT, do monstruoso regime cubano e de tantas outras ideologias utópicas e atéias filhas das funestas concepções do prussiano Karl Marx.
Filho de judeus convertidos ao Cristianismo, Karl Marx nasceu em 1818 em Trier, na antiga Prússia. Recebeu a oportunidade de frequentar boas escolas e viveu sua infância sem conhecer a fome ou a necessidade. Estudou Direito, Filosofia e História na Alemanha. Recebeu ensinamentos cristãos e professava ser, ele mesmo, um servo de Cristo. Em sua juventude chegou a escrever uma obra intitulada de “Pensamentos de um Jovem antes de escolher uma Profissão”, na época em que afirmava: “portanto, unidade com Cristo internamente exalta, conforta nas provações, e abre o coração para amar as pessoas, não por causa do nosso orgulho ou por sede de fama, mas por causa de Cristo.”
Todavia, por razões que somente Deus conhece, esse homem virou as costas para Deus, aderindo aos mais satânicos ensinamentos e elaborando, ele próprio, idéias e conceitos totalmente de acordo com a vontade e os princípios de Satanás. Talvez o triste caso de Karl Marx tenha sido um dos mais notáveis e apavorantes casos de apostasia de que se tem notícia.
Karl Marx tornou-se um professo inimigo de Deus e viveu sua vida em intensa e agonizante amargura e ódio, chegando a escrever estas curiosas palavras:
“Eu estabelecerei meu trono em cima; Frio e terrível será o seu apogeu”
Muito estranho, porém sabemos quem disse algo semelhante:
“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” Isaías, 14:13,14
Para os que não sabem, foram estas as palavras proferidas por Lúcifer quando deu início à sua amarga e tresloucada rebelião contra o Criador, o que resultou em sua condenação eterna ao Lago do Fogo, segundo vemos em Apocalipse 20:10.
Muito se fala sobre a famosa obra de Karl Marx chamada de O Capital (escrita em 1867), porém muito pouco se ouve de uma obra bem íntima que também escreveu chamada de Oulanem. Em meio às mentirosas propagandas das ideologias atéias, opressoras e comunistas, O Capital é sempre mencionado, enquanto sua obra Oulanem é frequentemente ocultada. E por que? Vejamos um trecho desta tétrica e medúsica obra de Karl:
“Evaporações infernais se levantam e enchem meu cérebro,
até que eu enlouqueça e que meu coração não mude dramaticamente.
Vêem esta espada? O rei das trevas a vendeu a mim.”
Karl Marx, do verso Nidler;Oulanem
Vejamos mais uma amostra desta sórdida e nauseabunda obra do pai do Comunismo:
“Pois ele está marcando o tempo e dando sinais.
Mais audaciosamente ainda eu executo a dança da morte.
E eles também: Oulanem, Oulanem.
Este nome soa como a morte,
E soará até que não pare em formas miseráveis.
Alto! Agora eu já tenho.
Se levanta da minha alma, claro como o ar,
E duro como os meus ossos.
E ainda assim tu personificas a humanidade.
Eu te poderei tomar pelo poder de minhas poderosas mãos,
E esmagar-te com força feroz,
Enquanto o abismo se fende diante de mim,
E tu na escuridão.
Tu cairás no abismo e eu te seguirei,
Gargalhando e sussurrando em teus ouvidos:
“Venha para baixo juntamente comigo, companheiro!” Karl Marx, Oulanem
Mais uma amostra? Vamos a ela:
“Pereci, pereci. O meu tempo se esgotou.
O relógio parou, a pequena construção ruiu.
Logo abraçarei a eternidade, e com um grito,
Proferirei gigantesca maldição para toda a humanidade.”
Karl Marx, Oulanem
A História também registra que Karl Marx era um indivíduo devasso e que vivia afundado em dívidas e que vivia constantemente embriagado. Ao mudar-se para a França, lhe foi oferecido um emprego em um jornal chamado de Anais Franco-Germânicos, onde trabalhavam Michael Bakunin, um anarquista russo, e Friedrich Engels, filho de um industrial alemão. Foi por essa época que Marx passou a se autodenominar comunista, alegando ter ficado impressionado com a pobreza do povo parisiense. Afundado em dívidas, Marx passou a ser sustentado por Engels, podendo dedicar seu tempo à elaboração de suas conhecidas e bizarras teorias econômicas e sociais. De suas concepções mirabolantes e notavelmente anticientíficas surgiu o famoso Manifesto Comunista, uma obra influenciada pelos rascunhos de Engels em seu Princípios do Comunismo. O Manifesto Comunista foi publicado em fevereiro de 1848. Em 1867 Karl Marx publica Das Kapital (O Capital), um dos maiores embustes em termos de teorias econômicas jamais concebidos.
Na realidade, o que está por trás das idéias de Karl Marx não são preocupações humanitárias e muito menos amor ao próximo. Vejamos o que diz Richard Wurmbrand, autor do livro Marx & Satan (Marx & Satanás):
"Não há evidências para a crença de que Marx mantinha nobres ideais com relação à humanidade e teria adotado uma postura anti-religiosa por ter visto a religião como obstáculo a esses ideais. Do contrário, Marx odiava qualquer noção de Deus ou deuses e estava determinado a ser o homem que ia tirar Deus do cenário - tudo isso antes de abraçar o socialismo, que seria apenas a isca para que proletários e intelectuais adotassem para si esse intento demoníaco."
Para piorar a situação (de Marx), um de seus amigos mais íntimos, Mikhail Bakunin, ao lado de quem Karl Marx fundou a Primeira Internacional Comunista, deixou trechos que nos podem mostrar a explícita e estreita relação do Marxismo-Comunismo com o Satanismo. Senão vejamos:
"Satanás o rebelde eterno, o primeiro livre-pensador e o emancipador de mundos. Ele faz com que o homem se sinta envergonhado de sua bestial ignorância e de sua obediência; ele o emancipa, estampa em sua fronte o selo da liberdade e da humanidade, instando-o a desobedecer e comer o fruto do conhecimento."
Ora, que resultados se poderiam obter de um sistema político-ideológico que teve suas origens em um homem cujo coração exalava ódio, amargura e rancor?
Na foto, da esquerda para a direita: Fidel Castro, Lula da Silva, Nestor Kirschner e Hugo Chavez. Todos membros do Foro de São Paulo, uma Organização que planeja transformar toda a América Latina em um continente totalmente dominado e manipulado pelo Comunismo.
O autor Paul Johnson conseguiu sintetizar bem os resultados práticos da obra de Karl Marx:
"No devido tempo, Lênin, Stálin e Mao Tsé-Tung puseram em prática, numa imensa escala, a violência que Marx trazia em seu íntimo e que transpira em sua obra."
Conclusão:
1- É fato inquestionável que por onde quer que tenha passado o Comunismo (Rússia, China, Coréia do Norte, Albânia, Cuba, etc) o resultado é invariavelmente o mesmo: Propagação do Ateísmo, perseguições religiosas, totalitarismo, opressão, chantagens, mentiras, ruína, atraso, miséria e morte.
2- É igualmente fato que todos os postulados teóricos econômicos de Karl Marx resultaram em, no mínimo, um espetacular e catastrófico fracasso quando postos em prática.
3- Também é fato que muitos que se alegam ou que se alegaram socialistas, esquerdistas, populistas, populares, ou termos equivalentes, e que pregaram o Comunismo/Socialismo como mera desculpa permissiva para se lançarem em busca de poder político e econômico não passaram de um bando de pilantras, facínoras, mentirosos e criminosos. Os exemplos de Fidel Castro, de Lênin, Stalin, Mao Tse-Tung, e outros mais, são autênticas evidências disto.
Nada melhor para um bando de bandidos e de ladrões, famintos por dinheiro e poder, do que se travestirem de “líderes socialistas” e lançarem suas patas e caudas pelo lamacento território ideológico marxista-comunista desprezando a menor noção de verdadeira justiça. Ou seja, o Comunismo além de ser uma mentira em si mesmo, é um excelente veículo para todo tipo de fraude que se pode querer imaginar cometer.
4- O Comunismo e a Bíblia são frontalmente opostos!
5- O Satanismo e o Comunismo têm muito em comum, e o que os une é o ódio comum contra Deus e contra os homens. Não infrequentemente, homens libertinos, vagabundos e preguiçosos abraçam os ideais comunistas apenas como forma de expressarem seu ódio e inveja contra os que são prósperos economicamente ( prosperidade às custas de seus próprios esforços e trabalho árduos). Alguns desses crápulas conseguem obter cargos políticos, lideranças sindicais e alguns até conseguem se tornar presidente da república.
6- O Comunismo foi responsável pela tortura e morte de cerca de 200 milhões de seres humanos, mais do que o total de mortos da Primeira Guerra Mundial e da Segunda Grande Guerra somados!
Os Símbolos do Comunismo
.A Foice simboliza a Morte
.O Martelo a Destruição
.A Estrela vermelha, o Pentagrama Satânico
.O vermelho, o sangue dos adversários

"De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más." Eclesiastes 12:13,14
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Referências:
1- Dr. Fred C. Schwarz, Why Communism Kills: The Legacy of Karl Marx, a tract published by Christian Anti-Communism Crusade (C.A.A.C.), pp. 4-6.
2- 2006, Mídia sem Máscara, Norma Braga: Era Marx Satanista?
3- 2004, Huascar Terra do Valle: As origens satânicas do comunismo
4-1997, Georgi Marchenko: Karl Marx?